O que é o Marco Global para a Biodiversidade Pós-2020?

Metas para uso sustentável, conservação e repartição de benefícios da biodiversidade na próxima década estarão no centro dos debates da próxima CDB, prevista para 2021, na China

Foto mostra vitória regia, nativa do Brasil, maior folhagem do mundo.

A perda da biodiversidade e as mudanças climáticas estão entre os cinco maiores riscos globais apontados no relatório do Fórum Econômico Mundial em 2020 e 2021. Atenta a isso, a indústria brasileira está com expectativas elevadas para a 15ª edição da Conferência das Partes (COP 15) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), prevista para este ano, em Kunming, na China.

Isso porque lá será definido o Marco Global para a Biodiversidade Pós-2020, com metas para conservação e uso sustentável da biodiversidade e repartição justa e equitativa de benefícios advindos da utilização dela. Esse plano é a coluna vertebral da governança e da implementação dos objetivos da CDB, além de estar alinhado com a visão de 2050 para a biodiversidade de “viver em harmonia com a natureza”.

Para Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa agenda é importante para o avanço da bioeconomia e da conservação e uso sustentável da biodiversidade.


“Por isso, é fundamental a participação da indústria brasileira nas discussões no âmbito do plano, assim como na construção dos planos nacionais de biodiversidade”, afirma.


O novo plano para a biodiversidade e as Metas de Aichi

O quinto panorama da biodiversidade global (GBO-5), publicado em 2020 pela CDB, trouxe um relatório das Metas de Aichi. O documento relata que, praticamente, não houve avanços nas metas desse plano, além de destacar boas práticas para alcançar a visão de 2050. 

Em 2018, com a proximidade do fim do período compreendido pelas Metas de Aichi, a Conferência das Partes, que é a instância decisória máxima da CDB, criou um grupo de trabalho para elaborar o Marco Global para a Biodiversidade Pós-2020.

O grupo realizou duas reuniões e foram elaboradas duas minutas do documento. Agora, será realizada mais uma reunião, além de reuniões informais online por meio de webinars e reuniões de outros grupos de trabalho para subsidiar as discussões na COP 15.

Ilustração traz diferentes variedades da flora nativa do Brasil

Novo documento terá foco em implementação e monitoramento de metas

Assim, o GBO-5 fornece uma base importante para a elaboração do novo Marco Global para a Biodiversidade a partir das lições aprendidas com as Metas de Aichi. Entre as quais estão metas relacionadas ao acesso e repartição de benefícios (ABS, sigla em inglês) advindos da utilização de recursos genéticos, base de um dos três objetivos da CDB. 

Os princípios de ABS foram utilizados para elaborar o Protocolo de Nagoia, tratado complementar à CDB que estabelece regras internacionais sobre o uso de recursos genéticos para governança internacional da biodiversidade.

O Marco Global para a Biodiversidade Pós-2020 inclui metas sobre ABS e, agora, está sendo construído com mais foco na implementação e no monitoramento das metas para engajar a sociedade.

Relacionadas

Leia mais

Como a Convenção sobre Diversidade Biológica influencia a agenda de bioeconomia?
Por que a bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil
Indústria Entrevista estreia falando sobre bioeconomia

Comentários