CNI discute baixo carbono e combustíveis sustentáveis na Semana do Clima de SP

Líderes industriais debateram sobre a importância de uma visão integrada para a consolidação da descarbonização no Brasil

Foto: Gabriel Pinheiro/CNI

A programação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) na Semana do Clima de São Paulo, a SPCW 2026, terminou na tarde desta quarta-feira (5), com mesas de discussões sobre o aço de baixo carbono e o caminho dos combustíveis sustentáveis no Brasil.  

Representantes de diversas empresas marcaram presença no evento que foi realizado pela CNI, na sua sede em São Paulo, em parceria com o Orbis Instituto. 

Veja as fotos do dia da CNI na SPCW 2026:

05/08/26 -  CNI na São Paulo Climate Week 2026 (Dia 3)

Os desafios para o mercado de aço de baixo carbono  

A mesa-redonda sobre o aço de baixo carbono destacou que a descarbonização da siderurgia é um desafio intersetorial que exige uma visão holística do ciclo de vida dos materiais, desde a mineração até a reciclagem.  

João Irineu, representante da Stellantis, trouxe as preocupações do setor automotivo. Ele lembrou que o ferro e o aço compõem 60% da massa de um veículo e a descarbonização é um tema imprescindível para o segmento. 

Segundo ele, a integração entre os setores público e privado é o caminho para a redução de emissões de CO2. Nesse sentido, destacou que políticas públicas, como o Programa Mover, já auxiliam o setor no cumprimento de metas graduais com resultados positivos na transição para uma economia de baixo carbono.  

Complementando essa visão, Guilherme Abreu, da ArcelorMittal, apresentou o caminho para o carbono neutro como uma "escada" tecnológica que inclui desde a utilização de tecnologias existentes, como o uso de gás natural e o carvão vegetal de florestas renováveis, até soluções disruptivas, como o hidrogênio verde e a eletrólise. Ele ainda enfatizou a importância da macrogeração de sucata e da inteligência artificial para ganhos de eficiência energética. 

No campo operacional, Paula Ferrador, da Saint-Gobain, demonstrou resultados práticos com uma redução de quase 50% nas emissões diretas e indiretas de energia em unidades regionais, focando na eficiência processual e na economia circular.  

Ela explicou que a Saint-Gobain, que é líder mundial em construção leve e sustentável, investe na produção nacional de óxido de alumínio (material abrasivo para o aço) para substituir importações intensivas em carbono e na infraestrutura para reciclar abrasivos que antes viravam resíduos. 

Assista ao resumo da participação da CNI:

A aceleração dos combustíveis sustentáveis 

No painel sobre a aceleração do mercado de combustíveis sustentáveis, os empresários chegaram a um consenso: o crescimento global desses combustíveis precisa passar pela combinação entre marcos regulatórios, estratégias para a descarbonização de setores mais complexos e a superação de barreiras comerciais internacionais.  

Ricardo Mussa, chair da Sustainable Business COP (SB COP), defendeu que a regulação e o fomento devem ser inteligentes, priorizando setores onde a eletrificação é tecnicamente complexa, como a aviação (SAF) e o transporte marítimo. 

Sobre os setores mais difíceis de descarbonização, o CEO da Itaminas, Thiago Toscano, afirmou que a empresa tem tratado a descarbonização como pilar estratégico de negócio, transformando passivos ambientais em ativos financeiros. A mineradora planeja investir R$ 1,5 bilhão até 2033 para produzir minério de ferro de alto teor, essencial para a descarbonização da siderurgia global, além de buscar frotas limpas e melhores condições de crédito verde. 

Já Filipe Alvarez, da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), alertou sobre as barreiras internacionais que prejudicam a competitividade brasileira. Para ele, é necessário também encontrar o equilíbrio entre a escala de produção e o preço final dos biocombustíveis avançados. 

Maria Emília Peres, cofundadora do Orbis Instituto e moderadora das mesas-redondas, encerrou as atividades da tarde reforçando que a disrupção necessária para os setores de aço e combustíveis sustentáveis não virá apenas de novas tecnologias, mas da colaboração entre diferentes stakeholders, setor público, privado e sociedade civil, com a atuação integrada na cadeia de valor. 

Ao agradecer a parceria com a SB COP e lideranças como Ricardo Mussa e Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, ela reafirmou o compromisso do Orbis em atuar como um acelerador para o desenvolvimento socioeconômico e a implementação da agenda climática nos territórios. ela reafirmou o compromisso do Orbis em atuar como um acelerador para o desenvolvimento socioeconômico e a implementação da agenda climática nos territórios. 

Relacionadas

Leia mais

Competitividade industrial e o foco da CNI para o Mercado de Carbono na SPCW 2026
CNI defende posição unificada para avançar na descarbonização do transporte marítimo
Na Semana do Clima de SP, CNI destaca capacitação profissional verde e inovação industrial

Comentários