Reduzir barreiras, impulsionar investimentos e acelerar a transição para a economia circular. Esse foi o principal tema do evento Circular Talks: ideias que inspiram, práticas que transformam, realizado nesta quinta-feira (18), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Coalizão de Economia Circular da América Latina e do Caribe.
O encontro atuou como uma sessão de aceleração oficial do Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF) 2026, iniciativa autoral e internacional promovida pelo Fundo Finlandês de Inovação Citra, que aconteceu de 15 a 18 de setembro, com eventos em diversos países.
O objetivo da sessão de aceleração foi conectar representantes do setor produtivo, do poder público e de instituições financeiras para transformar oportunidades em investimentos concretos e debater as soluções práticas para a transição circular na indústria.
Competitividade, regulação e ação global
O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, enfatizou que a economia circular vem ganhando forte tração e visibilidade nas discussões nacionais, com protagonismo crescente no setor produtivo. Bomtempo destacou que a economia circular não se resume à reciclagem, trata-se de um novo modelo econômico voltado a aumentar a competitividade e a eficiência do setor produtivo.
“Precisamos reforçar a comunicação com a sociedade e o mercado, conectando a agenda circular à redução de emissões e à eficiência no uso de recursos, um trabalho que a CNI vem desenvolvendo e aprimorando desde 2014”, reforçou o superintendente da CNI.
Em relação ao panorama regulatório, Bomtempo ressaltou o empenho da CNI para a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1874/2022, a Política Nacional de Economia Circular, que está em tramitação no Senado Federal.
Além disso, Bomtempo reforçou o caráter transversal da pauta, que se integra às discussões do mercado regulado de carbono, à Lei do Combustível do Futuro e à elaboração da taxonomia sustentável brasileira. No âmbito internacional, sublinhou a atuação da CNI com a Sustainable Business COP (SBCOP), plataforma multilateral focada em soluções empresariais sustentáveis.
“Além dos cases de sucesso que foram apresentados na COP30 e que muitos eram sobre economia circular, o que queremos para a COP31 é também a inclusão de bons projetos que possam ser escalados e conectados a linhas de financiamento competitivas”, explicou.
Na abertura das atividades, o diretor-adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Kalil Cury Filho, ressaltou que a economia circular precisa ser conduzida como uma agenda estratégica de desenvolvimento, competitividade e inovação. Cury enfatizou a importância da articulação entre governos, indústrias e o sistema financeiro para converter o conhecimento em ações práticas e escaláveis.
A analista de Políticas e Indústria da CNI, Larissa Malta, também apresentou os dados da Pesquisa CNI de Economia Circular 2026: Barreiras, Oportunidades e Práticas na Indústria, acompanhada de um levantamento sobre o comportamento dos consumidores. O Circular Talks ainda trouxe discussões sobre a atuação coordenada entre políticas públicas de incentivo, mecanismos financeiros adequados às pequenas e médias empresas e o engajamento contínuo das cadeias de valor.
O que é o Circular Talks
O Circular Talks é uma plataforma de diálogo e cooperação orientada para a ação, desenvolvida para impulsionar a transição da economia linear para modelos sustentáveis na América Latina e no Caribe. O encontro busca dar escala às iniciativas empresariais, aproximar os agentes da cadeia de valor e promover mecanismos financeiros que facilitem a consolidação de negócios circulares. A realização desta edição dá continuidade ao legado do WCEF 2025, realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, mantendo a economia circular no centro da pauta de desenvolvimento econômico, inovação e competitividade regional.



