Após participarem de uma agenda estratégica dedicada a negócios, inovação, investimentos e governança durante o BRICS, na Índia, na última semana, uma delegação brasileira com 20 representantes de 10 setores industriais retornou ao país com expectativa de ampliar a integração econômica nacional.
Liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a missão empresarial a Nova Déli aumentou as conexões da indústria com empresas, lideranças e instituições dos países-membros do bloco.
Durante a missão, realizada de 8 a 12 de setembro, a CNI participou do Fórum Empresarial do BRICS 2026 e coordenou a representação empresarial brasileira no Conselho Empresarial do BRICS (Cebrics) e na Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS (WBA, na sigla em inglês). As iniciativas conectam o setor privado do bloco e contribuem para a construção de uma agenda voltada à ampliação do comércio, de investimentos e da cooperação empresarial.
Protagonismo feminino na agenda do BRICS
A agenda da WBA durante o BRICS foi destaque na missão empresarial na Índia. Sob a coordenação da CNI no capítulo brasileiro, a aliança de mulheres do bloco atua para ampliar a participação de lideranças femininas nos mercados globais e nos ecossistemas de inovação. A reunião em Nova Déli marcou ainda a transição dos trabalhos para a presidência chinesa da WBA no próximo ano.
A delegação do Brasil participou das discussões dos seis grupos de trabalho - Saúde, Economia Inclusiva, Segurança Alimentar e Segurança Ambiental, Economia Criativa, Desenvolvimento Inovador e Turismo - e da reunião anual da WBA, que resultou na aprovação e assinatura do relatório anual da aliança.
O documento destaca o papel das mulheres como empreendedoras, inovadoras, líderes empresariais e investidoras em meio às transformações da economia global, marcadas pelo avanço tecnológico, pela digitalização, pelas mudanças nos padrões de comércio e investimento, pelas questões climáticas e pelas transformações demográficas.
As recomendações da WBA têm como eixos o empreendedorismo e o desenvolvimento de empresas lideradas por mulheres; inovação, transformação digital e tecnologias emergentes; acesso a finanças e investimentos; desenvolvimento de competências e liderança; sustentabilidade; turismo; e fortalecimento de parcerias e intercâmbio de conhecimento entre os membros do BRICS.
Nesse contexto, a agenda de turismo ganhou destaque com a participação brasileira no Grupo de Trabalho de Turismo, que, com apoio da Embratur, contribuiu para ampliar a promoção internacional do Brasil e fortalecer conexões voltadas ao turismo de negócios, eventos, economia criativa e desenvolvimento sustentável.
A presidente do capítulo brasileiro da WBA, Mônica Monteiro, reforçou a importância da participação feminina do setor produtivo nas tomadas de decisão econômica. “Como líderes empresariais, estamos trabalhando para ocupar um espaço cada vez maior nas esferas internacionais onde o futuro da economia está sendo discutido e moldado. As mulheres não podem ficar de fora da sala quando as decisões que moldam a economia estão sendo tomadas. Precisamos estar na mesa", defende a executiva.
Relatório anual do Cebris fala em resiliência
A missão empresarial a Nova Déli foi marcada também pela conclusão dos trabalhos do Cebrics em 2026, com reuniões dos grupos de trabalho e da reunião plenária e com a assinatura do relatório anual do Conselho - que tem a seção brasileira coordenada pela CNI e representada por Embraer, Vale, WEG e Banco do Brasil.
O documento aponta que o bloco entrou em uma nova fase de cooperação, agora com 11 países, e ressalta o potencial da aliança mundial para garantir sua própria oferta de alimentos, combustíveis e fertilizantes.
De acordo com o relatório, o principal desafio é aproximar oferta e demanda, melhorar corredores logísticos, harmonizar padrões e facilitar o comércio entre os países.
O documento organiza as recomendações em quatro pilares: resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade. Entre as prioridades estão a construção de cadeias de valor mais resilientes e integradas, o aproveitamento de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e manufatura avançada, o estímulo à inovação e ao empreendedorismo, o desenvolvimento industrial sustentável e a transição para energia limpa.
Também integram a lista de prioridades o fortalecimento da segurança alimentar, o aprofundamento do comércio e dos investimentos, a formação de talentos e o apoio às micro, pequenas e médias empresas, além da construção de instituições e parcerias duradouras entre os países.
Conexões com o mercado indiano
Além das agendas institucionais do BRICS, os integrantes da missão participaram da IEL Experience Índia, uma imersão voltada a executivos e líderes empresariais interessados em compreender a transformação industrial e os novos modelos de competitividade da economia indiana.
A programação abriu o primeiro dia da missão da CNI em Nova Déli e reuniu conteúdos e experiências sobre capacitação, inovação e execução para negócios. A iniciativa proporcionou à delegação brasileira contato com o ambiente empresarial indiano e ampliou conhecimentos e conexões para promover novas oportunidades para a indústria brasileira.
Ao reunir agenda institucional, articulação empresarial, desenvolvimento de lideranças e experiências de negócios, a missão reforçou a atuação da CNI na construção de conexões entre a indústria brasileira e os mercados do BRICS, contribuindo para ampliar oportunidades de comércio, investimentos, inovação e cooperação entre os países.



