Manufatura avançada transforma indústria mundial

Presidente do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos diz que Brasil precisa investir no talento para que a inovação cresça no país. Especialistas debateram digitalização e automação no Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria

"O Brasil precisa investir mais em pesquisa e desenvolvimento" - Deborah Wince Smith (2ª da esq para a dir)

A transformação da indústria é uma realidade sem volta que tem acontecido de forma cada vez mais rápida. Para o Brasil não ficar para trás será preciso ampliar os investimentos na agenda de inovação. A presidente do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos, Deborah Wince Smith, afirmou que a tendência mundial para o setor industrial vai no caminho da manufatura avançada. Ela citou a empresa Embraer como exemplo de empresa que está no caminho da 4ª revolução industrial.

“A manufatura avançada não vai desaparecer. Ela é segura, é irreversível. A Embraer é um exemplo disso. Mas o Brasil precisa investir mais em pesquisa e desenvolvimento. É necessário ter foco no talento”, afirmou Deborah, nesta terça-feira (27), durante painel sobre a situação atual e as perspectivas da inovação no Brasil, no Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Sebrae. “Precisamos focar no investimento em pessoas e em como elas lidam com a inovação e com o sistema de inovação”, acrescentou Deborah.

O reitor da Escola de Negócios da Universidade de Cornell, Soumitra Dutta, enfatizou que cabe ao setor privado adotar “escolhas certas” para que a inovação desponte no Brasil. Ele mencionou, no entanto, que o poder público também é imprescindível nessa agenda. “Não se pode diminuir o investimento em pesquisa e desenvolvimento. A iniciativa da China é fantástica, por meio de muito investimento em inovação. A participação do governo também é uma necessidade. Todos os países que estão à frente na agenda da inovação contam com uma grande participação do governo”, frisou.

“Na Alemanha, estamos usando a Indústria 4.0 para desenvolver novos modelos de negócio e de serviços" - Peter Post

DIGITALIZAÇÃO E AUTOMAÇÃO - Para os especialistas Peter Post e Steven Ashby, o aumento da eficiência energética, a redução dos custos de manutenção e o conhecimento – a partir de dados precisos – sobre a performance operacional dos produtos ao longo de toda sua vida útil, são apenas algumas aplicações do que se convencionou chamar de Indústria 4.0. Ambos falaram sobre como a digitalização na manufatura e a automação podem resultar em ganhos para a indústria e principalmente para a sociedade.

O professor alemão Peter Post é vice-presidente de Pesquisa Aplicada da Festo AG & Co. KG. A empresa tem se destacado mundialmente na automação de processos e manufatura. “Precisamos pensar nas pessoas em primeiro lugar. A produção precisa estar centrada no humano”, afirma Peter. “Na Alemanha, estamos usando a Indústria 4.0 para desenvolver novos modelos de negócio e de serviços, otimizar e simplificar os processos de engenharia e realizar a manutenção preventiva dos produtos”, destaca. A internet das coisas e a integração dos sistemas, segundo Peter Post, permite hoje às empresas monitorar seus produtos desde o momento da produção até o uso pelos consumidores. Isso propicia não apenas o desenvolvimento de soluções de engenharia e aprimoramento dos produtos, como também a criação de novos mercados.

O norte-americano Steven Ashby - diretor do Pacific Northwest National Laboratory (PNLL) – aponta o aumento da eficiência energética como um dos principais ganhos propiciados pela Indústria 4.0. Segundo Steven, o consumo anual de energia no mundo é de 549 quads (unidade de energia que corresponde a 8 bilhões de galões de gasolina). De toda essa energia consumida, 54% são usados pela indústria, sendo 38% apenas pela manufatura. No contexto atual, 42% da energia consumida no setor de manufatura é desperdiçada, seja com a perda de calor, com a iluminação insuficiente ou outras modalidades de perda. Essa energia, de acordo com Steven, seria suficiente para abastecer um país como o Brasil por seis anos.

A convergência de três tecnologias (a tecnologia da informação, dos sensores e a tecnologia operacional) é a resposta que já está sendo adotada nos Estados Unidos para aumentar a eficiência da indústria. “São mais de 200 parceiros trabalhando em diferentes partes do país, desenvolvendo soluções em conjunto para situações que perpassam toda a cadeia de produção”, destacou Steven Ashby.


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