Integração de dados é o caminho para avanço da saúde digital no Brasil

Programa Executivo de Conexão em Saúde Digital mostra como a integração de dados pode transformar a gestão, a eficiência e o cuidado em saúde no país

A imersão em Barcelona reuniu lideranças brasileiras para debater os rumos da saúde digital, em iniciativa do MES, SESI, CNI e IEL voltada a transformar conhecimento em ação

Mais do que uma agenda internacional, a imersão em Barcelona se consolidou como um espaço estratégico para repensar os caminhos da saúde digital no Brasil. Liderado pelo Movimento Empresarial pela Saúde (MES), pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com correalização do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o Programa Executivo de Conexão em Saúde Digital reuniu entre os dias 13 e 17 de abril lideranças brasileiras em torno de um objetivo comum: transformar conhecimento em ação. 

Para o diretor superintendente do SESI, Paulo Mol, o principal valor da iniciativa está na capacidade de articulação entre diferentes setores. “É uma iniciativa pensada para gerar sinergias, compartilhar conhecimento e permitir que possamos, de fato, avançar na construção de um sistema de saúde no Brasil cada vez mais produtivo e inclusivo”, afirma. 

Essa conexão entre diferentes ecossistemas é também um dos pilares destacados por Michelle Queiroz, gerente do IEL Nacional. “Para o IEL é uma satisfação, ao lado do SESI, correalizar esse programa com foco em saúde digital. Acreditamos na importância de conectar lideranças a diferentes ecossistemas, especialmente o de Barcelona, que tem muitas similaridades com o Brasil. Esses líderes retornam com capacidade de contribuir diretamente para a estratégia de saúde digital do país”, destaca Queiroz.  

A dificuldade de interoperabilidade entre sistemas, a fragmentação de dados, a repetição de exames, a limitação no acesso a históricos clínicos e a baixa coordenação do cuidado ainda impactam diretamente a eficiência, a sustentabilidade financeira e a experiência do paciente. É nessa perspectiva que Barcelona se apresentou como um laboratório vivo de soluções que conecta tecnologia, governança e políticas públicas. 

No terceiro dia, o debate destacou que integrar dados vai além da tecnologia e exige governança, regras claras e confiança para ampliar seu uso na saúde

Integração de dados, governança e sustentabilidade 

Ao longo da programação, ficou evidente que integrar dados não é apenas uma questão tecnológica, mas um desafio estrutural de governança. Regras claras de acesso, uso e proteção da informação, aliadas à confiança institucional, são fundamentais para reduzir riscos e ampliar o valor dos dados na tomada de decisão clínica e gerencial. 

Segundo, Warley Soares, assessor executivo do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), a experiência internacional amplia essa compreensão. “Pudemos perceber que não se trata apenas de novas tecnologias, mas de como lidamos com elas e conseguimos transformá-las em soluções concretas para a saúde digital. Os desafios aqui são muito semelhantes aos do Brasil, como: o envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas. Nesse cenário, a inteligência artificial se apresenta como uma solução integrada, que pode ser aperfeiçoada e aplicada no Brasil”, explica. 

Na avaliação do presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Hisham Hamida, o desafio da tecnologia independe do tamanho do país. “É um desafio de momentos disruptivos do ponto de vista cultural. É algo que a gente precisa se empenhar, precisa estar interligado de maneira intersetorial, pensando em como colocar a tecnologia como uma solução para auxiliar no cuidado, auxiliar no processo e, com isso, melhorar a qualidade de vida também dos usuários do sistema de saúde”. 

Já na perspectiva de outra participante, o Brasil não está muito longe do caminho que deve percorrer. Para Greyce Ramos Guasselli, especialista de Desenvolvimento Industrial do SESI, o Brasil possui um modelo complexo de saúde e uma população grandiosa frente a da Catalunha. 

“Temos uma oportunidade muito grande de crescimento, de qualificação, de ampliação de acesso e de alternativas para que a gente tenha uma população mais saudável e que consiga mitigar problemas claros e concretos de saúde que existem hoje no nosso país”, destaca a especialista. 

Benchmark internacional e conexões estratégicas marcaram a agenda, com visitas e encontros que mostraram como a integração entre indústria, pesquisa e setor público impulsiona a inovação em saúde

Benchmark internacional e conexões estratégicas 

A agenda dos cinco dias incluiu visitas técnicas e encontros com organizações estratégicas do ecossistema catalão, de forma a ampliar a visão prática dos participantes sobre inovação em saúde. 

As trocas de experiências evidenciaram como a integração entre indústria, centros de pesquisa e poder público pode acelerar o desenvolvimento de soluções mais eficientes. Esse modelo de colaboração também dialoga com iniciativas do setor produtivo global, e os inclui em ambientes corporativos de grandes indústrias, como no caso da Volkswagen. 

“Mesmo diante da complexidade dos sistemas de saúde, é possível avançar em soluções como a interoperabilidade, utilizando dados de forma estratégica e orientada ao benefício dos usuários”, aponta Rodrigo Filus, gerente executivo da Volkswagem. 

O programa contou com a articulação do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI) e reuniu representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

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