Saúde digital: IA e integração de sistemas avançam na busca por eficiência

Programa Executivo de Conexão em Saúde Digital, do MES, mostra como a interoperabilidade pode redefinir a governança e o uso estratégico da inteligência artificial na saúde

Imersão em Barcelona reúne delegação brasileira para explorar soluções de integração de dados e avançar na transformação digital da saúde

Referência internacional na integração de dados em saúde, a capital catalã Barcelona foi escolhida para sediar o Programa Executivo de Conexão em Saúde Digital, em curso desde 13 de abril. A iniciativa é liderada pelo Movimento Empresarial pela Saúde (MES), do Serviço Social da Indústria (SESI) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com correalização do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). O encontro busca fortalecer, no Brasil, a capacidade de integração entre sistemas de saúde a partir da análise de modelos internacionais consolidados e evidencia caminhos para que lideranças empresariais e representantes governamentais impulsionem a saúde digital de forma disruptiva. 

Ao longo dos primeiros dias, os participantes analisam o modelo adotado na Catalunha, considerado referência global no tema. Estruturado entre 2007 e 2009, com a criação da História Clínica Compartida de Catalunya (HC3), o sistema foi desenvolvido com base em dados integrados como eixo da saúde. Hoje, conecta toda a rede pública da região, que atende cerca de 8 milhões de habitantes, permitindo o acesso às informações dos pacientes em diferentes pontos de atendimento. 

Para o diretor superintendente do SESI, Paulo Mol, os presentes tiveram uma visão geral de como funciona o sistema de saúde da Espanha e das possíveis conexões com o Brasil. “Identificamos muitas similaridades, mas também diferenças importantes. Ao mesmo tempo, observamos desafios comuns e aspectos do modelo espanhol que podem inspirar o Brasil, especialmente na forma mais estruturada de integração entre os sistemas público e privado”, destacou Mol. 

Imersão revela como o modelo espanhol pode inspirar a integração entre saúde pública e privada no Brasil

A agenda inclui visitas técnicas a instituições de referência, como: Esade, AstraZeneca, Departamento de saúde da Catalunha e outros centros em saúde situados em Barcelona. Além disso, os participantes tiveram encontros com gestores públicos, com foco na ampliação e na compreensão sobre os caminhos para a transformação digital na saúde. Nesse processo, o compartilhamento de dados aparece como um dos principais diferenciais do modelo catalão. 

Para a médica e gerente de Programas de Saúde para a América Latina da GE Vernova, Márcia Agosti, a imersão evidenciou o papel estratégico da interoperabilidade na transformação do setor. 

“Ficou claro como o modelo caminha para uma maior unificação, com base na interoperabilidade, na colaboração e no trabalho conjunto entre os diferentes sistemas de saúde. Foi uma experiência excepcional”, contou a Agosti. 

Enquanto a IA avança, a fragmentação de dados ainda trava a saúde e a imersão em Barcelona busca caminhos para integrar sistemas e ganhar eficiência no Brasil

Saúde digital e governança 

A governança de dados também se destacou como pilar estruturante do modelo visto em Barcelona. “Na Catalunha, cada cidadão possui um único cartão, com uma chave de acesso integrada, que permite o acompanhamento do histórico de saúde em qualquer ponto de atendimento. Esse modelo contribui para maior eficiência, redução de custos e uma gestão mais transparente e responsável”, explicou o diretor Paulo Mol. 

A adoção da inteligência artificial foi outro tema central abordado durante o encontro, com ênfase na necessidade de validação local, critérios éticos e aplicação em problemas concretos. Nesse contexto, a tecnologia é tratada como meio para viabilizar uma medicina mais preventiva, personalizada e eficiente. 

Segundo Eduardo Spinussi, superintendente geral da Fundação Zerrenner, a experiência reforça o potencial de adaptação das soluções ao contexto brasileiro. “É possível construir um sistema capaz de gerar qualidade assistencial para o nosso beneficiário. Podemos levar o conhecimento adquirido para o Brasil e contribuir para a evolução de políticas públicas, regulações e modelos de atuação. Temos condições de avançar na integração entre a saúde suplementar e o SUS”, afirmou Sínussi. 

Participam da imersão executivos de empresas como Volkswagen, Vale, JBS, WEG, GE, Abertta, Transpetro, Abott, além de representantes de organizações como Fundação Zerrenner, Eurofarma, Aché Laboratórios, Roche Farma Brasil e Prio. 

A agenda vai até o dia 17 de abril e é realizada em parceria com o Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), com a participação do Ministério da Saúde (MS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Confira mais fotos da imersão: 

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