Novas alianças internacionais, um fundo para projetos sustentáveis e a expansão da Sustainable Business COP(SB COP) para 100 países. Esses foram os principais anúncios do encontro Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31 realizado, nesta segunda-feira (1º), na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), que reuniu empresários e a presidência da COP30.
Organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o evento marcou o início das contribuições das indústrias para a agenda climática global que será debatida na COP31, em novembro, na Turquia.
“A SB COP se tornou essa plataforma de agregar visões completamente diferentes, mas que podem se ajustar por meio de negociações permanentes”, disse o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz.
Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, o avanço da SB COP é resultado de uma trajetória construída ao longo de décadas de participação da CNI nas conferências do clima.
A CNI acompanha as negociações desde a COP10, em Buenos Aires, e ampliou a atuação a partir da COP28, em Dubai, quando passou a liderar a participação do setor privado nos fóruns.
“Cada vez mais somos demandados a fortalecer uma agenda de implementação construída com o setor produtivo. É esse trabalho conjunto que tem permitido ampliar a participação das empresas e transformar discussões climáticas em ações concretas”, afirmou.
SB COP amplia alcance e cria fundo para acelerar projetos
A iniciativa ganhou escala durante o encontro. Presente em cerca de 60 países, a SB COP quer alcançar a marca de 100 países representados ainda neste ano. A CNI também confirmou que seguirá na liderança da iniciativa pelos próximos três anos, garantindo a estrutura necessária para a continuidade e expansão.
Segundo Ricardo Mussa, chair da SB COP, a meta reforça o papel da plataforma como espaço de coordenação do setor privado global e de contribuição para as negociações climáticas internacionais. “Estamos alinhando o modelo da SB COP às estruturas de trabalho da ONU para facilitar a interação entre as entidades e ampliar nossa capacidade de contribuição. Também queremos partir de exemplos concretos para construir recomendações, analisando o que permitiu que determinadas soluções funcionassem e gerassem resultados”, afirmou Mussa.
A iniciativa também anunciou a criação do Fundo SB COP, em parceria com a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS). A proposta é enfrentar um dos principais desafios da transição para uma economia de baixo carbono: conectar capital disponível a projetos capazes de produzir impacto e atrair investimentos.
O fundo será gerenciado pela estrutura liderada por Marcelo Thomé, co-chair da SB COP e presidente do Instituto Amazônia+21. Para ele, especialmente na Amazônia, o desafio não está na escassez de recursos, mas na dificuldade de estruturar iniciativas aptas a receber financiamento.
De acordo com Thomé, ainda existe uma “falha da arquitetura de transmissão entre o capital disponível e os ativos capazes de absorvê-lo”. O novo mecanismo nasce justamente para apoiar a estruturação e a escalabilidade desses projetos.
Alianças internacionais para clima e natureza
O evento também marcou a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) entre a SB COP, a Global Citizen e o Instituto Natureza e Clima Brasil. A parceria quer impulsionar iniciativas conjuntas relacionadas ao clima, à natureza e à mobilização do setor privado.
Ao celebrar o acordo, o cofundador da Global Citizen, Michael Sheldrick, destacou a convergência entre os esforços de combate à pobreza extrema e à crise climática.
Rodrigo Medeiros, presidente do Instituto Natureza e Clima Brasil, reforçou a intenção de construir uma plataforma permanente de cooperação no Sul Global, capaz de posicionar o Brasil como referência na busca por soluções práticas para os desafios ambientais.
Da negociação à implementação
Das discussões também participaram representantes da presidência da COP30, que reforçaram uma mensagem comum: o avanço da agenda climática dependerá da capacidade de colocar em prática os compromissos assumidos nos últimos anos.
CEO da COP30, Ana Toni afirmou que a conferência realizada em Belém ajudou a inaugurar esse novo ciclo: “O setor privado entende que essa é uma agenda que não é uma moda, é uma agenda que está aí para ficar e a SB COP é uma das inovações mais interessantes que surgiram”.
Contribuição da indústria para a implementação
Representando o Sistema Indústria, Alexandre Reis, superintendente do SESI Rio e diretor regional do SENAI Rio, falou sobre a importância da formação de profissionais para a economia verde e a atuação dos institutos de inovação em áreas como biotecnologia e química verde.
Com presença prevista nos principais fóruns internacionais de clima ao longo do ano, a SB COP já começou a preparação para a COP31. A iniciativa participará das reuniões climáticas de Bonn, na Alemanha, da London Climate Action Week e da Climate Week NYC, ampliando o diálogo com governos, empresas e organizações internacionais antes da conferência da ONU.



