O Programa Executivo de Conexão em Saúde Digital, realizado de 13 a 17 de abril, em Barcelona, reúne debates e iniciativas sobre inovação, dados e gestão em saúde com possíveis conexões e desafios do Brasil. A iniciativa é liderada pelo Movimento Empresarial pela Saúde (MES), do Serviço Social da Indústria (SESI) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A delegação é integrada por executivos de empresas como Volkswagen, Vale, JBS, WEG e Abbott, além de representantes de organizações como Fundação Zerrenner, Eurofarma, Aché Laboratórios, Roche Farma Brasil, GE Vernova e PRIO. Também integram a agenda representantes do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Ao longo dos primeiros dias, a delegação acompanhou debates sobre o compartilhamento de dados em saúde, governança, sustentabilidade, telemedicina, inteligência artificial e ecossistemas de inovação, em atividades realizadas na Esade e em instituições públicas e privadas ligadas ao desenvolvimento de soluções para o setor. A transformação digital em saúde dominou o debate com integrantes da gestão pública da saúde na Catalunha.
Experiências internacionais
Durante visitas técnicas, foi possível observar como grandes organizações têm incorporado recursos digitais às suas estratégias.
Na AstraZeneca e na Telefónica, os participantes conheceram experiências ligadas ao uso de ciência, dados, inteligência artificial, conectividade e plataformas digitais para apoiar processos, desenvolver soluções e ampliar a eficiência. Em comum, essas iniciativas mostram que a inovação não depende apenas de ferramenta, mas da capacidade de combinar conhecimento, infraestrutura e visão de longo prazo.
Responsável pelo Desenvolvimento de Negócios da Telefónica, Eva Aurín apresentou as tecnologias já disponíveis no mercado e as soluções desenvolvidas por startups apoiadas pela empresa.
Segundo ela, a proposta é mostrar a clientes e parceiros caminhos possíveis para enfrentar desafios do setor com apoio tecnológico. “O setor está em um modelo insustentável, mas, graças ao uso de tecnologia, como a inteligência artificial para apoio aos diagnósticos, é possível tornar esse sistema mais sustentável e entregar um serviço melhor ao paciente”, afirmou.
O diretor-superintendente do SESI Nacional, Paulo Mól, destacou que a experiência espanhola tem oferecido referências úteis para o contexto brasileiro.
“Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a forma como o sistema organiza o compartilhamento de informações e dados, o que amplia a eficiência, reduz custos e fortalece uma gestão mais transparente. Também tem sido importante conhecer estruturas voltadas à reabilitação de trabalhadores e iniciativas desenvolvidas em parceria com startups”, reforçou.
Em visita ao Departament de Salut da Generalitat de Catalunya, o grupo acompanhou apresentações sobre a estratégia de transformação digital do sistema de saúde catalão e os mecanismos de integração entre diferentes estruturas da rede assistencial.
Já no Barcelona Health Hub, a comitiva teve contato com a formação de ecossistemas de inovação. Ao reunir startups, empresas, pesquisadores e instituições, o espaço mostra que a inovação em saúde depende também de articulação, troca de conhecimento e construção de redes capazes de acelerar soluções com potencial de aplicação prática.
Confira as fotos da imersão:
Inovação e cuidado
A agenda ainda abriu espaço para a discussão sobre serviços que unem o atendimento humano ao digital. A proposta apresentada aponta para modelos híbridos, em que telemedicina, monitoramento, prevenção e serviços conectados podem ampliar a efetividade do cuidado e melhorar a jornada do usuário.
Nesses primeiros dias de imersão, Barcelona deixou menos a impressão de vitrine tecnológica e mais a de um laboratório em funcionamento. Entre governo, empresas, universidades e startups, o que se vê é um esforço contínuo para fazer a inovação sair do discurso e entrar na rotina dos serviços.
A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, apresentou iniciativas em curso no SUS. Ela ressaltou a importância de pensar a transformação digital a partir da realidade no Brasil, da articulação entre entes federativos e da necessidade de integrar dados e serviços em benefício da população.
“A escolha da Espanha é significativa. A gente se inspira no sistema de saúde espanhol, que expressa a maturidade digital alcançada pelo país. Essa parceria com o SESI, em prol do desenvolvimento do Brasil, é muito importante”, disse.
A programação segue até esta sexta-feira (17), com debates sobre inteligência artificial, uso estratégico de dados, ecossistemas de inovação e plataformas digitais centradas no usuário.



