Brasileiros valorizam economia circular, mas resistem na hora de comprar produtos reciclados

72% dos brasileiros apoiam empresas que investem em práticas circulares, mas 43% resistem à compra de produtos reciclados, mostra pesquisa da CNI

Foto: Shutterstock

Até que ponto você apoia modelos de produção e consumo que priorizam a reutilização, reparo, remanufatura e reciclagem de materiais para estender a vida útil dos produtos? A chamada: economia circular? Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o comportamento do consumidor nesse universo é contraditório. Os brasileiros apoiam a economia circular em teoria, mas ainda relutam quando precisam levar um produto reciclado para casa. 

O levantamento mostra que, embora 72% da população veja de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade, ainda existe resistência para o consumo de produtos reciclados e para a adoção de hábitos mais circulares no país. 

É o caso de quem apoia a reciclagem e a reutilização de recursos, mas prefere comprar um tênis convencional em vez de um modelo fabricado com borracha de pneus reciclados ou fibras reaproveitadas. Ou de quem considera importante reduzir a geração de resíduos, mas desconfia da qualidade de embalagens biodegradáveis.

Os dados da pesquisa foram apresentados no evento “Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31”, promovido pela CNI na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) nesta segunda (1). A iniciativa integra a programação da Rio Nature and Climate Week e reunirá representantes da indústria, do governo e do setor financeiro para discutir prioridades e propostas do setor privado para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), marcada para novembro, na Turquia. 

A pesquisa de opinião pública da CNI foi realizada pela Nexus e entrevistou presencialmente 2.019 pessoas em todas as regiões do país entre 11 e 13 de fevereiro. Segundo a pesquisa, 43% dos brasileiros afirmam resistir à compra de produtos reciclados, independentemente do valor. Entre os principais motivos estão a preferência por produtos novos (34%) e dúvidas sobre a durabilidade dos itens reciclados (30%). 

Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, os dados mostram que a transição para uma economia circular passa pela oferta de soluções sustentáveis e pelo fortalecimento da confiança do consumidor. 

“Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, percepção de qualidade e acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros”, afirma.

 

Economia circular depende de uma transformação sistêmica

“Temos espaço para ampliar a conscientização da sociedade sobre circularidade e fortalecer políticas públicas capazes de incentivar modelos mais sustentáveis de produção e consumo. A economia circular depende de uma transformação sistêmica, que envolve informação, infraestrutura, ambiente regulatório e engajamento de toda a cadeia produtiva”, destaca Davi Bomtempo. 

Segundo a CNI, esse cenário reforça a importância da aprovação do Projeto de Lei 1874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Para a entidade, a proposta pode estimular investimentos, ampliar a competitividade da indústria brasileira e incentivar práticas sustentáveis de consumo. 

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