Para a indústria, Mercosul e UE perderam oportunidade estratégica ao não celebrarem acordo

Para ambos os blocos, acordo é essencial para promover a integração do comércio internacional. Indústria brasileira seguirá a agenda de negociações com mercados como Canadá, EFTA, Japão e México
O acordo de livre-comércio permitirá, por exemplo, a eliminação gradual de tarifas de importação hoje aplicadas pela União Europeia a produtos brasileiros

A indústria brasileira, assim como seus parceiros do Mercosul, esteve muito engajada e flexível nas negociações em torno de um entendimento entre Mercosul e a União Europeia e considera que o fechamento de um acordo de livre-comércio entre os dois blocos é fundamental para garantir uma maior integração no comércio internacional. O acordo também é importante para recuperar a competitividade industrial e promover o mercado tanto para o Mercosul quanto para o empresariado europeu.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entende que os dois blocos perderam uma oportunidade estratégica ao não celebrarem um acordo político na reunião entre ministros que terminou nesta quinta-feira (19), em Bruxelas, sobretudo pela pouca flexibilidade do bloco europeu.

INVESTIMENTOS NO MERCOSUL - Além de permitir a abertura do mercado brasileiro, um acordo entre o Mercosul e a União Europeia estimulará investimentos europeus no Brasil e no Mercosul e contribuirá para a redução de custos. O acordo de livre-comércio entre os dois blocos permitirá, por exemplo, a eliminação gradual de tarifas de importação hoje aplicadas pela União Europeia a produtos brasileiros.

“A União Europeia não demonstrou a flexibilidade necessária e apenas apresentou propostas e demandas antigas. Na visão da indústria, os europeus estão perdendo uma oportunidade estratégica em um momento em que o populismo e o protecionismo estão crescendo no mundo”, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

A CNI defende que os ministros dos dois blocos estabeleçam diretrizes claras e definam um cronograma para a conclusão de um acordo político ainda em 2018. O acordo político é um passo definitivo em direção ao fechamento do acordo final de livre-comércio, que passaria a depender de ajustes técnicos.

A indústria brasileira se mantém comprometida com a abertura econômica por meio de acordos comerciais e seguirá a agenda de negociações com mercados como Canadá, EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), Japão e México. Além disso, trabalhará para o aprofundamento dos acordos com países da América do Sul.

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