A agenda climática como vetor de negócios para o desenvolvimento sustentável e econômico do país. O objetivo é uma das principais demandas do setor produtivo que busca caminhos para transformar os desafios climáticos em competitividade.
O tema foi painel para uma das principais discussões do 2º Fórum de Finanças Sustentáveis, evento que integrou, nesta quarta-feira (5), a programação da Semana de Clima de São Paulo (SPCW) 2026 e contou com a participação do superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Davi Bomtempo.
O Fórum foi promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Descarbonização como Agenda de Competitividade
Davi Bomtempo destacou que os planos de descarbonização transformaram a sustentabilidade em uma agenda estratégica de competitividade e inovação. Nesse sentido, ele reforçou que a indústria busca uma "regulação de alto nível", que garanta segurança jurídica e regras claras para atrair investimentos nacionais e internacionais.
Um dos pontos de atenção da CNI foi a importância da inclusão de pequenas e médias empresas industriais nesse processo. Bomtempo sugeriu o desenvolvimento de instrumentos de garantias coletivas para superar os problemas de acesso ao crédito enfrentados pelas empresas.
"Sustentabilidade hoje é fator de competitividade, oportunidades de negócios, acesso aos mercados. Faz diferença para as empresas e para toda a cadeia produtiva", afirmou.
Além disso, o superintendente da CNI destacou que o Brasil é visto globalmente como o país do Powershoring, estratégia de transferir ou instalar indústrias para locais com alto potencial de energias renováveis. Mas, segundo ele, isso exige melhorias em políticas públicas, tecnologia e na qualificação de profissionais para as novas habilidades e as competências da economia verde.
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Integração Agro-Indústria
A integração entre os setores econômicos, agronegócio e indústria foi defendida pelo diretor do Instituto de Estudos do Agronegócio (IEAG/ABAG), Giuliano Alves. Para ele, o agro faz parte da solução para a transição climática, com grande participação na agenda de biocombustíveis. Alves pontuou que a união de esforços é o único caminho para a escala das soluções sustentáveis e competitivas.
“O desafio é complexo e a resposta para o mundo não será simples. E ela deve ser construída com a ajuda de uma rede de atores. A agricultura não pode ser separada da indústria. Muitas pautas precisam ter interconexões para que possamos escalar a agenda climática em oportunidades de competitividade”, afirmou.
Agenda climática e a prosperidade econômica
Para fechar o debate, a CEO da E+ Transição Energética, Rosana Santos, trouxe uma reflexão sobre a conexão que, segundo ela, deve ser integrada entre a agenda climática e medidas para a prosperidade econômica.
Entre os desafios práticos citados, Rosana destacou a necessidade de investimentos em tecnologias que, de fato, façam sentido para a realidade do Brasil, além da colaboração entre os setores público e privado.
Um dos pontos centrais de sua fala foi sobre o Powershoring como o principal diferencial para a atração de investimentos estrangeiros.
Rosana destacou que, para o método funcionar, especialmente em regiões como o Nordeste, o país precisa garantir uma energia de alta qualidade, segura e, fundamentalmente, com custos que não retirem a competitividade industrial.
Em sua conclusão, ela reforçou que o sistema elétrico brasileiro é um ativo importante e de excelência global, mas que deve ser tratado com responsabilidade pelo setor público para que a energia renovável barata continue sendo o principal insumo para o desenvolvimento industrial de baixo carbono.
“Tornar a agenda climática uma oportunidade econômica não passa por uma solução só. É preciso sinergia entre o Estado e o setor privado para desenvolvermos o nosso celeiro de energia verde, por exemplo”, finalizou.



