Conhecida como "dicionário da sustentabilidade”, a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) avançou como um dos principais temas da 5ª Reunião Ordinária do Fórum Nacional de Economia Circular, nesta quinta-feira (5), em Brasília. Com a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no encontro foram apresentadas as perspectivas para este ano, incluindo a elaboração da 2ª edição da taxonomia, que abordará, entre outros objetivos, a transição para uma economia circular.
A proposta buscará estabelecer critérios técnicos e científicos para orientar o investimento em iniciativas de economia circular, como reaproveitamento de materiais, redução de resíduos e design regenerativo.
Para a indústria, a taxonomia aplicada à economia circular não será apenas um referencial conceitual, mas um guia prático para redirecionamento dos fluxos financeiros, gestão de riscos e ganho de competitividade na transição para modelos produtivos de baixo carbono.
A CNI faz parte do Comitê Consultivo da TSB e teve participação ativa na elaboração da 1ª edição, junto aos seis setores industriais contemplados no objetivo de mitigação da mudança do clima.
Segundo o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, a nova etapa do instrumento aproxima política pública e mercado financeiro, criando um ambiente mais seguro para decisões empresariais e para a transformação das cadeias produtivas.
“Baseada em um conjunto de critérios técnicos, a taxonomia brasileira orienta investimentos, dá previsibilidade às empresas e, com a inclusão do objetivo de transição para uma economia circular, ajudará ainda mais a viabilizar modelos produtivos circulares, acelerando o desenvolvimento sustentável e a criação de novos empregos”, afirmou.
Perspectivas para 2026
Entre os próximos passos apresentados no Fórum, estão:
- elaboração da 2ª edição da Taxonomia Sustentável Brasileira;
- ampliação da plataforma Recircula Brasil para novas cadeias produtivas; iniciativa promete estabelecer um padrão de certificação e rastreabilidade para a economia circular;
- atualização e criação de decretos de logística reversa para eletroeletrônicos e papel e papelão;
- consolidação de indicadores nacionais de circularidade com apoio internacional;
- diagnóstico nacional com definição de setores prioritários para políticas públicas;
- avanços na agenda de tributação da indústria da reciclagem.
A agenda também inclui a expansão de instrumentos financeiros voltados a recicladoras, cooperativas de catadores e infraestrutura de triagem, além do fortalecimento das compras públicas sustentáveis.
Potencial econômico e social
Estudos internacionais reforçam o potencial da economia circular para criação de emprego e renda. Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apresentado no Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF2024), estima a criação de 7 milhões de empregos no mundo. Na América Latina e no Caribe, o potencial chega a 4,8 milhões de postos de trabalho.


