Conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico é fundamental, destaca presidente do Ibama

Eduardo Bim participou da reunião do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, realizada nesta segunda-feira (29), em Brasília
"O Brasil tem condições de ter maior protagonismo no mercado de produtos florestais" - Eduardo Bim

O presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, destacou em reunião com representantes industriais que é fundamental a interação entre a conservação ambiental e o desenvolvimento econômico e social. Ele participou da 113ª reunião do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Coemas) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada nesta segunda-feira (29), em Brasília.

Bim ressaltou que o Brasil tem condições de ter maior protagonismo no mercado de produtos florestais. “O Peru, que é um país menor, exporta mais madeira que o Brasil. Precisamos melhorar nossa auto-estima e acreditar que podemos fazer mais”, afirmou o presidente do Ibama.

"É preciso regras claras e objetivas" - Marcelo Thomé

A opinião foi compartilhada pelo presidente do Coemas, Marcelo Thomé. Segundo ele, as necessidades humanas precisam estar no centro das decisões e isso deve vir acompanhado de segurança jurídica para os investidores. “Precisamos de regras ambientais claras e objetivas. Não se pode haver discricionariedade na interpretação dos técnicos, o que gera um ambiente de insegurança", diz. 

Um exemplo de questão que gera insegurança jurídica e conflitos é em relação à definição das áreas de preservação permanente em áreas urbanas. De acordo com o diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Valdir Colatto, a legislação anterior, de 1965, não considerou obras já consolidadas. 

ÁREAS DE PRESERVAÇÃO – O presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Marcelo Queiroz, contou que a exigência de uma margem, de 30 a 500 metros nos cursos d´água não se adequa à realidade urbana. Ele destaca que, no Rio de Janeiro, onde é secretário de Meio Ambiente, o problema é menor porque há decreto municipal que regula a questão, de acordo com a realidade local.

Segundo Queiroz, a forma de se evitar a judicialização das questões relacionadas às áreas de preservação permanente é entender a realidade. “O Código Florestal não espelha nas áreas urbanas o que acontece de fato e acaba sendo uma coisa ilusória”, explicou. 

SEGURANÇA NA MINERAÇÃO – Outro destaque da reunião do Coemas foi a apresentação de cenários e perspectivas para o setor de mineração. De acordo com Rinaldo Mancin, diretor de Meio Ambiente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entre os desafios apontados está garantir a segurança das operações, reconstruir a imagem e a reputação do setor após o rompimento das barragens de Brumadinho e Mariana, e reconquistar a licença social para operar.

Conforme Mancin, o setor está na base do desenvolvimento econômico do País. “O avanço das energias renováveis, por exemplo, depende de minério”, destacou.

O presidente do Conselho de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Mário Campos, apresentou os impactos da descontinuidade parcial da atividade de extração minerária no estado. Para reverter a situação, a instituição criou a mobilização Em Frente Minas, com propostas para promover melhorias no setor mineiro. Confira vídeo da campanha:

Inovação – O diretor do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, André Mattei, apresentou sistema de inteligência artificial para monitoramento de barragens, que está sendo testado pela Gerdau no Rio Grande do Sul. “Os resultados são excepcionais. Os gestores estão aprendendo muito sobre a gestão de barragens, muito além das expectativas”, relatou o executivo.

A tecnologia conta com rede de sensores fixos, monitoramento aéreo com drones autônomos que produzem imagens de alta precisão e inteligência artificial em tempo real e na nuvem, que transmite dados e informações aos tomadores de decisão. “As informações geradas pelas diferentes fontes são confrontadas e reunidas, mostrando quando há situações de emergências”, destacou.

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