O SESI Lab e o Instituto Moreira Salles (IMS), com apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e do Ministério da Cultura (MinC), apresentam a exposição Flieg. Tudo que é sólido, dedicada à obra de Hans Gunter Flieg (1923-2024), um dos principais nomes da fotografia do país e que dedicou a carreira a registrar a industrialização do Brasil, especialmente em São Paulo, a partir dos anos 1940. A mostra, que será aberta ao público em 2 de setembro, inaugura a nova galeria de exposições temporárias do SESI Lab e fica em cartaz até 28 de fevereiro de 2027, reunindo cerca de 180 imagens.
“O trabalho de Flieg foi profundamente influenciado pela modernidade europeia, aliando o domínio na elaboração formal da imagem fotográfica ao absoluto controle da iluminação, da exposição e do processamento da película”, explica Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS. “Com alto rigor formal, sua fotografia de indústria permite igualmente que estruturas, equipamentos e objetos industriais registrados de maneira objetiva e direta conduzam, em muitos casos, a imagens de forte viés abstrato, ampliando e atualizando a relevância da produção do fotógrafo no âmbito da fotografia moderna e contemporânea no Brasil”.
A curadoria de Flieg. Tudo que é sólido é de Sergio Burgi, com assistência de Mariana Newlands. O acervo de Flieg está sob a guarda do IMS desde 2006. Esta é a primeira vez que a exposição viaja para outra cidade e marca o início da parceria entre SESI Lab e IMS.
“O Instituto Moreira Salles é referência no país em preservação, pesquisa e difusão da fotografia e da cultura brasileira", afirma a superintendente de Cultura do Serviço Social da Indústria (SESI), Claudia Ramalho. "A obra de Hans Gunter Flieg nos permite revisitar um período fundamental da industrialização brasileira, registrando as transformações das cidades e dos modos de vida. Para o SESI Lab, que integra o Sistema Indústria, receber essa exposição tem um significado especial, marcando um encontro muito potente entre arte e memória”, completa.
Na exposição o público poderá entrar em uma câmera escura e entender como é feita a captação de imagens pela fotografia. Trata-se de um dispositivo vedado à luz externa, no qual a luz penetra em seu interior de forma controlada através de uma pequena abertura, projetando uma imagem luminosa e invertida do mundo exterior na superfície interna da câmera.
Obra e vida de Flieg
A obra e a vida de Flieg se misturam à própria história do século 20. Nascido em uma família judia de classe média, na Alemanha, estudou fotografia em 1939, aos 16 anos, antes de migrar juntamente com a família para o Brasil, fugindo da perseguição do regime nazista. A partir de 1945, se estabelece como fotógrafo em São Paulo, trabalhando para empresas como Willys-Overland e Mercedes-Benz, pioneiras da indústria automobilística no Brasil, além de registrar momentos marcantes do período, como a 1ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1951, e a construção da sede do Masp, na década de 1960.
A exposição Flieg. Tudo que é sólido é dividida em três núcleos. O primeiro traz imagens de arquitetura industrial, como a construção do Ginásio do Ibirapuera (1955) e das hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, no Rio Paraná, e a Fábrica Duchen, em Guarulhos (SP), projeto de Oscar Niemeyer. No segundo núcleo, o olhar de Flieg se volta para dentro das fábricas, com foco nos maquinários. As fotografias tinham fim comercial, mas captam os detalhes escultóricos destes equipamentos.
Por fim, no terceiro núcleo, o visitante poderá apreciar o trabalho realizado pelo fotógrafo para o mercado publicitário, com imagens marcantes de objetos cotidianos, como pneus, máquina de escrever, ferramentas, calculadora e mobiliário. São imagens feitas de forma meticulosa, com contrastes de luz e sombra, com o objetivo de evidenciar as qualidades de cada objeto.
Em entrevista concedida em 2014 ao IMS, o fotógrafo enfatiza: “A importância é mostrar o produto da melhor forma possível. O que você tem que fazer tem que ser bem-feito.”
“O olhar que nos oferece Flieg sobre uma sociedade industrial que se quis e se fez moderna na São Paulo do pós-guerra, sem romper, entretanto, com os mecanismos de reificação, alienação e poder de seu tempo, nos leva a refletir agora, décadas depois, sobre uma sociedade pós-industrial igualmente imersa em profundas e radicais transformações e contradições, onde mais uma vez tudo que é sólido desmancha no ar”, afirma Burgi, curador da mostra.



