Como um museu de ciência pode ajudar a imaginar futuros mais sustentáveis? A exposição BioOCAnomia Amazônica, desenvolvida pelo SESI Lab e atualmente em cartaz no Museu do Jardim Botânico (RJ), apresenta respostas baseadas em novos modelos de desenvolvimento calcados na biodiversidade, nos conhecimentos tradicionais e na inovação responsável. O projeto está indicado ao CIMUSET Award 2026, principal prêmio do Comitê Internacional de Museus e Coleções de Ciência e Tecnologia (CIMUSET), do Conselho Internacional de Museus (ICOM). Os vencedores serão anunciados em setembro, no México.
Para a indicação, o ICOM destaca a abordagem inovadora e interdisciplinar do projeto, que reúne ciência contemporânea, conhecimentos indígenas, práticas artísticas e participação pública para discutir desafios globais. Na avaliação dos especialistas, a BioOCAnomia Amazônica demonstra como museus de ciência podem se tornar espaços de diálogo entre diferentes formas de conhecimento e agentes de engajamento cívico, responsabilidade ambiental e justiça social.
"A indicação ao prêmio reafirma uma convicção presente no trabalho desenvolvido pelo SESI Lab: os grandes desafios contemporâneos só podem ser enfrentados quando diferentes saberes dialogam. A BioOCAnomia Amazônica foi construída por muitas mãos e muitas vozes, reunindo ciência, arte e educação em um processo coletivo", explica Claudia Ramalho, superintendente de Cultura do SESI. "Ver esse trabalho reconhecido mostra que o caminho de colaboração faz toda a diferença."
A BioOCAnomia Amazônica parte do conceito de uma economia da floresta em pé, modelo de desenvolvimento que valoriza a conservação da biodiversidade e valida os conhecimentos indígenas e tradicionais como pilares da inovação e da pesquisa científica. A exposição propõe olhar para a Amazônia como território a ser preservado e espaço vivo de produção de conhecimento, soluções e futuros sustentáveis.
Além da exposição, a BioOCAnomia Amazônica desdobrou-se em uma edição do Night Lab, festival, debates, oficinas, atividades educativas e uma exposição digital, o que ampliou o alcance da iniciativa. O desenvolvimento do projeto contou com um comitê curatorial formado por consultores especializados, cientistas de universidades do Amazonas e do Pará, além da participação do Instituto Amazônia+21, dos Institutos SENAI de Inovação e da Gerência Executiva de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Ao longo dos cinco meses em cartaz no SESI Lab, em 2024, a BioOCAnomia Amazônica recebeu mais de 57 mil visitantes e consolidou-se como uma plataforma de educação, diálogo e participação pública. Entre os estudantes participantes, cerca de 70% eram da rede pública. A avaliação do público mostrou que 96% dos frequentadores ampliaram a compreensão sobre as ameaças à biodiversidade amazônica. Além disso, 95,3% concordaram que os povos e ecossistemas amazônicos oferecem conhecimentos capazes de inspirar novas formas de produzir e viver de maneira sustentável.
A exposição mostra potência da bioeconomia como estratégia para o desenvolvimento sustentável das diferentes Amazônias, articulando conservação da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas a partir de cinco áreas temáticas: A floresta e o mundo; Saberes amazônicos; Bioeconomia”; Indústria e inovação”; e Direitos da floresta. BioOCAnomia Amazônica está em cartaz no Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, até novembro deste ano, como parte do projeto SESI Lab itinerante.
O SESI Lab foi indicado ao lado de iniciativas da Austrália, Estados Unidos e Uganda. Além de concorrer ao prêmio, o SESI Lab foi convidado pelo Comitê do CIMUSET para integrar o painel internacional “O mundo lá fora: espaço público, comunidade e colaboração”, durante a conferência da entidade, no México.
Para saber mais sobre o tema, o episódio “Por que precisamos falar sobre bioeconomia?”, do podcast Indústria de A a Z, traz um bate-papo com Carolina Vilas Boas, coordenadora de Exposições e Ações Culturais do SESI Lab, e Eduardo Carvalho, coordenador curatorial da BioOCAnomia Amazônica.




