“Aqui no MIT, nós vemos um DNA que é diferente do da gente, e está muito claro que o avanço da automação, da tecnologia, da pesquisa, da IA nos ambientes de negócios é muito forte.” A afirmação do diretor executivo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Alexandre dos Reis, resume bem os cinco dias de imersão vividos por 28 líderes empresariais brasileiros em Boston, nos Estados Unidos.
Entre os dias 17 e 21 e agosto, o Programa IEL de Educação Executiva Global conectou executivos da indústria e representantes de instituições públicas a professores, pesquisadores, empresas, empreendedores e especialistas que estão na fronteira das transformações tecnológicas.
Coordenado pela Firjan, com execução do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o Programa reuniu representantes de empresas como Petrobras, Michelin, MetrôRio, Grupo Energisa, Ternium, Embrapii e Constellation, além de integrantes do Sistema Indústria de diferentes estados.
Mais do que uma agenda internacional, a experiência foi estruturada para ampliar repertórios e aproximar os participantes de um dos mais relevantes ecossistemas mundiais de inovação. Em Boston, universidades, startups, investidores e grandes empresas convivem em um ambiente que favorece a transformação de conhecimento em negócios, tecnologias e soluções.
No MIT, os participantes tiveram contato com professores como Ben Armstrong, John Carrier, Stephanie Woerner, Melissa Webster, Matthew Kressy e Michael Schrage. A programação abordou temas como automação, inteligência artificial, liderança, inovação, estratégia, comunicação, design e novas formas de mensuração de resultados.
Os participantes conheceram diferentes perspectivas sobre como a IA está modificando organizações e modelos de negócios. Os debates também trataram do papel das pessoas em ambientes cada vez mais automatizados, da necessidade de preparar lideranças para mudanças aceleradas e de como transformar inovação em vantagem competitiva.
A agenda foi complementada por atividades conduzidas pelos professores de Harvard Jim Fitchett e Mark Fuller, e pela especialista em inovação Hitendra Patel.
Para Michelle Queiroz, gerente de Carreiras e Educação Executiva do IEL Nacional, o valor do programa está também na capacidade de transformar conhecimento em soluções. “É importante as conexões que são geradas, porque elas permitem que as ideias sejam refinadas e que elas se transformem em soluções”, destacou.
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Experiências que conectam inovação e mercado
A programação também levou os executivos para dentro de ecossistemas que transformam tecnologia em soluções de mercado. No Greentown Labs, um dos principais centros de inovação em climate tech dos Estados Unidos, o grupo conheceu startups e modelos de colaboração entre empresas, investidores e instituições voltados a energia, descarbonização e sustentabilidade.
Na Lovable, os participantes observaram como a inteligência artificial generativa está mudando o desenvolvimento de produtos e soluções digitais, reduzindo o tempo entre uma necessidade de negócio e a criação de protótipos e aplicações.
O grupo também participou de uma visita guiada ao campus do MIT, com foco nas parcerias da universidade com empresas e nos projetos desenvolvidos a partir dessas colaborações. Para Cris Alves, gerente geral de competitividade e inovação empresarial do IEL do Rio de Janeiro, a aproximação com esse ecossistema é um dos grandes diferenciais da experiência.
“O desafio no Rio é preparar equipes e lideranças para esse mundo desafiador, em que a transformação anda cada vez numa velocidade maior", apontou.
Ela destaca que a experiência não se resume ao conhecimento adquirido em sala de aula. “Com certeza quem vem ao MIT volta diferente, estar aqui é ter a oportunidade de estar com esse ecossistema de inovação que envolve universidades, startups, empreendedores, investidores... Isso faz toda a diferença: entender como esse ecossistema funciona e voltar para o Brasil para tentar fazer com que isso funcione com o que já existe lá", disse.
A relação entre tecnologia e pessoas também esteve em discussão. Para Ivani da Silveira, vice-presidente de Recursos Humanos da Ternium, a imersão permitiu olhar para o futuro do trabalho a partir de diferentes perspectivas.
“A experiência aqui é muito interessante. Estamos discutindo temas de inovação, de tecnologia, temas de liderança que são muito importantes”, afirmou.
Para a executiva, estar em um ambiente que respira tecnologia e inovação reforça que a transformação digital não pode deixar de lado o fator humano.
A reflexão também aparece na experiência de Rodrigo Vieira, diretor geral da Constellation, que destacou a necessidade de equilibrar inovação, experimentação, governança e cultura organizacional.
“A gente tem sempre que combinar experimentações e motivar as equipes à inovação dentro de um ambiente regulado. Então, você precisa de proteções, governança, métodos e, muito bem acompanhado por todas as equipes, a gente tem atingido resultados muito expressivos, reduzindo os nossos indicadores de segurança, aprendendo com o trabalho", destacou.
Da experiência a aplicação no dia a dia
Para Bruna Hermes, gerente executiva do IEL Rio Grande do Sul, uma experiência internacional de educação executiva permite ampliar a visão sobre o que já está sendo desenvolvido no Brasil e identificar possibilidades de aplicação.
“Na Casa da Indústria no Rio Grande do Sul a nossa principal missão é poder transcender aquilo que nós entregamos regionalmente, com um modelo de trazer não só a base e a perspectiva, mas uma visão de futuro dos mercados mais emergentes e os conteúdos que a inovação nos exige", explica.
Gessica Germana, superintendente do IEL Espírito Santo, também destacou a força das conexões construídas durante a semana e disse que o aprendizado precisa chegar rapidamente às empresas. “Aqui não se trata apenas de uma imersão, se trata de sair com ferramentas para aplicações práticas logo na próxima semana dentro dos negócios", elucida.
Na avaliação de Rodrigo Granja, gerente de jornadas e relacionamento com pessoas da Petrobras, a experiência foi marcada por provocações constantes e pela possibilidade de enxergar antigos desafios por novas perspectivas. “A experiência foi fantástica. A todo momento nós somos provocados, tanto na sala de aula, quanto nas visitas, quanto no cafezinho, em conversas altamente enriquecedoras. A gente começa a conectar os pontos e a olhar os desafios da nossa indústria de uma outra perspectiva. E aí ideias disruptivas começam a emergir e isso certamente vai ser um grande diferencial quando retornarmos ao Brasil", argumentou.
A sexta-feira (21) marcou o encerramento da jornada, mas também o início de uma nova etapa: levar para as organizações os conhecimentos, conexões e provocações construídos em Boston. Para o IEL, a proposta da Educação Executiva Global é justamente aproximar líderes brasileiros dos principais centros mundiais de conhecimento e inovação e transformar essa experiência em capacidade de ação.



