Um origami de sete toneladas acaba de pousar no SESI Lab. O museu de arte, ciência e tecnologia recebe em sua área externa a instalação A Queda de Atlas, desenvolvida pelo artista plástico e arquiteto Anderson Schneider. A obra de arte parece desafiar a gravidade ao unir o peso das placas de aço com a leveza dos cabos que a sustentam.
A inauguração da escultura está marcada para 25 de agosto, das 19h às 22h, durante a abertura noturna mensal do SESI Lab. O evento é gratuito e aberto ao público. O videoartista Alexandre Rangel comandará o som, além de realizar projeções especiais na obra. Também haverá food trucks durante toda a noite.
“É uma peça de geometria estrutural que funciona com esforços puros", explica Schneider sobre a obra. "Tem uma beleza nessa submissão da geometria às forças da gravidade. A raiz dessa obra está mais na ciência do que na expressão individual”, completa. O conceito físico por trás da leveza de uma obra que pesa, literalmente, toneladas é a tensegridade, princípio estrutural que mantém a estabilidade de um sistema por meio do equilíbrio entre forças de compressão (as placas de aço) e de tração (os cabos), dando a impressão de flutuação.
O ateliê onde a obra criou vida também surpreende: sai um local tomado por telas e tintas e entra uma fábrica de chapas, tomada por faíscas de solda e por trabalhadores acostumados à construção civil. A Queda de Atlas, inclusive, conta com patrocínio da Pinheiro Ferragens, que forneceu o material para a obra, e recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF).
O SESI Lab recebe a obra em sua área externa, construindo, assim, uma relação diferente com o público, que pode admirá-la ao circular pela região. “A experiência tem tudo a ver com o que propõe o SESI Lab: valorizar Brasília e estimular a dinamização do Setor Cultural Sul”, afirma Carolina Vilas Boas, coordenadora de Exposições e Ações Culturais. “É uma experiência que amplia os modos de visitar o museu e cria uma nova possibilidade de encontro entre público, arte e cidade.”
Para além da física, A Queda de Atlas pretende despertar no público uma reflexão sobre a contemporaneidade, sob o prisma da produtividade, da meritocracia e da hiperconexão. Segundo Schneider, o mito de Atlas, condenado a carregar os céus pela eternidade, pode ser conectado à sociedade do cansaço, conceito desenvolvido pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.
“Eu comecei a fazer analogias com essa responsabilidade esmagadora que a gente tem. É uma pressão gigantesca da sociedade por performance. E se a gente fizesse amizade com os monstros que nos assustam?”, provoca Schneider, que iniciou sua trajetória como fotojornalista e, atualmente, trabalha na área de arquitetura do Supremo Tribunal Federal (STF) e comanda o Estúdio Monada.



