Aos 87 anos de idade, Regina Silveira não gosta de retrospectivas – ela prefere olhar para frente, para o que ainda está no caminho. Pioneira na utilização de meios pouco convencionais, a artista plástica inaugurou nesta terça-feira (15) mais uma de suas obras monumentais, um enorme bordado que cobre a fachada de vidro do SESI Lab, em Brasília, dando também o pontapé inicial do # 25.ART. O Encontro Internacional de Arte e Tecnologia chega à sua 25ª edição com atividades até 20 de setembro no SESI Lab e no Museu Nacional da República.
"Estou e continuo aberta aos novos meios", afirmou Regina Silveira em sua palestra lotada de jovens estudantes e admiradores. "É difícil chegar numa certa idade e não olhar para trás, mas eu prefiro olhar para frente. Estou muito feliz de estar aqui e ver o futuro." Em sua palestra na abertura do evento, a artista relembrou grandes momentos da carreira, que já completa sete décadas. "A poética do artista só se afirma com as ideias e os conceitos que buscam os meios adequados para sua realização", resumiu.
A obra Bordaduras é um vinil adesivo de 530 m² que enlaça toda a fachada de vidro do edifício projetado por Oscar Niemeyer, chamando a atenção tanto a partir da área externa quanto para quem está dentro do museu. Do lado de dentro, o painel de LED do SESI Lab vai exibir Dígito, obra que Regina Silveira criou nos anos 1980.
A coordenadora de Exposições e Ações Culturais do SESI Lab, Carolina Vilas Boas, exaltou a parceria do museu com diferentes instituições culturais e educativas para debater arte e tecnologia. "O SESI Lab nasceu também com o propósito de aproximar diferentes campos do conhecimento e da criação. Por isso, o museu abriga diferentes linguagens artísticas, por meio de instalações de arte contemporânea, aparatos externos e uma programação cultural diversa", explicou.
A edição deste ano tem como tema GA.IA, conceito que propõe reflexões sobre as relações entre planeta, tecnologia, inteligência artificial, ecologia e sociedade. "Procuramos fazer uma reflexão sobre a chegada da inteligência artificial e seu uso como ferramenta no processo criativo. É uma discussão crítica, porque os artistas usam tecnologias de diferentes maneiras, as subvertem e inventam novas maneiras de utilizá-las", afirmou Suzette Venturelli, professora da Universidade de Brasília (UnB) e uma das coordenadoras do evento.
Gerente do Media Lab, da Fundação Itaú, Fernando Oliveira Fernandes falou sobre a importância do trabalho coletivo para a construção e o fortalecimento das relações entre instituições, artistas e pesquisadores. "O coletivo se junta para pensar algo tão importante e que atravessa tanto tempo. Ele já conta várias histórias e precisa contar mais, formando público e pensando o futuro. No campo da arte e da tecnologia, serve para fomentar um campo que não pode se diminuir, mas, sim, crescer cada vez mais", disse.
Confira como foi o evento de abertura do festival:
A abertura da edição de 2026 contou ainda com representantes da Universidade de Brasília (UnB), do Museu Nacional da República e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
A cerimônia de abertura do #25.ART também marcou a premiação dos cinco artistas selecionados por edital para serem exibidos no painel de LED do SESI Lab até dezembro.
Confira abaixo os trabalhos selecionados:
- A Máquina de Emaranhar Paisagens, de Etty Yaniv, Antenor Ferreira e Santiago Echeverry
- Depois do Azul e do Rosa, de Bruca Teixeira
- Natureza Nuvem, de Fernando Velasquez
- O Cortejo do Roxo Celeste, de Felipe Vasconcelos
- QuantAraucária, de Fernando Codevilla e Juliana Kaizer Vizzotto



