Brasil e Itália ampliam negócios em 4 setores com o Acordo Mercosul-União Europeia

Encontro empresarial destaca oportunidades em alimentos, celulose, máquinas e produtos farmacêuticos, em um contexto de expansão de 76,7% do comércio entre Brasil e Itália na última década

Foto: Gilberto Sousa / CNI

Com o objetivo de aproximar os setores privados, estimular parcerias de longo prazo e criar oportunidades em negócios, tecnologia e investimentos, representantes de governo e do empresariado italiano e brasileiro se reuniram na Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta sexta-feira (11).

Realizado em parceria com a Confindustria, com a ApexBrasil, com a Agência Italiana de Comércio Exterior (ICE) e com a Embaixada da Itália em Brasília, o Encontro Empresarial Brasil-Itália marcou a etapa final da missão empresarial italiana pela América Latina, que passou por Buenos Aires e São Paulo.    

Durante a abertura do evento em Brasília, o vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Bittar, afirmou que a aproximação entre os países é fundamental diante das transformações globais e da busca por cadeias produtivas mais resilientes.

 O representante da CNI relembrou a reunião realizada em Roma, na sede da Confindustria, no primeiro semestre, e defendeu que o diálogo continue avançando para desenvolver cada vez mais conexões. 

"A importância do mercado italiano para as indústrias brasileiras pode ser medida pela evolução do comércio entre nossos países. Na última década, a Itália se posicionou como um relevante parceiro comercial do Brasil dentro da União Europeia. O mercado italiano é um dos principais destinos das exportações brasileiras e a Itália está entre os maiores fornecedores do país na Europa", destacou Bittar. 

Segundo o vice-presidente da CNI, a adoção de ações eficientes em direção à maior integração entre Brasil e Itália é especialmente relevante diante das perspectivas abertas pelo Acordo Mercosul-União Europeia. "O livre comércio entre os dois blocos é um instrumento fundamental para a integração entre regiões com economias complementares. Sabemos que acordos, por si sós, não garantem resultados. O êxito e o pleno potencial dos tratados dependem da capacidade das nossas empresas de identificar oportunidades, estabelecer parcerias e criar projetos inovadores", afirmou Bittar, destacando o potencial de sinergia em setores como farmacêutico, tecnologia digital, energia, infraestrutura, máquinas e mineração. 

Representando a indústria italiana, a vice-presidente para Exportação e Atração de Investimentos da Confindustria, Barbara Cimmino, ressaltou que a presença em Brasília é estratégica para compreender as diretrizes de crescimento e as decisões políticas que moldam o ambiente de negócios. 

Reforçando o coro da relevância da parceria entre as nações, o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, enfatizou que o Acordo Mercosul-UE torna o momento ideal para aprofundar as relações bilaterais. Além disso, chamou atenção para a criação de um grupo de trabalho pelos governos para focar no crescimento do intercâmbio comercial e no aumento de investimentos. 

Panorama da indústria brasileira 

A programação do evento também contou com apresentações sobre oportunidades e desafios do setor produtivo nacional. A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, apresentou um panorama do sistema indústria, ressaltando que o setor tem participação de 23,4% no PIB, que responde a 67,7% das exportações de bens e serviços e 66,8% do investimento empresarial em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), destacando que cada R$ 1 produzido na indústria gera R$ 1,44 na economia.  

Na sequência, o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sérgio Telles, abordou as prioridades para os próximos 25 anos em uma agenda estratégica e reforçou a importância do combate ao Custo Brasil para atração de investimento e a necessidade de fortalecer a defesa comercial, apontando o fim da "taxa das blusinhas" como um retrocesso. 

 

Relações Econômicas: Brasil e Itália

Brasil e Itália: Parceria econômica em expansão

Análise consolidada das relações bilaterais (2016–2025)

1. Itália: parceiro estratégico na UE

PERÍODO: ENTRE 2016 E 2025
📦
4º principal destino das exportações brasileiras para a UE
🚢
2º principal fornecedor do Brasil dentro do bloco
Exportações BR para a UE 10,3%
Importações BR provenientes da UE 13,4%
DESTAQUE EM 2025
DESTINO EXPORTAÇÕES
4º Lugar
FORNECEDOR NO BLOCO
3º Lugar

2. Comércio bilateral em expansão

CORRENTE DE COMÉRCIO (10 ANOS) US$ 7,02 bi (2016) ➔ US$ 12,41 bi (2025)
+76,7%
US$ 91,19 bi
Acumulado (2016–2025)
+61,4% / +90,5%
Crescimento Exp. / Imp.
📤 Exportações Acumuladas US$ 39,31 bilhões
📥 Importações Acumuladas US$ 51,89 bilhões

3. Cadeias produtivas integradas

Indústria de Transformação na Década:
Exportações Brasileiras 60%
Importações Vindas da Itália 98,7%
BENS INTERMEDIÁRIOS
65,2%
da corrente de comércio entre os dois países

4. Oportunidades de exportação

331
Produtos com potencial para o mercado italiano
276
Pertencem à Indústria de Transformação (83,4%)
Potencial estratégico mapeado para diversificar a pauta de vendas do Brasil para a Itália.

5. Principais setores da indústria de transformação (2025)

📤 Exportações do Brasil para Itália
📄 Celulose e Papel 32,7%
🍞 Alimentos 25,8%
🏗️ Metalurgia 9,4%
⚗️ Químicos 6,2%
📥 Importações da Itália para o Brasil
⚙️ Máquinas e Equipamentos 28,1%
💊 Farmoquímicos e Farmacêuticos 14,0%
🚗 Veículos Automotores 12,9%
🧪 Químicos 9,0%
🔌 Máquinas e Materiais Elétricos 5,3%

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