SESI Lab abre nova galeria com exposição dedicada a fotógrafo Hans Gunter Flieg

Mostra reúne 180 imagens que traduzem a industrialização do país e marca início da parceria entre o museu e o Instituto Moreira Salles; evento de abertura reuniu convidados nesta terça-feira (1º)

Foto: Matheus Leocádio/SESI Lab

O SESI Lab celebrou nesta terça-feira (1º) a inauguração de Flieg. Tudo que é sólido, exposição que relembra a trajetória de Hans Gunter Flieg, fotógrafo da industrialização do país. A mostra também marca a abertura da nova galeria de exposições temporárias do museu de arte, ciência e tecnologia. Os convidados conheceram o espaço em primeira mão e puderam apreciar as 180 imagens que integram a exposição, realizada em parceria com o Instituto Moreira Salles (IMS), o Ministério da Cultura (MinC) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL)

A superintendente de cultura do Serviço Social da Indústria (SESI), Claudia Ramalho, deu as boas-vindas ao público, contando um pouco sobre a obra de Hans Gunter Flieg, que “revela um Brasil em profunda transformação: um país que se urbanizava, se industrializava e construía novas relações entre trabalho, tecnologia, design e sociedade”.  

“Falar da história da indústria é também falar da história do Brasil. E olhar para essa memória é uma forma de compreender o presente e de imaginar os futuros que queremos construir”, afirmou Claudia. “Esta noite marca também um novo momento para o SESI Lab: a abertura de nossa nova galeria temporária. Com ela, ampliamos as possibilidades de nossa programação, renovamos a experiência de nossos visitantes e fortalecemos nossa vocação para estabelecer parcerias com instituições artísticas, culturais, científicas e museológicas do Brasil e do mundo.” 

A coordenadora de Articulação e Parcerias do IEL, Gabryella Freitas, falou sobre a oportunidade que a exposição traz de disseminar os conhecimentos sobre a indústria brasileira. "Apoiar essa exposição tem um significado muito especial para o IEL, porque ela conecta temas que estão no centro da nossa atuação: indústria, conhecimento, cultura, criatividade e pessoas. Preparar a indústria para o futuro passa necessariamente por preparar as pessoas para o futuro. Essa exposição é muito mais do que uma oportunidade de conhecer a obra de Flieg, é um convite para olhar de outra maneira para a indústria e para as transformações que ela produz", resumiu. 

A curadoria de Flieg. Tudo que é sólido é de Sergio Burgi, com assistência de Mariana Newlands. O acervo de Flieg está sob a guarda do IMS desde 2006. Esta é a primeira vez que a exposição viaja para outra cidade e marca o início da parceria entre SESI Lab e IMS. 

O diretor-geral do IMS, Marcelo Mattos Araujo, afirmou ser um privilégio para a instituição poder trazer a Brasília a exposição sobre Hans Gunter Flieg. "Desde o primeiro momento em que iniciamos as conversas a respeito da possibilidade da parceria com o SESI Lab, surgiu a ideia de trazer a mostra de um nome tão fundamental da fotografia brasileira e por todas as suas relações com industrialização, design, publicidade e artes visuais, especialmente nesse espaço tão simbólico da cidade de Brasília", disse. 

Por fim, o coordenador de Fotografia do IMS e curador de Flieg. Tudo que é sólido, Sérgio Burgi, relembrou a trajetória do fotógrafo, que chegou ao Brasil em 1939, fugindo da perseguição nazista em sua Alemanha natal, e aqui se estabeleceu. 

"É muito relevante entender que Flieg não é apenas um homem a serviço da documentação da tecnologia industrial; ao contrário, ele é um homem das artes e que coloca toda a sua capacidade criativa a serviço da construção de um registro que, hoje, é tanto histórico como é uma potência no sentido da sua função no campo da criação artística e das artes visuais no Brasil", afirmou Burgi. 

Mais sobre a exposição 

A obra e a vida de Flieg se misturam à própria história do século 20. Nascido em uma família judia de classe média, na Alemanha, estudou fotografia em 1939, aos 16 anos, antes de migrar juntamente com a família para o Brasil, fugindo da perseguição do regime nazista. A partir de 1945, se estabelece como fotógrafo em São Paulo, trabalhando para empresas como Willys-Overland e Mercedes-Benz, pioneiras da indústria automobilística no Brasil, além de registrar momentos marcantes do período, como a 1ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1951, e a construção da sede do Masp, na década de 1960.  

A exposição Flieg. Tudo que é sólido é dividida em três núcleos. O primeiro traz imagens de arquitetura industrial, como a construção do Ginásio do Ibirapuera (1955) e das hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, no Rio Paraná, e a Fábrica Duchen, em Guarulhos (SP), projeto de Oscar Niemeyer. No segundo núcleo, o olhar de Flieg se volta para dentro das fábricas, com foco nos maquinários. As fotografias tinham fim comercial, mas captam os detalhes escultóricos destes equipamentos.  

Por fim, no terceiro núcleo, o visitante poderá apreciar o trabalho realizado pelo fotógrafo para o mercado publicitário, com imagens marcantes de objetos cotidianos, como pneus, máquina de escrever, ferramentas, calculadora e mobiliário. São imagens feitas de forma meticulosa, com contrastes de luz e sombra, com o objetivo de evidenciar as qualidades de cada objeto.

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