Fachada do SESI Lab vira obra de arte e ganha bordado gigante

Obra de uma das principais artistas plásticas do país marca a abertura do #25.ART, evento sobre arte, tecnologia e inteligência artificial que vai até 20 de setembro no SESI Lab e no Museu Nacional da República

Foto: Matheus Leocádio/SESI Lab

Quem passar pelo SESI Lab a partir de 15 de setembro terá uma surpresa: o museu está envolvido por um colorido e gigantesco bordado em ponto-cruz. Ocupando toda a fachada de vidro do edifício, a obra da artista plástica Regina Silveira dá uma nova cara ao SESI Lab e marca o início do #25.ART (25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia). O evento debate a interseção entre arte e tecnologia e terá programação até 20 de setembro no SESI Lab e também no Museu Nacional da República.  

Regina Silveira fará a palestra de abertura do #25.ART, dia 15 de setembro, às 9h. A cerimônia marca também a estreia dos vídeos selecionados em edital para serem exibidos no telão de LED do SESI Lab. O museu recebe, ainda, oficinas e mesas-redondas sobre GA.IA, tema escolhido para o evento, que este ano chega à 25ª edição. O público poderá curtir oficinas mão na massa nos dias anteriores ao evento.

A obra Bordaduras é um vinil adesivo de 530 m² que enlaça toda a fachada de vidro do edifício projetado por Oscar Niemeyer, chamando a atenção tanto a partir da área externa quanto para quem está dentro do museu. Aos 87 anos, Regina Silveira se ocupa de instalações de larga escala há décadas, levando suas pesquisas e aplicações a espaços como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e o Museu Amparo, no México. 

Segundo Regina, a obra vai emparelhar com a visualidade externa de muitos edifícios da região central de Brasília. “É uma cidade que considera um olhar para a paisagem arquitetônica e que convida a olhar a arquitetura”, afirmou a artista durante visita preparatória para a instalação da obra. 

“Regina Silveira sempre se destacou pela experimentação entre arte e tecnologia. Uma técnica ancestral como o bordado, por exemplo, é reinventada com um olhar contemporâneo e convidativo. Receber sua obra no SESI Lab é reafirmar nosso compromisso com o processo criativo e científico, que envolve testar, investigar, tentar novamente e, assim, descobrir novas maneiras de perceber o mundo”, afirma a superintendente de Cultura do Serviço Social da Indústria (SESI), Claudia Ramalho.

Do analógico ao digital 

Do lado de dentro, o painel de LED do SESI Lab vai exibir Dígito, obra que Regina Silveira criou nos anos 1980. “Foi minha primeira intervenção pública com animação, na avenida São João, em São Paulo, realizada no contexto da exposição Arte Acesa (1983), feita com lâmpadas, algo bem analógico”, relembra Regina. A obra foi adaptada para o meio digital anos atrás. Segundo a artista, desde então ela sonha em exibi-la como arte pública.

A artista conversou com a Agência de Notícias da Indústria e contou mais detalhes sobre suas intervenções. Confira:

Oficinas, palestras e debates 

Até domingo (20), o SESI Lab e o Museu Nacional da República recebem agenda intensa de palestras, oficinas e debates. Os destaques são as palestras de Casé Angatu Xukuru Tupinambá, liderança indígena que vai falar sobre ancestralidade nas relações entre natureza, arte e tecnologias (15/9, às 14h); Hauke Dorsh, que vai abordar tecnologias sociais na disseminação da música africana (16/9, às 14h); Ive Rubini, que vai tratar o conceito de tecnodiversidade e a importância da inclusão de múltiplas perspectivas no desenvolvimento de tecnologias (17/9, às 9h); e Tania Aedo, que vai falar sobre práticas em arte, ciência e tecnologia (17/9, às 14h).

Antes da abertura oficial do #25.ART, o SESI Lab recebe três oficinas abertas ao público e que dialogam com a temática do evento: 

Sábado (12/9, às 14h) 

Biofabricação de acessórios: Design regenerativo e experimentação com materiais naturais 

Nesta oficina, a designer Rafaella Lacerda ensina os participantes sobre a utilização de biomateriais de algas – como alginato de sódio - no design e na moda. 20 vagas.


Domingo (13/9, às 14h) 

Coisas que piscam e fazem barulho 

Gabriel Arcoverde e Prahlada Hargreaves propõem a exploração de circuitos como instrumentos de criação e expressão, a partir das relações entre energia, som, luz e movimento. 40 vagas.


Segunda-feira (14/9, às 14h) 

Oficina de impressão 3D 

O designer Ikeda apresenta os fundamentos do processo dos modelos até a impressão, permitindo aos participantes compreenderem como ideias desenvolvidas em ambiente digital podem ser transformadas em objetos físicos. 40 vagas.


Os últimos dias do #25.ART trazem uma programação 100% on-line. No sábado (19), o evento aborda questões relacionadas às transformações culturais provocadas pelas tecnologias. No domingo (20), último dia do encontro, a programação investiga a criação artística em diálogo direto com a inteligência artificial. 

O 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia - #25. ART tem apoio da Fundação Itaú, Universidade de Brasília (UnB), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Universidade Anhembi Morumbi e Associação Nacional de Investigadores em Artes Visuais (ANIAV), da Espanha.  

A edição deste ano tem como tema GA.IA, conceito que propõe reflexões sobre as relações entre planeta, tecnologia, inteligência artificial, ecologia e sociedade. A programação busca discutir novas formas de compreender a interação entre sistemas naturais, tecnologias emergentes e diferentes formas de conhecimento.

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