O SESI Lab movimentou R$ 117,3 milhões na economia brasileira em 2024, segundo estudo de impacto econômico realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sendo R$ 70,9 milhões em impactos diretos e R$ 46,4 milhões em impactos indiretos. O levantamento revela ainda que, para cada R$ 1 investido no museu, R$ 3,10 retornaram para a sociedade na forma de movimentação econômica, levando em conta fatores como serviços contratados, gastos de visitantes, além de criar renda para a população e tributos recolhidos. O museu de arte, ciência e tecnologia, sediado em Brasília, abriu as portas em novembro de 2022.
Os impactos diretos se referem a investimentos realizados pelo próprio museu, como gastos operacionais, e gastos dos visitantes – em restaurantes, transporte, hotéis e comércio local. Já os impactos indiretos envolvem os bens e serviços fornecidos por setores da cadeia produtiva que atendem o museu, como manutenção, segurança, energia e logística.
“Os resultados mostram a força da economia criativa, assim como o papel dos espaços culturais na estratégia de desenvolvimento econômico e social. O investimento é triplicado, com inúmeros benefícios à sociedade, e contribui para a formação de cidadãos e da construção do conhecimento coletivo”, afirma Paulo Mól, diretor superintendente do Serviço Social da Indústria - Departamento Nacional (SESI-DN), instituição mantenedora do museu.
Impostos e emprego
O estudo destaca que o impacto econômico extrapola o Distrito Federal e se reflete na cadeia produtiva brasileira. A metodologia da FGV é baseada na análise da interligação setorial da economia do país por meio da Matriz de Insumo-Produto, ferramenta usada para representar as relações de produção e consumo entre os setores de uma economia.
Ela mostra como os diferentes setores econômicos interagem entre si, comprando e vendendo bens e serviços uns dos outros. Assim, a atividade econômica realizada por um equipamento gera efeitos que movimentam outros setores, o chamado efeito dominó.
A FGV mostra que foram arrecadados mais de R$ 16 milhões em tributos com base nas atividades ligadas ao museu, além da abertura ou manutenção de 1.436 postos de trabalho, direta e indiretamente. Foram analisados os impactos em 67 atividades econômicas. O estudo “seguiu o dinheiro” do SESI Lab pela economia, identificando quantos empregos aparecem em outros setores devido às compras, serviços e consumo gerados pelo museu. Um exemplo é o Night Lab, evento noturno realizado no museu todos os meses. Nele há a contratação de empresas de logística, de som e iluminação, e participação de fornecedores como os food trucks, além de gastos diretos do público. Assim, toda cadeia econômica é movimentada.

A superintendente de Cultura do SESI, Claudia Ramalho, reforça a importância da iniciativa para o Brasil.
“Mais do que um museu, o SESI Lab é uma plataforma de inovação e desenvolvimento territorial. Os dados da FGV provam que a cultura tem peso real na economia, com capacidade de movimentar cadeias produtivas, gerar empregos e fomentar soluções criativas para o país”, diz Ramalho.
De acordo com a FGV, o SESI Lab demonstra como um equipamento cultural pode ser também um motor econômico. Para a fundação, os resultados do estudo reforçam que a cultura não é apenas um direito, é também uma alavanca estratégica para o desenvolvimento econômico e social do país.
“Além da cultura gerar equidade, inclusão, conhecimento e outros valores imateriais fundamentais, ela também tem grande relevância econômica. Os dados do estudo mostram que o SESI Lab não apenas fomenta a educação e a criatividade, mas também gera emprego e renda para a população e tributos em todas as esferas de governo. Isso comprova que investir em cultura é investir em desenvolvimento sustentável e geração de valor para a sociedade como um todo”, afirma Ique Lavatori, consultor de projetos da FGV.
Metodologia semelhante já foi aplicada para medir o impacto econômico de eventos como Rock in Rio, Grande Prêmio de Fórmula 1 em São Paulo e investimentos incentivados pelas Leis Rouanet e Paulo Gustavo. No caso do SESI Lab, a análise foi feita com base em pesquisas de público e dados operacionais e financeiros da instituição. A grande diferença em relação a estudos para grandes eventos é que o museu é um projeto perene que gera impactos contínuos para a sociedade.
SESI Lab em números
Perto de completar três anos de funcionamento, o SESI Lab se consolida como um dos principais museus de sua categoria na América Latina, com amplo reconhecimento nacional e internacional. Desde a inauguração, o espaço já recebeu mais de meio milhão de visitantes, sendo 122 mil estudantes, a maioria de escolas públicas. Somente em 2024, o espaço recebeu mais de 212 mil visitantes, sendo quase 53 mil estudantes em visitas mediadas.
Em sua missão de divulgação científica, o SESI Lab opera como espaço de educação para públicos de todas as faixas etárias. Ao todo, mais de 2.000 profissionais da educação já participaram de ações de formação e que o museu já realizou ações de itinerância em oito capitais para um público superior a 200 mil pessoas.
Na área cultural, o festival de férias Brinca+, com oficinas, atividades educativas e culturais, recebeu quase 150 mil pessoas em suas edições. Já o Night Lab, programa para o público adulto que aposta em música e experiências sobre tecnologia em eventos noturnos, contou com a participação de 27 mil pessoas em 21 edições, com apresentações de grandes artistas, como Arnaldo Antunes e Tom Zé.
O SESI Lab tem por premissa a colaboração com instituições congêneres e empresas, para tratar de temas relacionados a diversas tecnologias e seus impactos para a sociedade. Para isso, estabeleceu parcerias com empresas como Shell, Toyota, 3M, IBM, Granado, Neoenergia, TikTok, Caixa e Supermix, que têm investido recursos financeiros e contribuído com esse impacto econômico expressivo, além de aportar conhecimento nas atividades educativas do museu.




