Em cartaz no SESI Lab até setembro de 2025, a exposição Energia, Sou Watt? leva os visitantes por uma jornada intrigante sobre energia e mudanças climáticas. O pano de fundo para a experiência é a importância e a urgência da transição energética, em que combustíveis fósseis são substituídos por fontes de energia renováveis.
Este é um desafio imenso, que exigirá ações coordenadas de vários setores da sociedade. Na missão de difundir a ciência de forma inovadora e acessível, o SESI Lab apresenta vários caminhos para chegarmos juntos ao objetivo principal do Acordo de Paris, assinado pelo Brasil e mais 194 países em 2015: frear o aumento da temperatura média global.
Mas por que a transição energética é tão importante? A redução das emissões de gases do efeito estufa, que estão aquecendo nosso planeta, é o primeiro e mais importante motivo. Outros podem vir na esteira, como o desenvolvimento de novas tecnologias energéticas, contribuindo para a economia do país, e a justiça social, garantindo um mundo com condições de acesso à energia segura.
Como chegamos até aqui?
É importante entender o contexto para poder traçar o caminho. Mais de 50% das emissões totais de dióxido de carbono na atmosfera aconteceram nos últimos 35 anos. Cerca de 65% da produção mundial de eletricidade vêm de energias fósseis, principalmente a queima de carvão, além de gás natural e petróleo.
Confira as emissões de dióxido de carbono anuais no mundo 1940-2024:

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No Brasil, a situação é mais animadora, pois o país conta com uma matriz elétrica bem mais limpa e renovável, composta principalmente por fontes hídricas (55,3%), eólica (14,1%) e solar (9,3%), segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética.
No Brasil, a indústria está se adaptando
Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra diminuição na emissão de gases de efeito estufa na indústria e nos transportes.
Em 2024, 48% das empresas afirmaram investir em ações ou projetos de uso de energia hídrica, eólica, solar, biomassa ou hidrogênio de baixo carbono. O percentual representa um salto significativo em relação a 2023, quando 34% das empresas indicaram iniciativas voltadas ao tema. Na região Nordeste, o índice chega a 60%. A autoprodução de energia apareceu como a estratégia mais recorrente (42%), sobretudo para reduzir custos (50%).
“O aumento do interesse em investir em fontes de energia renováveis demonstra que o Brasil está na vanguarda da transição energética e reflete o compromisso crescente da indústria brasileira com a sustentabilidade. O avanço reforça a conscientização do setor sobre seu papel no enfrentamento das mudanças climáticas”, afirmou Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI.
- Confira as fotos de abertura da exposição Sou Watt:
Exposição apresenta fontes inusitadas para produzir biocombustíveis
O Brasil também é uma liderança importante no mercado de biocombustíveis. Segundo dados do Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, em 2023 o país produziu cerca de 43 bilhões de litros de etanol e de biocombustível. Pesquisa recente da CNI mostra que a indústria de biocombustíveis é uma das que mais adota práticas de economia circular, em mais de 82% das empresas, contribuindo ainda mais para frear o impacto ambiental.
Há décadas o Brasil tem tecnologia para transformar o bagaço da cana, além de milho, soja, mamona, entre outras culturas, em etanol e biodiesel. Na exposição Energia, Sou Watt?, os visitantes aprendem sobre outras fontes curiosas – e até exóticas – de biocombustíveis que estão sendo estudadas: algas marinhas, cascas de frutas, resíduos de café, plástico reciclado e... fezes humanas! Também chama atenção para salvaguardas necessárias neste processo, por exemplo, para evitar que não haja mais desmatamento.
No Festival Energia, evento organizado pelo SESI Lab no começo de junho para debater a temática da transição energética, a gerente executiva de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Shell, Monique Gonçalves, afirmou que a parceria da empresa com o museu fortalece a discussão dos desafios contemporâneos da sociedade.
"Que tipo de soluções inovadoras nós vamos precisar ter para que a nossa sociedade progrida, tenha a melhor qualidade de vida, seja cada vez mais inclusiva, justa, mas, ao mesmo tempo, como que a gente transforma essa energia? A discussão da transição energética é importantíssima sobre qual sociedade nós vamos ter", disse Monique.
O gerente de Assuntos Governamentais da Toyota Brasil, Bruno Ambrósio, destacou o mercado do país como exemplo em veículos híbridos - movidos à energia elétrica e biocombustíveis.
“Os biocombustíveis são um elemento de descarbonização quase imediata. Quando a gente fala de etanol, por exemplo, a cana de açúcar absorve o CO2 da atmosfera e o carro solta o CO2 do outro lado. Quando a gente fala de um veículo híbrido flex, que a Toyota fabrica no Brasil unindo eletrificação e biocombustível, ele reduz em 70% a emissão de carbono em comparação com os outros”, afirmou Ambrósio.
Acesso à energia
Falar sobre transição energética é falar também sobre acesso à energia. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) de 2023 mostram que 760 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à eletricidade. No Brasil, o acesso é quase universal, com 99,8% dos domicílios brasileiros cobertos pela rede. No entanto, o preço da energia e o isolamento territorial de comunidades são obstáculos. Como garantir uma transição energética justa e abrangente?
Recentemente, o presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou medidas que poderiam elevar ainda mais o preço da energia.
“A reforma do setor elétrico tem pontos positivos, como os benefícios para pequenos consumidores e a maior abertura do mercado livre, mas ter uma das contas mais caras do mundo é inaceitável. Ampliar a tarifa social é louvável, mas desde que o custo não seja assumido por quem produz”, afirmou Alban em artigo publicado no jornal O Globo.
A energia solar se apresenta como uma boa solução. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), ela corresponde a 22,2% de toda a capacidade instalada da matriz elétrica, sendo a maior parte (69,2%) em imóveis residenciais. Soluções criativas também aparecem, como no trabalho realizado pela Litro de Luz, entidade que participou do Festival Energia e promove capacitação e replicação de soluções de baixo custo para iluminação interna, como um lampião solar, e externa, com postes solares. Atualmente, atua em 140 comunidades no país, com mais de 30 mil pessoas impactadas.
Transição deve servir de facilitadora para a economia verde
O acesso à energia limpa vai além de soluções pontuais e deve levar em conta o valor agregado e a renda para as comunidades, como explicou Rosana Santos, diretora executiva do Instituto E+ de Transição Energética durante o festival do SESI Lab. “Se a transição energética não for pensada de forma local, pode introduzir um fator de concentração de renda. A transição energética não é um fim em si mesmo, mas precisa servir como facilitador para chegar à economia verde”, afirmou.
No mundo, estão surgindo mercados que favorecem produtos de menor emissão; no Brasil, a produção industrial já emite menos da metade de mercados internacionais similares, dando ao país um diferencial competitivo. “Este é o momento para atrair investimentos para nosso país, aumentando a complexidade da nossa economia e favorecendo a criação de empregos de qualidade”, frisou Santos. “Tem que fazer sentido econômico, com uma combinação de fatores que ajudem a pagar o diferencial de fazer verde”, disse, elencando incentivos fiscais e isenções como exemplos.
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A divulgação científica é uma das principais missões do SESI Lab. Desde sua inauguração, em novembro de 2022, o museu de arte, ciência e tecnologia trabalha para promover o conhecimento científico e técnico, inspirando visitantes – com destaque para a comunidade escolar, com mais de 100 mil alunos que visitaram o museu – a se aprofundarem nas temáticas abordadas nas galerias e exposições.
A exposição Energia, Sou Watt?, desenvolvida originalmente pelo museu francês Citéco, conta com consultoria científica do Observatório do Clima, mas também com apoio de duas especialistas em divulgação científica: as criadoras do podcast Vinte Mil Léguas, Leda Cartum e Sofia Nestrovski. Em suas três temporadas, as duas se aprofundaram na vida – e nas obras e estudos – de três grandes nomes da ciência: Charles Darwin, Alexander von Humboldt e Galileu Galilei.
Assista ao vídeo abaixo e descubra mais sobre como levar a ciência a um público amplo e algumas curiosidades sobre o tema da energia e transição energética:




