CNI, Amcham e U.S. Chamber pedem negociação para evitar tarifas dos EUA

Em carta conjunta, setores privados brasileiro e americano defendem que tratativas em curso considerem relação estratégica e fortaleçam confiança empresarial; instituições pedem diálogo sobre temas estruturais

Foto: Shutterstock

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira (9) uma carta conjunta com Amcham e com U.S. Chamber para defender a relação comercial estratégica entre os países e propor uma agenda de negociação estruturada em duas etapas, com foco em evitar a aplicação de tarifas adicionais na exportação de produtos brasileiros e tornar mais forte a sólida relação comercial.

A manifestação ocorre após a intensificação do diálogo bilateral, com a reunião entre os presidentes dos países, em maio, e em meio à investigação no âmbito da Seção 301 da legislação americana. 

O documento, assinado pelas três entidades, é direcionado ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; ao ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira; ao representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer; e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. 

Proposta de negociação 

Para avançar na agenda e fortalecer a confiança das duas economias, a proposta do setor privado divide as negociações em duas fases: uma com ações de curto prazo e outra com medidas de longo prazo. Como prioridade imediata, pedem uma solução para a investigação sobre a Seção 301 que evite a aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros.  

Neste momento, as entidades sugerem que os esforços sejam concentrados em temas de alto impacto: 

  • Maior acesso a mercados para determinados produtos, incluindo insumos industriais, bens de capital e produtos voltados à segurança energética, ao desenvolvimento de data centers e à infraestrutura de inteligência artificial;  

  • Mais cooperação regulatória para facilitar o acesso a mercados nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos;  

  • Apoio a extensão de longo prazo da moratória da OMC sobre a isenção de imposto de importação para transmissões eletrônicas; 

  • Mais agilidade no exame de patentes e redução do estoque (backlog) de pedidos de patente no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, além de fortalecer o combate à pirataria e à contrafação;  

  • Avanço em uma cooperação acerca de minerais críticos sobre mapeamento geológico conjunto, pesquisa e desenvolvimento, investimentos para processamento e agregação de valor, assim como desenvolvimento de cadeias bilaterais de fornecimento seguras e resilientes;   

  • Implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC). 

A longo prazo, as representantes do setor sugerem ampliar o diálogo para temas estruturais, como cooperação em minerais críticos, resiliência de cadeias de suprimentos, facilitação de comércio e segurança alimentar e energética. 

Relacionadas

Leia mais

Nova taxação proposta pelos EUA pode impactar um terço das exportações com tarifas de até 37,5%, aponta CNI
CNI lança painel interativo sobre tarifas dos EUA após ampliação de isenções
Exporta para os EUA? ✈️ Confira passo a passo para entender produtos, tarifas extras e exceções

Comentários