O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou nesta segunda-feira (20) que o Brasil tem potencial para ser um importante parceiro da Alemanha na área de biocombustíveis. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, Alban ressaltou a importância estratégica da relação bilateral, durante a abertura do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), realizado durante a Feira de Hannover – maior evento mundial de tecnologia industrial.
Na avaliação de Alban, os avanços na integração entre os países dependem da solução de alguns problemas, como a visão equivocada dos países europeus de que a produção brasileira de biocombustíveis representa um risco para o meio ambiente.
Há dados e informações transparentes confirmando que o Brasil produz biocombustíveis de forma sustentável e dispõe de outras fontes renováveis de energia que são cruciais para a descarbonização da indústria global, enfatizou Ricardo Alban.
O presidente da CNI também mencionou a importância dos minerais críticos para a relação bilateral. Ele observou que o Brasil é dono de reservas significativas desses insumos fundamentais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia. “Não pretendemos ser apenas um exportador de recursos naturais. Buscamos processar, agregar valor e desenvolver tecnologias para construir cadeias industriais completas de produção”, destacou.
Para Alban, o incremento da parceria Brasil-Alemanha será cada vez mais viável, principalmente em um momento em que vai entrar em vigor o Acordo Mercosul-União Europeia, que conectará dois importantes blocos econômicos, estabelecendo uma das maiores áreas de integração comercial do mundo. “A nossa ideia é dobrar o comércio bilateral, de 20 para 40 bilhões de dólares nos próximos 5 anos”, afirmou.
Lula destaca sucesso do biocombustível brasileiro
Em discurso na abertura do EEBA, o presidente Lula também destacou a vocação do biocombustível brasileiro para alcançar o mercado europeu. Ele citou um caminhão movido a biodiesel fabricado no Brasil e exposto na Feira de Hannover. “Precisamos falar do sucesso do biocombustível brasileiro comparado aos combustíveis europeus. Esses caminhões da Volkswagen produzidos no Brasil tiveram redução de 99% nas emissões”, disse.
“Oferecemos oportunidades crescentes em setores decisivos para o futuro, como minerais críticos. As relações econômicas entre Brasil e Alemanha possui não só uma longa tradição, mas um futuro promissor. Mas há muitos mitos criados entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. É um mito, por exemplo, que o combustível brasileiro atrapalha o desenvolvimento”, pontuou Lula. “Quem quiser produzir com energia barata e limpa vem buscar o Brasil que temos muitas oportunidades”, acrescentou.
Merz acredita que Acordo Mercosul-UE ajudará a dobrar comércio entre Brasil e Alemanha
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, mencionou que o Acordo Mercosul-União Europeia será fundamental para a expansão dos negócios entre os dois países. “Eu concordo com o presidente Alban. Vamos dobrar este volume de comércio, a partir do Acordo Mercosul-União Europeia. Tenho certeza que empresas alemãs vão aumentar a presença nos países do Mercosul. Isso será definitivo”, afirmou Friedrich Merz.
Parceria em projetos inovadores e sustentáveis
Ricardo Alban afirmou que a segurança energética e a sustentabilidade se tornaram requisitos fundamentais para a competitividade e o crescimento econômico brasileiro. “Queremos ser parceiros da Alemanha e da Europa em projetos inovadores e sustentáveis que nos ajudem a aproveitar as possibilidades que estão se abrindo em todo o mundo. A indústria brasileira está preparada para competir, cooperar, inovar e ser uma aliada relevante das empresas alemãs nesse novo ciclo de desenvolvimento, impulsionado pela inovação e pela sustentabilidade”, discursou.
Para o presidente da CNI, o Brasil dispõe de bens naturais que podem contribuir com a indústria alemã. Ele mencionou, por exemplo, a matriz energética limpa e a disponibilidade de minerais estratégicos, além de a indústria brasileira ser avançada em digitalização, inovação e produtividade. “Queremos priorizar a troca de conhecimentos, o desenvolvimento de tecnologias e a produção de bens com maior valor agregado”, pontuou.
O EEBA é promovido anualmente pela CNI em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI). O evento ocorre um ano no Brasil e outro na Alemanha. A última edição havia sido em Salvador, em junho do ano passado. Dessa vez, o encontro é realizado em Hannover, onde o Brasil é o país homenageado da tradicional feira. Mais de 260 industriais brasileiros participam da missão industrial que terá programação até sexta-feira (24).
Parceria histórica Brasil-Alemanha
A Alemanha é o décimo primeiro destino das exportações brasileiras. No ano passado, as vendas do Brasil somaram US$ 6,5 bilhões para o país europeu, gerando riquezas no país. Em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado para o mercado alemão criou 26 mil empregos e acrescentou R$ 3,3 bilhões à produção nacional.
Ao longo da história, os dois países construíram laços econômicos e culturais sólidos. Nas décadas de 1970 e 1980, por exemplo, a indústria alemã deu uma contribuição decisiva para a consolidação de um setor industrial dinâmico e diversificado no Brasil. Atualmente, a Alemanha tem uma presença expressiva na indústria brasileira, especialmente em setores como automotivo, químico, farmacêutico e de máquinas e equipamentos. Nos últimos anos, a reconfiguração das cadeias globais de valor e as turbulências geopolíticas passaram a ter grande influência sobre as decisões empresariais.
Lula visita estande do SESI e do SENAI
Antes da abertura do EEBA, Lula e Merz fizeram uma visita a estandes brasileiros na Feira de Hannover. Lula passou pelos espaços do SESI e do SENAI, onde foi apresentado a tecnologias e inovações que sustentam a competitividade da indústria brasileira. O estande é uma espécie de laboratório de soluções imersivas, voltado para experiências práticas, com foco na mensagem de que o futuro da energia e da infraestrutura depende da tecnologia de ponta e do capital humano qualificado e saudável.
Ricardo Alban e o superintendente de Inovação e Tecnologia do SENAI, Roberto de Medeiros, apresentaram ao presidente da República parte das inovações expostas no estande. Entre os destaques do estande estão a Aliança Educacional, que investe em startups de educação com foco em soluções inclusivas e acessíveis; o FIRST Tech Challenge (FTC), competição de robótica para jovens de 14 a 18 anos, que projetam e programam robôs de até meio metro com base na metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática); a NAI, ferramenta de inteligência artificial do SENAI; e o programa MAGBRAS, que estrutura o ciclo de produção e reciclagem de ímãs de terras raras, usados em motores e na geração de energia eólica.




