Brasil-Alemanha: CNI propõe dobrar comércio bilateral em 5 anos

Reunião entre governos e indústrias neste domingo (19), em Hannover, debateu entraves regulatórios, transição energética e cooperação industrial; corrente de comércio alcançou mais de US$ 20 bi em 2025

Representantes dos governos e das indústrias brasileira e alemã se reuniram neste domingo (19), na 52ª Comissão Mista de Cooperação Econômica Brasil-Alemanha (Comista), em Hannover, para discutir temas centrais na agenda bilateral - como a aplicação provisória do Acordo Mercosul-UE, o Acordo para Evitar a Dupla Tributação (ADT) entre os países e o apoio para expansão de projetos voltados à digitalização, inteligência artificial, descarbonização e biocombustíveis. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), é preciso intensificar esforços para dobrar o comércio bilateral, que bateu mais de US$ 20 bilhões, nos próximos cinco anos.

A Comista integra uma série de agendas estratégicas que acontecem no país europeu nesta semana, no âmbito da Hannover Messe. O objetivo do encontro deste domingo é fortalecer laços comerciais, com debates voltados para energia, sustentabilidade, tecnologia e investimentos, focando na participação na feira internacional.

Para a indústria brasileira, parceria com alemães pode avançar mais

Durante a reunião, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o Brasil pode se consolidar como parceiro estratégico da Alemanha no atual cenário global porque oferece previsibilidade, estabilidade democrática e segurança energética. Ressaltou, no entanto, que a relação econômica bilateral ainda está aquém do potencial e precisa avançar com resultados concretos.

De acordo com Alban, o Brasil não pretende ser apenas fornecedor de insumos, mas parceiro na agregação de valor e no desenvolvimento tecnológico. Nesse contexto, apontou a matriz energética brasileira como um diferencial importante para a descarbonização industrial europeia e defendeu iniciativas práticas. “Propomos o desenvolvimento de um projeto-piloto entre Brasil e Alemanha em biocombustíveis que permita uma avaliação qualitativa do potencial desse tipo de parceria”, disse o presidente.

Alban enfatizou a importância de avançar na agenda de biocombustíveis levando em conta o uso de fontes diversificadas e sustentáveis pelo Brasil, como o etanol de milho e o etanol de agave, que reduzem preocupações do mercado europeu em relação ao desmatamento.

O representante da indústria brasileira também chamou atenção para desafios como a ausência do acordo de bitributação, que limita investimentos. Segundo ele, o principal desafio nas negociações está no tratamento dos serviços técnicos, ponto central para destravar o avanço do acordo, e é fundamental simplificar e padronizar regras. Alban enfatizou ainda a necessidade de avançar diante da janela de oportunidade criada pelo acordo Mercosul-UE, a reorganização das cadeias globais e a transição energética. “Se não avançarmos agora, perderemos tempo e a chance de aumentar a competitividade”, alertou.

Setores discutiram aumento de competitividade e cooperação

Estiveram em pauta, ainda, medidas de eficiência regulatória e redução da burocracia, ajustes no regime tarifário e os impactos de novas legislações sobre a competitividade industrial, além do acesso a mercados. Os brasileiros e alemães também discutiram iniciativas estratégicas como cooperação em agronegócio e inovação, diálogo digital, apoio às micro, pequenas e médias empresas e outras ações para fortalecer a competitividade.

Também participaram da Comista o secretário de Estado parlamentar do Ministério da Economia e Energia da Alemanha, Stefan Rouenhoff; o presidente do Comitê da Economia Alemã para a América Latina (LADW), Thomas Schmall; a vice-ministra das Relações Exteriores do Brasil, embaixadora Maria Laura da Rocha; e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; além de outros representantes dos setores público e privado.

Indústria tem delegação recorde na Hannover 

Para esta edição da Hannover Messe, a missão empresarial liderada pela CNI em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) levou mais de 260 representantes da indústria brasileira, entre empresários e executivos, que ficam no país até o dia 24 de abril.

Além das atividades da maior feira de tecnologia industrial do mundo, o grupo participa do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), o principal fórum bilateral do setor produtivo dos países - que acontece nesta segunda-feira (20) e tem com expectativa de reunir mais de 800 participantes. Há, ainda, uma programação focada em resultados práticos com reuniões de negócios, mesas redondas empresariais e visitas a indústrias como Airbus, Mercedes-Benz e Volkswagen.

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