Indústria se reúne em Bonito para debater os rumos da economia do país

Fórum Empresarial MS Summit reúne setor produtivo e autoridades para tratar dos desafios e oportunidades para a indústria sul-mato-grossense e brasileira

O evento é uma realização da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Governo do Estado. Foto: Divulgação/FIEMS

Durante dois dias, Bonito se torna o centro dos debates sobre os rumos da economia do país com a realização do Fórum Empresarial MS Summit e do encontro das federações de indústrias do Brasil. Empresários, executivos, autoridades e especialistas se reúnem na capital nacional do ecoturismo para tratar dos desafios e oportunidades para a indústria sul-mato-grossense e brasileira. 

O evento é realizado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Governo do Estado. 

Ao dar boas-vindas aos participantes nesta quinta-feira (28), o anfitrião do encontro, o presidente da FIEMS, Sérgio Longen, agradeceu o apoio da CNI para a realização do evento e destacou o papel da integração regional para o desenvolvimento da indústria nacional. 

“A integração desse país é algo de extrema importância, algo que construímos aqui e que tem dado certo, em um modelo que pode ser levado a outras regiões. Estas são ferramentas importantes e agendas que nós devemos construir e defender”. 

O presidente da CNI, Ricardo Alban, valorizou o gesto de aproximação com as federações estaduais e as indústrias locais, em um trabalho de escuta ativa das demandas de cada região do país. 

“Quando a gente vai até o nosso acionista, que são todas as indústrias do Brasil, consegue ver e ser entendido melhor. Quando nos conhecemos, sabemos o trabalho de cada um e sentimos suas dores. Por isso é tão valiosa essa oportunidade que temos de visitar os estados e fazer nossas reuniões e eventos em locais como Mato Grosso do Sul, esse estado tão pujante com sua agroindústria”.  

Mato Grosso do Sul em destaque nacional

Na abertura do encontro, o público conheceu as potencialidades econômicas e o protagonismo do setor industrial local. Mato Grosso do Sul tem ganhado projeção nacional nos últimos anos devido ao dinamismo de sua economia e indústria, impulsionado por elevados investimentos na ampliação de sua capacidade produtiva, crescimento consistente do PIB e expansão de setores estratégicos, como celulose, bioenergia e segurança alimentar. 

Como reflexo desse cenário, a indústria tem contribuído de forma decisiva para a geração de empregos e o aumento das exportações. Atualmente, um em cada quatro empregos formais no Estado são gerados pela indústria, que fechou o ano de 2025 batendo recorde de exportações: receita de US$ 7,81 bilhões, com produtos destinados a 153 países compradores.  

Além dos números positivos na economia, o Estado consegue aliar desenvolvimento e preservação ambiental. Mato Grosso do Sul conta com um plano audacioso para neutralizar as emissões de gases do efeito estufa em nível regional. Os trabalhos seguem em ritmo acelerado para alcançar o status de estado carbono neutro até 2030, antecipando em 20 anos a agenda global de sustentabilidade.

Confira o depoimento de algumas autoridades que prestigiaram o evento:

Economista discute a geopolítica da indústria

A palestra magna do Fórum Empresarial MS Summit ficou a cargo de Marcos Troyjo, economista, diplomata e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos Brics, entre 2020 e 2023.  

Reconhecido internacionalmente por sua atuação nas áreas de economia, comércio exterior e relações internacionais, Troyjo tem contribuído com sua experiência em negociações multilaterais para posicionar o Brasil de forma mais competitiva no cenário global. 

Em uma análise abrangente sobre as transformações da economia mundial nas últimas décadas, Marcos Troyjo defendeu que a indústria brasileira vive um momento de inflexão histórica, marcado pela substituição da lógica da globalização plena por um ambiente cada vez mais orientado pela geopolítica, segurança econômica e rearranjos estratégicos globais. 

Emergentes ganham protagonismo 

No campo das tendências de longo prazo, o economista destacou a ascensão dos países emergentes. O chamado E7 — grupo que inclui China, Índia e Brasil — já tem maior contribuição para o crescimento global do que as economias avançadas do G7 – o grupo das sete economias mais industrializadas do mundo. 

Esse cenário abre oportunidades relevantes para o Brasil, especialmente pela combinação entre agro e indústria. Com o aumento da demanda global por alimentos e preocupações com segurança alimentar, o país consolida sua posição como potência exportadora e pode avançar na agregação de valor. 

“Vemos a oportunidade de um casamento virtuoso entre o agro e a indústria. Vai crescer demais a demanda por bens agroindustriais. Todo mundo está preocupado com insegurança alimentar. E só existem quatro potências agrícolas no mundo realmente importantes: China, Índia, Estados Unidos e Brasil. Nosso país recentemente se tornou o maior exportador mundial de commodities alimentares, e somos o único país que tem um teto retrátil para fazer isso, com mais agregação de valor ou com menos agregação de valor”. 

Apesar das oportunidades externas, Troyjo foi enfático ao apontar a necessidade de superar entraves domésticos. Um dos principais é a carga tributária elevada, incompatível com o nível de renda do país. Outro ponto crítico é o modelo de financiamento empresarial. O Brasil ainda depende fortemente de crédito, o que limita o dinamismo das empresas. 

A programação em Bonito vai até sexta-feira (29/05), com o encontro de presidentes de federações de indústrias do Brasil.

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