A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou nesta quarta-feira (1) que a agroindústria brasileira vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Ela defendeu maior abertura comercial, investimentos em infraestrutura e políticas públicas que garantam segurança ao produtor rural. As declarações foram feitas durante reunião do Conselho Temático da Agroindústria da Confederação Nacional da Indústria (Coagro).
De acordo com a parlamentar, o mercado externo é essencial para a sustentabilidade do setor, especialmente diante do cenário econômico atual. “Há muito tempo eu não sentia esse momento tão tenso e indefinido para os nossos negócios”, pontuou. Para ela, o Brasil precisa ampliar a inserção no comércio internacional, preservando salvaguardas e regulamentações, mas seguindo o exemplo de países que obtiveram vantagens ao se expandir ao mercado externo.
A senadora também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais. Embora o país registre recordes sucessivos de safra em volume, ela observou que a renda no campo vem diminuindo. Entre os fatores apontados estão os juros elevados, a flutuação cambial e os gargalos históricos de infraestrutura, especialmente em rodovias, ferrovias e hidrovias.
Outro ponto de preocupação é o acesso ao crédito. Tereza Cristina criticou o atual Plano Safra, afirmando que houve redução dos recursos destinados ao custeio e que o elevado endividamento impede produtores de acessar financiamentos para investimentos. Na avaliação da parlamentar, a falta de segurança jurídica nas políticas públicas também desestimula novos aportes no setor.
Expectativa de mais aumento das tarifas dos EUA
A senadora demonstrou preocupação com as negociações comerciais envolvendo os Estados Unidos. “Não teremos boas notícias. Essa é a minha sensação”, disse.
A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, demonstrou preocupação com decisões que devem ser tomadas pelos EUA nas próximas semanas. Ao apresentar dados da CNI sobre os possíveis impactos dos resultados das investigações conduzidas pelos norte-americanos com base na Seção 301, a gerente da CNI comentou que a expectativa é de aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, inclusive da agroindústria.
“As notícias não são muito otimistas do ponto de vista do que esperamos dos Estados Unidos. A nossa avaliação é de que novas tarifas, infelizmente, devem vir”, disse. Segundo Constanza, a expectativa é de que ocorram mudanças pontuais na lista de produtos isentos, mas sem alterações estruturais na política comercial norte-americana.
Constanza comentou que 85 entidades estão inscritas para participar da audiência pública, em Washington, e enfatizou que a CNI considera as tarifas injustificadas. A CNI defende que, caso as medidas sejam implementadas, sua aplicação seja congelada temporariamente para permitir que os países tenham um tempo para buscar uma solução negociada.
“O cenário é crítico porque estamos caminhando para mais um aumento de tarifas que pode atingir um terço das exportações brasileiras para os EUA. A política comercial adotada pelos norte-americanos utiliza a imprevisibilidade como instrumento de negociação e afeta diversos países, não apenas o Brasil”, comentou a gerente da CNI.
Alinhamento de ações entre Coagro-CNI e Cosag-FIESP
Durante a reunião, o vice-presidente do Coagro, Pedro Robério Nogueira, anunciou o alinhamento de ações do colegiado com o Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Cosag).
“Vamos compartilhar ações, de forma que a agroindústria esteja andando no mesmo trilho e na mesma via para não termos perdas de carga”, enfatizou. As reuniões do Coagro são trimestrais e as do Cosag, mensais.
Presidente do Cosag, Tereza Cristina aceitou o convite para a realização de ações conjuntas dos conselhos e apoiou a iniciativa. “Temos sombreamentos no Brasil muito grandes. Por que não melhorar isso e trabalhar em conjunto? Aceito o compartilhamento de agendas”, afirmou a senadora.
Veja como foi a reunião do Coagro:



