Conselho da Agroindústria apresenta ao novo ministro pautas prioritárias para 2026

Primeira reunião do ano teve participação de André de Paula, que assumiu a pasta da Agricultura e Pecuária no início do mês; setor pede atenção ao mercado externo e escala 6 por 1

Encontro de representantes da agroindústria aconteceu nesta quarta-feira (29). Foto: Gilberto Sousa/CNI

A primeira reunião de 2026 do Conselho Temático da Agroindústria (Coagro) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou ao novo ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), André de Paula, as pautas prioritárias deste ano. O encontro, realizado na sede da CNI nesta quarta-feira (29), também serviu para o representante do governo federal, que assumiu a pasta dia 1º de abril, conhecer o conselho e se colocar à disposição para receber as demandas. 

“Esse é um ano de enormes desafios. Vamos enfrentar tensionamentos e incertezas internas e externas, mas temos condição de vencermos esses desafios. Buscamos construção conjunta e estamos de portas abertas”, adiantou André de Paula. O ministro reconheceu a relevância da indústria, lembrando que o setor emprega cerca de 12 milhões de pessoas, responde por quase ¼ do Produto Interno Bruto (PIB) e cresceu 11% ano passado. 

A reunião do Coagro foi presidida pelo vice-presidente do Coagro e presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e Etanol no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Roberio Nogueira. Ele abriu a reunião ao lado do diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, e do superintendente de Tecnologia e Inovação da CNI, Carlos Bork. O secretário-executivo do Pecuária (Mapa), Cleber Soares, também esteve presente. 

“Hoje, o Coagro é o principal fórum de debate da agroindústria. Nenhum setor vive sozinho, então a CNI tem o papel de reunir diferentes visões para tirar conclusões e propostas. A presença da indústria na agricultura é indispensável. Não existe agro sem tecnologia, por exemplo, e quem fornece tecnologia é a indústria”, lembrou Pedro Roberio Nogueira.  

Agenda externa e interna 

Ao ministro foram apresentadas as pautas prioritárias que já estão em discussão no Congresso, como o projeto de lei para alterar a escala de trabalho e o plano Brasil Soberano 2, oficializado pela Medida Provisória 1.345/2026 - para apoiar empresas exportadoras afetadas por tarifas dos Estados Unidos. Segundo representantes do setor, a segunda versão do plano, que disponibiliza crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), não contemplou proteína animal. 

Outros temas que deverão ganhar destaque neste ano são: o aumento do percentual de etanol na gasolina; a dificuldade de contratação de trabalhadores; a classificação de alimentos ultraprocessados; o depósito nacional e internacional de patentes; e a abertura de mercados, especialmente da China. Atualmente, um dos maiores desafios para o Brasil é a aceitação de produtos resultados de biotecnologia, como soja modificada ou cultivada com novos defensivos agrícolas. 

“A atuação da agroindústria é talvez o maior desafio que esse país tem. Nos últimos três meses, a pauta de exportação brasileira foi basicamente petróleo, minério e produtos agrícolas. Precisamos construir uma agenda conjunta propositiva com outras entidades, com a CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil]”, destacou o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz.

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