Para 29% dos empresários industriais, a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária deve ser a principal prioridade do presidente que será eleito em outubro para conduzir o Brasil nos próximos quatro anos. É o que aponta pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta segunda-feira (22). Desse total, 18% apontaram o tema como principal medida e 11% indicaram como a segunda ação mais importante.
O equilíbrio fiscal e a melhoria da gestão pública vêm na sequência, citados como prioridade por 22% dos empresários. E, em terceiro lugar na lista de pautas urgentes para o país, estão medidas para incentivo à indústria e à produção, mencionadas por 21% do setor como prioridades da nova gestão.
“Quando a política fiscal e a política monetária não conversam entre si, as medidas para estimular o desenvolvimento produtivo se tornam menos efetivas. A indústria está pronta para fazer sua parte, mas precisamos de um Estado que escolha induzir o investimento produtivo, um Estado que planeje o desenvolvimento, fortaleça a produção e abra caminho para um Brasil mais próspero, inovador e de renda mais alta”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A pesquisa da CNI também perguntou aos empresários industriais quais devem ser as prioridades do poder público em diferentes áreas de atuação do governo. Os resultados somam os percentuais relativos à primeira e segunda opção:
Agenda da indústria pede urgência no combate ao Custo Brasil
Entre as prioridades apontadas pelos empresários para suas empresas e para a melhoria do ambiente de negócios, se destacam itens que compõem o Custo Brasil. A redução de impostos apareceu novamente no topo, apontada por 45% dos industriais, seguida por redução de juros e oferta de crédito, indicada por 26% dos respondentes. Em terceiro lugar, citado por 21% dos empresários, novamente aparece o incentivo à indústria e à produção.
A pesquisa também abordou a preocupação do setor em relação à taxa de juros, um dos principais fatores que afetam o custo de produção e o investimento. Para 72% dos empresários industriais, o corte de gastos para redução da dívida pública é a principal medida a ser tomada pelo próximo governo para permitir uma redução sustentável dos juros no país. A autonomia do banco central foi a segunda medida com maior percentual de respostas (11%), seguida de ampliação da concorrência entre bancos (6%).
“A sociedade brasileira espera respostas para termos um país mais justo, com mais oportunidades e menos desigualdade, mas ao mesmo tempo não pode conviver com riscos de manutenção de juros estratosféricos e de excessos de gastos públicos. Se não houver correção de rumo, cada vez mais vai aumentar a distância do país rumo ao desenvolvimento sustentável, resultando em perdas para o empresariado, para a economia brasileira e para a população”, destaca Ricardo Alban.
Quando questionados sobre a intenção de investimento nos próximos quatro anos, os empresários demonstram estabilidade: 41% disseram que pretendem manter o patamar atual de investimentos, enquanto 28% pretendem aumentar o volume. Para 9%, a expectativa é de redução de investimentos, enquanto 20% disseram que não pretendem investir no período.
Considerando uma retrospectiva do último ano, os itens “alta carga tributária”, “indisponibilidade de mão de obra” e “taxa de juros elevada” foram elencados como os fatores que causaram maior impacto negativo para o setor industrial nos últimos 12 meses. Numa escala de 1 a 5, sendo 1 'não afetou' e 5 'afetou muito', esses fatores atingiram 4,4 e 4,1, respectivamente (sendo que juros e mão de obra ficaram empatados).
Sobre a pesquisa
Realizada pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, o levantamento Prioridades da Indústria – percepções para o ciclo 2027-2030 entrevistou 1.003 executivos de empresas industriais de pequeno, médio e grande portes, em todas as regiões do país, entre os dias 7 de maio e 5 de junho de 2026.
Os resultados reforçam as propostas que a CNI apresenta, nesta segunda-feira (22), a pré-candidatos à Presidência da República e lideranças do setor no evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis. As medidas compõem o documento Construindo o Brasil 2050, que reúne recomendações e prioridades em áreas estratégicas, como agenda macroeconômica, política industrial, inovação, cooperação internacional, energia, infraestrutura de transportes, sustentabilidade, sistema tributário, segurança jurídica, entre outros temas essenciais para o fortalecimento da economia e a competitividade do Brasil.



