Gastos com segurança desviam investimentos da indústria e elevam o Custo Brasil

Em seminário na FIESP, CNI alertou que a escalada dos gastos com segurança patrimonial e transporte reduz recursos para inovação e prejudica a competitividade da indústria brasileira

O assessor especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Cassio Borges afirmou nesta quinta-feira (18) que a indústria brasileira tem deixado de fazer investimentos estratégicos em razão dos custos cada vez mais elevados com segurança patrimonial. Ele participou do Seminário Nacional Brasil Legal, realizado pela Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e Agenda do Brasil Legal da Câmara dos Deputados, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

“As indústrias estão deixando de investir em tecnologia e inovação, e tendo que realocar recursos para uma atividade que deveria ser do Estado brasileiro”, enfatizou. “Nossas pesquisas mostram que cerca de 80% do empresariado brasileiro apontam que esse novo custo com proteção privada tem onerado demasiadamente o processo produtivo, a ponto de ser identificado como mais um elemento do Custo Brasil, o que impacta na competitividade do produto brasileiro”, acrescentou o assessor da CNI.

Cassio Borges lembrou que a CNI mantém uma agenda consistente de atuação e parceria com entidades privadas e com o poder público no combate à ilegalidade e pirataria. Ele mencionou pesquisa recente da CNI, segundo a qual os atos ilícitos custam R$ 107,9 bilhões por ano para a indústria, sendo R$ 39,1 bilhões de prejuízos diretos por perdas de produto, mercadorias e insumos, além de R$ 68,8 bilhões em gastos com segurança, como a contratação de escoltas para mercadorias, seguros, equipamentos e reestruturação interna. Ele citou também outra pesquisa da CNI, que apontou aumento de 62% nos custos das indústrias por gastos com segurança no transporte.

“Constatamos que o setor empresarial aos poucos se sente obrigado a assumir certos papeis e compromissos próprios do poder público. As empresas têm reestruturado as suas governanças, tendo hoje esse elemento como estratégico, o que gera custos e acarreta aumento dos preços do produto final”, pontou Borges.

Cassio Borges lembrou que a CNI mantém uma agenda consistente de atuação e parceria com entidades privadas e com o poder público no combate à ilegalidade e pirataria

Presidente da Frente Parlamentar Mista de Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria do Congresso Nacional e coordenador da comissão externa que promoveu o evento, na sede da FIESP, o deputado federal Julio Lopes (PP-RJ) alertou que entre 50 e 60 milhões de brasileiros vivem sob o comando da criminalidade em “áreas isoladas do território nacional”. 

O parlamentar ressaltou a importância do trabalho realizado pela CNI na área de segurança junto ao setor industrial. “A CNI tem dado legitimidade, grande apoio e expressão nacional no combate à pirataria. A gente precisa contaminar o país com a ideia de que combater a ilegalidade é possível e de que a opção pela legalidade vale a pena. Estamos falando de altíssima criminalidade infiltrada no Estado. Se não andarmos muito rapidamente vamos perder essa guerra”, disse o deputado.

Confira mais fotos do seminário:

18/06/2026 - Seminário "Brasil Legal" na FIESP

União público-privada

Para o presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona, a integração entre entidades dos setores público e privado é essencial para que o Brasil consiga combater a ilegalidade e a criminalidade. “Precisamos fortalecer os elos de união no enfrentamento desse fenômeno da criminalidade brasileira. É um esforço contínuo que temos feito para enfrentar esse processo criminoso que afeta todos os negócios. Sem a união será difícil termos um efetivo combate a ilegalidade”, afirmou Vismona.

Também presente à mesa de abertura do seminário – ao lado de Julio Lopes, Cassio Borges e Edson Vismona -, o secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e aos Delitos contra a Propriedade Intelectual (CNCP), Valmir Dantas, alertou que a sociedade civil tem papel essencial em apoio aos entes públicos no enfrentamento à ilegalidade que atinge a indústria, o comércio e a economia como um todo do país.

“A criminalidade brasileira afeta os consumidores, a saúde pública, a segurança pública, a competitividade, a inovação, a arrecadação do Estado e o próprio desenvolvimento nacional. É algo de uma gravidade enorme e que vem se agravando”, alertou o secretário-executivo do CNCP.

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