SENAI estima que pré-sal criará 46 mil vagas de emprego até 2015

Conforme o estudo, 84% dessas vagas serão preenchidas por técnicas ou profissionais de nível médio; 60% do total das novas posições serão em funções industriais
Para atender a demanda, o SENAI lançará, em 2014, três novos cursos de especialização para técnicos em construção naval nas áreas de pintura, mecatrônica e mecânica ou eletrônica

Os investimentos no setor de petróleo e gás, especialmente para exploração do pré-sal, criarão 46 mil empregos até 2015. Dessas vagas, 84%, ou 33,6 mil, serão ocupadas por técnicos ou profissionais de nível médio, em ocupações como soldador de tubulação, técnico petroquímico e encanador industrial. As informações são do Mapa do Trabalho Industrial, do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (SENAI).

Conforme o estudo, 60% das novas vagas serão para funções industriais. Isso ocorre porque a cadeia produtiva do petróleo e gás exige qualificação muito específica, como os soldadores subaquáticos, que precisam mergulhar centenas de metros no oceano para fazer reparos nos equipamentos de extração.

Por isso, os profissionais são disputados pelo mercado e têm salários atraentes. Um técnico em mineração, responsável por supervisionar equipes durante o processo de extração, ganha, em média, R$ 11,1 mil ao mês em um mercado aquecido como o do Rio de Janeiro.

Além disso, o número de trabalhadores em funções industriais é mais alto nesse setor do que a média dos outros setores da indústria. Para se ter uma ideia, uma única sonda de perfuração precisa de 150 a 200 profissionais industriais altamente capacitados para ser operada. Só para operadores e técnicos de petróleo e gás, que podem trabalhar nessas sondas, em plataformas ou navios, serão abertas 12,5 mil vagas até 2015.

Veja a média dos salários por estado:
 

Remuneração média de ocupações do setor de petróleo e gás (em R$ ao mês)
Ocupação Brasil RJ SP ES
Desenhistas técnicos da mecânica 3.328,09 3.656,30 3.871,20 1.975,53
Encanadores e instaladores de tubulação 1.739,72 1.825,89 1.913,26 1.493,26
Supervisores da montagem metalmecânica 5.022,02 4.235,13 5.956,12 3.981,57
Técnicos da mecânica veicular 4.051,01 4.574,51 4.785,72 5.260,44
Técnicos em mineração 5.722,14 11.127,77 2.742,47 5.313,94
Técnicos em segurança do trabalho 2.830,17 3.824,08 3.343,14 2.412,62
Técnicos petroquímicos 6.300,86 10.250,93 4.040,54 5.711,57
Trabalhadores da extração de minerais líquidos e gasosos 3.611,63 5.581,76 1.894,80 3.145,71
Trabalhadores de caldeiraria e serralheria 1.673,80 1.715,03 2.048,58 1.432,93
Trabalhadores de soldagem e corte de metais e compósitos 1.901,40 2.198,37 2.210,69 1.826,86
TOTAL GERAL: 2.165,11 2.798,59 2.445,41 1.954,43

Fonte: SENAI

"A demanda por profissionais qualificados já é alta nesse período de aquecimento para a exploração dos campos do pré-sal. Mas deve se ampliar nos próximos cinco anos, quando as novas plantas entrarem em produção", prevê o diretor geral do SENAI, Rafael Lucchesi. Ele explica que grande parte das obras para o pré-sal ficará pronta a médio e longo prazos.

Para atender a essa expansão, o SENAI incluiu esse tema no seu planejamento estratégico e lançará, em 2014, três novos cursos de especialização para técnicos em construção naval nas áreas de pintura, mecatrônica e mecânica ou eletrônica.  Os novos profissionais aprenderão habilidades e conhecimentos das novas tecnologias do setor.

INVESTIMENTO JAPONÊS - Além disso, a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) investirá R$ 10 milhões para equipar com tecnologia de ponta, quatro unidades do SENAI no Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul. O objetivo é capacitar, pelo menos, 100 professores, que treinarão mão de obra para quatro estaleiros japoneses que estão se instalando no Brasil: o Ishikawajima-Harima Heavy Industries - que comprou 25% do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), o Kawasaky Heavy Industries, que está negociando estaleiros em Salvador, o Mitsubishi Heavy Industry, e o Japan Maritime United.

Um levantamento feito pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (SINAVAL) aponta que já existem 390 obras em andamento ou com intenção de construção, que custarão R$ 150 bilhões. De acordo com o estudo, a boa notícia é que a demanda deve crescer principalmente no setor de maior valor agregado, como sondas de perfuração, navios de apoio marítimo e petroleiros.
 

Carteira de encomendas - Geral
Tipo Quantidade
Plataforma de produção 20
Sonda de perfuração 28
Navios Porta contêineres 7
Navios graneleiros 6
Navio de apoio offshore 70
Navios de produtos 29
Petroleiros 26
Navios bunker 11
Navios gaseiros 15
Barcaças fluviais 111
Empurradores fluviais 26
Rebocadores portuários 18
Total 367

Fonte: Sinaval

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