Desenvolver mercados para combustíveis sustentáveis é uma das pautas que permeiam as discussões sobre o desenvolvimento sustentável e econômico do Brasil.
No segundo dia de atividades da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na São Paulo Climate Week (SPCW) 2026, o foco dos debates permeou as estratégias de como conectar os projetos climáticos ao capital global.
Transaction Hub para execução de negócios
A criação de mercados para soluções de baixo carbono foi o foco da mesa de debates “Transaction Hub: The Road to COP31”, organizada no âmbito da Sustainable Business COP (SB COP).
O mecanismo estratégico Transaction Hub tem como objetivo acelerar a execução de negócios que atraiam capital para projetos relacionados ao clima em economias emergentes.
Com o lema "Acelerando uma ideia em ação", ele busca preencher a lacuna persistente de financiamento climático, especialmente em países como o Brasil, onde o investimento precisa crescer significativamente para cumprir metas ambientais.
Luciana Ribeiro, chair da Climate and Investments na SB COP, explicou como o Hub opera oferecendo suporte em quatro dimensões principais para a viabilização de projetos: priorização de pipeline, desenvolvimento de conteúdo técnico, conexão de stakeholders e visibilidade global.
“O Transaction Hub está integrado ao Grupo de Trabalho 6A (Finanças Climáticas e Investimentos) da SB COP para 2026. Ele foi criado para responder ao desafio de que a transição para uma economia de baixo carbono exige um aumento de até 16 vezes nos níveis atuais de financiamento privado em mercados emergentes”, destacou.
Ela também trouxe um exemplo prático da atuação do Hub que foi o suporte ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID/IDB) para o lançamento do programa Reinvest+.
“Esta iniciativa visa mobilizar capital institucional em larga escala para projetos de clima e natureza sem depender de subsídios públicos, criando instrumentos financeiros de baixo risco por meio da securitização de empréstimos”, finalizou.
Potencial Brasileiro: E-Fuels e SAF
Um dos destaques técnicos foi o potencial dos E-Fuels brasileiros para a aviação europeia, apresentado por Giulia Tonon, diretora da empresa Systemiq.
Segundo ela, o Brasil é visto como um hub natural para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) devido à sua base agroindustrial única, sendo o segundo maior produtor de etanol do mundo.
No entanto, foram apontadas barreiras que o Transaction Hub visa mitigar, como os altos custos de financiamento e a necessidade de harmonização regulatória internacional para garantir a exportação.
Nesse sentido, Júlia Cruz, secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), disse que Brasil tem liderado o exemplo de combustíveis sustentáveis, mas que é importante olhar para o hidrogênio de baixo carbono como uma oportunidade de ampliação da competitividade e não apenas como exportação de commodities.
“Temos as matrizes elétricas mais limpas do mundo e mais de 50 anos de experiência em combustíveis sustentáveis. O acordo Mercosul-União Europeia é uma grande oportunidade para o nosso hidrogênio, mas não pode ser a única saída para o desenvolvimento sustentável do país”, alertou.
Também participaram do painel Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI; Ricardo Mussa, chair da SB COP; Daniel D’elia da Costa, da High Level Climate Champions; Nina Vieira, representante do BNDES; Bruna Cerqueira, coordenadora-geral da Agenda de Ação na Presidência da COP 30; Patricia Ellen, presidente da Systemiq LATAM; Arthur Ramos, diretor da BCG; e Maíra Peruzzo, gerente de Relações Institucionais da Acelen.



