Como transformar o cuidado em saúde e, ao mesmo tempo, reduzir emissões? Essa foi a pergunta que guiou o painel “Linha de Cuidado Figital”, realizado nesta sexta-feira (14), durante o evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), que acontece em paralelo à agenda oficial da COP30.
Em meio às discussões globais sobre clima e resiliência, o Serviço Social da Indústria (SESI), em parceria com o SESI Ceará, o SESI Mato Grosso do Sul e a empresa Sanofi apresentou uma das iniciativas mais inovadoras do encontro: a Calculadora de Descarbonização da Saúde.
A solução foi ativada de forma assistida durante o evento e chamou atenção pela capacidade de medir, em CO₂ equivalente, o impacto ambiental de diferentes formas de atendimento e realização de exames.
A ferramenta permite comparar trajetos, estruturas utilizadas, métodos de coleta e deslocamento, oferecendo alternativas de menor emissão e orientando o usuário para práticas de saúde mais sustentáveis, preventivas e alinhadas ao SUS.
Para o superintendente de Saúde da Indústria, Emmanuel Lacerda, a relação entre clima e saúde é direta e crescente. Ele apresentou dados que mostram que a maioria dos eventos extremos registrados no país tem origem climatológica ou hidrológica, o que amplia casos de doenças respiratórias, arboviroses, desidratação, acidentes e internações.
Lacerda reforçou que, se as metas do Acordo de Paris fossem cumpridas, cerca de um milhão de vidas por ano seriam preservadas até 2050.
Segundo os desenvolvedores, a proposta combina tecnologia e educação ambiental em saúde. Ao permitir que as pessoas visualizem o impacto de suas escolhas assistenciais, a ferramenta estimula uma mudança de comportamento e apoia a construção de linhas de cuidado mais eficientes e de baixo carbono.
As calculadoras são baseadas em questionários específicos para cada condição de saúde. No caso da influenza, por exemplo, o usuário responde a perguntas sobre sintomas, fatores de risco e situação vacinal.
Ao final, o sistema informa se há necessidade de procurar uma unidade de saúde e apresenta um panorama dos serviços mais próximos à localização da pessoa. Além disso, lista meios de transporte disponíveis e calcula a pegada de carbono de cada opção, permitindo que o usuário escolha a alternativa menos poluente.
A funcionalidade reforça o princípio central da solução: reduzir deslocamentos desnecessários, organizar fluxos de atendimento e apoiar decisões clínicas e pessoais com base em sustentabilidade. Em um cenário de crises climáticas e aumento de demanda nos serviços, a ferramenta se apresenta como oportunidade concreta de alinhamento entre saúde pública e mitigação de emissões.
Clima, saúde e prevenção caminham juntas
Durante o lançamento da ferramenta, o superintendente de Saúde da Indústria ainda pontuou que o setor de saúde está entre os cinco maiores emissores globais, o que demanda soluções que reduzam o impacto ambiental do próprio sistema, sem comprometer a qualidade assistencial. “Nesse contexto, ferramentas digitais ganham protagonismo como aliadas na reorganização dos fluxos de cuidado e na ampliação da prevenção”, afirmou.
O médico do trabalho do SESI Nacional, Cláudio Patrus, reforçou que a digitalização desempenha papel decisivo na atenção primária e na inteligência epidemiológica. Para ele, “a abordagem figital, que integra tecnologias e atendimento presencial, permitirá ampliar o acesso e tornar o sistema mais resiliente diante dos novos desafios climático”.
Representando o SESI Mato Grosso do Sul, Jonas Balbinoti ressaltou o potencial pedagógico da ferramenta e sua capacidade de aproximar a população, especialmente jovens e estudantes, do conceito de saúde de baixo carbono.
Balbinoti lembrou que a ideia começou a tomar forma ainda no edital lançado pelo Departamento Nacional. Segundo ele, o objetivo sempre foi unir inovação e educação ambiental. “As calculadoras mostram que a sustentabilidade pode fazer parte das escolhas do dia a dia e ajudam a população a compreender que saúde também é clima”.
O evento reuniu gestores, pesquisadores e representantes da indústria, como a professora Maria do Socorro, da Universidade Federal do Pará; Paulo Mol, diretor-superintendente do SESI; Thiago Taho, gerente de Inovação do SESI; Cleverton Chaves dos Reis, e o diretor-geral de Vacinas da Sanofi.
CNI na COP30
A participação da CNI na COP30 conta com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI).
Institucionalmente, a iniciativa é apoiada pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), First Abu Dhabi Bank (FAB), Sistema FIEPA, Instituto Amazônia+21, U.S. Chamber of Commerce e International Organisation of Employers (OIE).
A realização das atividades da indústria na COP30 recebe o patrocínio de Schneider Electric, JBS, Anfavea, Carbon Measures, CPFL Energia, Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Latam Airlines, MBRF, Pepsico, Suzano, Syngenta, Acelen Renováveis, Aegea, Albras Alumínio Brasileiro S.A., Ambev, Braskem, Hydro, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Itaúsa e Vale.




