Quase metade dos trabalhadores da indústria brasileira não pratica atividade física nos momentos de lazer e 1 em cada 5 relata nível elevado de estresse. Os dados são do VigIndústria Brasil, estudo do Serviço Social da Indústria (SESI) divulgado nesta terça-feira (1º), durante o Conecta Saúde 2026, em São Paulo.
O Vigindústria é uma parceria entre o SESI, o Conselho Nacional do SESI (CN-SESI) e o Ministério da Saúde. A proposta é identificar e mapear os fatores de risco e diferentes necessidades dos trabalhadores para apoiar as empresas a definir prioridades e a planejar ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas.
Entre os hábitos acompanhados pelo relatório, a alimentação aparece como um dos principais pontos de atenção. Cerca de sete em cada dez trabalhadores (71%) comem poucas frutas e hortaliças.
A exposição prolongada às telas também alcança parcela significativa da população pesquisada: quase 34% passam 3 horas ou mais por dia usando computador, tablet ou celular para acessar redes sociais, assistir a filmes ou se distrair com jogos. Um comportamento que é especialmente presente entre os mais jovens. Na faixa etária abaixo de 30 anos a proporção de trabalhadores expostos a tempo prolongado de tela sobe para 48%.
No conjunto da amostra, 20,3% dos trabalhadores relataram nível elevado de estresse e 18,7% disseram ter dificuldade para relaxar e aproveitar o tempo de lazer. Entre os menores de 30 anos, o índice chega a 21%.
O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Junior, destaca que o relatório fortalece a gestão da saúde dos trabalhadores e permite respostas mais adequadas à realidade de cada região do país.
“Nesse processo, o SESI desempenha um papel complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme previsto na Constituição e na legislação. Pela sua capilaridade e presença no mundo do trabalho, pode somar esforços e ampliar o alcance das ações de promoção, prevenção e cuidado junto aos trabalhadores da indústria. Essa articulação entre governo, Sistema Indústria e empresas é fundamental para transformar conhecimento em melhores condições de saúde e qualidade de vida”, assegura Fausto.
Doenças crônicas se tornam mais frequentes com o avanço da idade
Em relação a doenças crônicas, o VigIndústria mostra que a obesidade é a condição mais prevalente entre as investigadas e atinge 22,7% dos trabalhadores. Problemas crônicos de coluna aparecem em 19% da amostra, seguidos pelo colesterol alto, com 17% e hipertensão, com 16%.
A relação entre envelhecimento e adoecimento fica mais clara no caso do diabetes. A prevalência é de 5,7% entre todos os entrevistados e aumenta progressivamente com a idade: passa de 3% entre os menores de 30 anos para 8% na faixa dos 40 aos 59 anos e chega a 22 entre aqueles com 60 anos ou mais.
Para a especialista do SESI Georgia Matos, compreender essas diferenças é uma etapa fundamental para que as informações produzidas pelo levantamento sejam incorporadas ao planejamento das empresas.
“Os dados precisam chegar à tomada de decisão. Se identificamos, por exemplo, uma concentração maior de determinado fator de risco em uma população, essa informação deve ajudar a orientar programas, campanhas, acompanhamento e ações específicas para aquele grupo”, afirma.
Trabalhadores têm percepção positiva sobre segurança
O relatório também aborda a percepção dos trabalhadores sobre a segurança no ambiente de trabalho e mostra que mais de 8 em cada 10 (84%) afirmam que a segurança importa para a empresa, e mais de 7 em cada 10 percebem que a organização prioriza a prevenção e avaliam o ambiente de trabalho como seguro.
Os resultados variam, porém, quando treinamento e comunicação são analisados de acordo com o porte das empresas. Entre trabalhadores de micro e pequenas indústrias, 56% afirmam receber treinamento para emergências e prevenção de acidentes, frente a 68% nas médias e grandes empresas.
Confira o estudo na íntegra:
Mais sobre o VigIndústria
Realizado entre julho e dezembro de 2025, o VigIndústria ouviu 57.952 trabalhadores de 825 empresas e analisou 33 indicadores distribuídos em seis dimensões: sociodemográfica, comportamentos de risco, bem-estar mental, morbidade referida, percepção de saúde e autocuidado e cultura de segurança. A proposta é mapear fatores de risco e diferentes necessidades da população trabalhadora, gerando informações que apoiem empresas e instituições na definição de prioridades e no planejamento de ações de promoção da saúde e prevenção.



