Nesta semana em que o Congresso Nacional realiza o chamado esforço concentrado para a discussão e votação de pautas prioritárias, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) faz um chamado à prudência, à responsabilidade e ao equilíbrio na condução dessas agendas.
Entre os assuntos que mais preocupam o setor industrial estão os projetos que tratam da redução da jornada e do fim da escala de trabalho 6x1 e da isenção da taxa de importação sobre compras internacionais, a chamada "taxa das blusinhas".
“É fundamental que os deputados e senadores levem em conta os diversos alertas que setores econômicos têm reiteradamente feito quanto aos impactos negativos dessas propostas. A tramitação acelerada e a pressão para votação dessas pautas em período eleitoral só trazem prejuízos ao Brasil e aos brasileiros”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Estudo divulgado pela CNI nesta segunda-feira (31) mostra que o Brasil pode levar até 30 anos para compensar o déficit de produtividade de uma eventual redução da jornada, associada à alteração da escala 6x1.
“Estamos falando de mais três décadas de atraso que vão se somar ao déficit histórico que já enfrentamos. Não existe país que sustente sua competitividade sem produtividade. Ela é o que permite que possamos produzir mais e gerar mais valor com os recursos disponíveis. Quando a produtividade é afetada, as empresas sentem mais dificuldade para investir, competir e remunerar melhor os trabalhadores”, afirma Alban.
Outra projeção feita pela CNI aponta que a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial, pode provocar um aumento de até R$ 267 bilhões por ano no custo com mão de obra das empresas. Isso produz um efeito cascata na economia, provocando alta, em média, de mais de 6% nos preços para o consumidor e afetando ainda mais o custo de vida da população.
Já o fim da taxa de importação sobre compras internacionais, a chamada "taxa das blusinhas", pode colocar em risco 109 mil empregos, segundo levantamento recente da instituição. A CNI alerta que aprovar a medida provisória que zerou a taxa vai afetar diretamente a população, além de penalizar ainda mais as empresas brasileiras, que já têm sofrido com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
O presidente Ricardo Alban destaca que a CNI é favorável à discussão dos temas, mas defende que o debate seja feito com profundidade, equilíbrio e à luz dos diversos dados e estudos que mostram os impactos econômicos e sociais.
“Os setores produtivos precisam ser ouvidos. Nós queremos contribuir e temos apresentado alternativas. Há caminhos, há saídas mais adequadas e menos prejudiciais à economia do que as propostas que estão sendo colocadas em votação às pressas, por força de interesses político eleitorais”, finaliza o dirigente.



