Carreira em construção: estágio transforma experiência em nova oportunidade profissional

Conheça a história do estudante de Engenharia Civil que, em sua segunda graduação, encontrou no estágio a chance de unir vivências anteriores com o desejo de assumir novos desafios

Cursando a segunda graduação, Andrés Molina aproveitou sua experiência profissional para ajudar a aprimorar processos durante o período de estágio em uma empresa de engenharia civil. Imagem criada por inteligência artificial

Mudar de carreira depois de já ter construído uma trajetória profissional exige mais do que disposição para aprender algo novo. É preciso reconhecer o que já foi construído e encontrar uma forma de transformar essa experiência em impulso para os próximos passos.

Foi esse movimento que levou Andrés Molina, formado em Socioeconomia no Chile, a iniciar uma segunda graduação, desta vez em Engenharia Civil. Hoje no 7º semestre, ele atua como estagiário na área de infraestrutura da FGR Incorporações, empresa de Goiânia, em uma oportunidade intermediada pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL).  

Antes da Engenharia, Andrés já havia passado por experiências profissionais no Banco Estado do Chile, no país vizinho, onde auxiliava microempresários na organização da gestão e na busca por soluções para melhorar seus negócios. Depois, estagiou na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em Santiago, apoiando uma equipe que trabalhava em um projeto de Ecoeficiência e Desenvolvimento de Infraestrutura Urbana Sustentável na Ásia e na América Latina.

"Embora a minha participação fosse apenas de um estagiário de apoio no meio de uma equipe gigante e multidisciplinar, a experiência foi incrível. Ter a oportunidade de conversar com profissionais que realizam estudos de altíssimo nível e impacto para países, é algo impagável", destacou o estudante.  

A experiência acumulada o acompanhou quando ele decidiu mudar de área. Gestão, organização, análise de processos e contato com diferentes profissionais passaram a compor a nova formação. O que mudou foi o ambiente em que essas competências começaram a ser aplicadas.  

“Eu estava procurando uma mudança, algo com mais ação, que me tirasse um pouco da frente do computador", conta Andrés. A ideia de cursar Engenharia Civil surgiu em uma conversa com a esposa, depois de um período em que Andrés buscava uma nova direção profissional. A sugestão partiu justamente da percepção de que ele já tinha ferramentas que poderiam encontrar espaço em outra área.

Ele pesquisou as opções, ingressou na graduação e passou a conciliar a nova formação com a consultoria que já realizava para microempresários. Pela manhã, está no canteiro de obras como estagiário; à tarde, continua atuando na área em que construiu parte de sua trajetória profissional. 

O estágio como espaço de aprendizado  

Para entrar no universo da Construção Civil, Andrés encontrou no IEL uma ponte entre a universidade e o mercado. Depois de fazer o cadastro e se candidatar a uma oportunidade, foi selecionado para o estágio na FGR. A empresa é referência no segmento de condomínios horizontais residenciais.  

"Esperava vivenciar o contraste entre aquilo que aprendemos em sala de aula e a realidade do dia a dia de uma obra. E foi justamente isso que o estágio me proporcionou", comentou.  

No dia a dia, Andrés auxilia a engenheira responsável pelo acompanhamento e pela execução dos serviços. Entre suas atividades estão o registro fotográfico das etapas da obra, o acompanhamento das equipes terceirizadas, a conferência de medidas e a verificação da execução de serviços de acordo com os projetos e as normas técnicas.

Também acompanha itens como rampas de acessibilidade e piso tátil, realiza medições de diferentes frentes de trabalho e participa da organização logística do canteiro. É preciso coordenar a movimentação de materiais, caçambas, caminhões, máquinas, entulho e outros recursos para que as equipes possam trabalhar de maneira organizada.

Da experiência anterior a uma ideia para a obra  

Foi justamente a observação da rotina que levou Andrés a identificar uma oportunidade de melhoria. "Durante o estágio, percebi que o retrabalho é um aspecto da obra que precisa ser administrado com bastante atenção, pois gera desperdício de tempo, materiais e recursos", explica Andrés.

A partir dessa percepção, ele desenvolveu um projeto para o Prêmio IEL, Estagiário Inovador. A proposta buscava criar um procedimento simples para melhorar a comunicação entre a equipe de engenharia e os empreiteiros responsáveis pela execução dos serviços.

O objetivo era garantir que as informações necessárias para a realização de cada atividade chegassem de forma clara a quem estava na ponta da execução. Um projeto-piloto foi aplicado na construção de uma mureta de instalações de água e energia e, segundo Andrés, conseguiu reduzir preventivamente o retrabalho em aproximadamente 80%.

A experiência também evidenciou como os conhecimentos adquiridos antes da Engenharia podem contribuir para a nova carreira. Seu olhar para gestão e processos ajudou a identificar um problema operacional e pensar em uma solução. “Não cheguei nem perto de ganhar o prêmio, mas a experiência foi muito positiva", disse.

Construir confiança também faz parte da obra  

A rotina do estágio ampliou os conhecimentos técnicos e também trouxe um aprendizado valioso: a importância das relações humanas. Para o estudante, algumas lições marcaram os primeiros meses: “Acredito que foram dois grandes desafios: conquistar a confiança de todos e aprender a me comunicar de forma efetiva e, ao mesmo tempo, empática”, explica.

A confiança foi construída aos poucos, com a convivência e a compreensão das diferentes equipes no canteiro.

Ainda sem definir o caminho que seguirá após a graduação, Andrés vê o estágio como uma oportunidade para explorar possibilidades e construir sua carreira. "Você não precisa estar 100% preparado para tudo, porque o estágio é justamente um período de aprendizado e desenvolvimento profissional e pessoal”, aconselha o estudante.

Relacionadas

Leia mais

Estágio, a ponte que conecta a formação acadêmica à realidade do trabalho
IEL lança Plataforma de Apoio ao Desenvolvimento Profissional de estagiários
O estágio como ponto de partida: experiências que formam profissionais

Comentários