Capacetes de ventilação começam a ser testados no Hospital das Clínicas de São Paulo

Equipamento lançado pela Life Tech Engenharia pode auxiliar no tratamento de dificuldades respiratórias e evitar intubação em até 35% dos pacientes infectados pelo coronavírus
O principal objetivo da BRIC é impedir a propagação do vírus em hospitais

A Bolha de Respiração Individual Controlada (BRIC) é uma interface entre paciente e o ventilador mecânico, que foi desenvolvida pelo presidente da empresa de tecnologia Roboris, Guilherme Thiago de Souza, junto a uma equipe com diversos profissionais da área da saúde, da engenharia e da indústria. O equipamento foi lançado sob a marca LifeTech Engenharia e está em fase de testes no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo.

Mais conhecido como “capacete estanque”, o produto é um dispositivo para ventilação não-invasiva e foi criado como uma alternativa de manter uma boa oxigenação do paciente e proteção da equipe de saúde, além de ser uma tentativa de tratamento que antecede a internação à UTI.  

O equipamento tem um custo baixo, de R$ 627,00 a unidade, e o lote inicial de 1.000 unidades está sendo preparado. A capacidade de fabricação é de 10 mil unidades ao mês, inicialmente. O capacete também está em negociação em outros estados como Minas Gerais e Bahia, que já manifestaram interesse em obter o capacete para auxiliar pacientes com dificuldade respiratória.

De acordo com Guilherme Thiago de Souza, o capacete estanque é um recurso a mais antes da internação à UTI. “A BRIC foi projetada com um volume para que o paciente se sinta confortável e sua principal característica é a estanquidade, capacidade de conter o vazamento, essencial para evitar a propagação da doença. Os hospitais ou clínicas ganham uma tentativa de tratamento que antecede a ida do paciente à unidade de terapia intensiva, é um tempo a mais, para que não precise ser induzido ao coma”, enfatiza o engenheiro.

“Acreditamos que com este equipamento, podemos salvar vidas e ajudar a sociedade brasileira”, afirma.

Equipamento similar já foi utilizado na Itália como uma aliada no combate ao coronavírus

Enquanto a taxa de mortalidade para pacientes intubados com o Covid-19 é de 70% a 86%, estudos da Universidade de Chicago sobre a tecnologia de ventilação baseada em capacete demonstram que com a utilização da BRIC, de 20% a 35% de pacientes com o vírus irão evitar a necessidade de intubação.

Os principais objetivos da BRIC no combate à covid-19 são impedir a propagação do vírus em hospitais, proteger a equipe multidisciplinar da saúde e pacientes com risco de contaminação, além de evitar o efeito aerosol. “Sua vedação foi feita de forma que não ocorram vazamentos e disseminação do vírus. A saída de ar ocorre pelos filtros hospitalares, projetados e construídos para essa finalidade”, explica Guilherme, ressaltando a redução significativa no risco de infecção.

“O paciente fica exposto a um menor risco que a intubação pode ocasionar e também, não transmite o vírus para o meio, pois tudo passa pelo filtro e devolve o ar limpo para o ambiente”, salienta o engenheiro. Além disso, é compatível para ventiladores VNI e pode ser utilizado em qualquer ambiente intra-hospitalar.

O produto também possibilita a oferta de oxigênio variada para o tratamento individual de cada paciente sem a necessidade da intubação. “Com seu uso, é possível configurar nos ventiladores uma oxigenação entre 21% a 100% de fração inspirada de oxigênio e implementação de pressão positiva, de acordo com a necessidade clínica”, diz o fisioterapeuta intensivista envolvido no projeto da Life Tech Engenharia, Thiago Marrachini.

Além das vantagens como menor tempo de internação, a interface não expõe os profissionais a aerossóis, evita úlceras causadas por máscaras faciais, facilita a comunicação do paciente com a equipe e seu sistema de estaqueamento confortável minimiza lesões cutâneas. Equipamento similar já foi utilizado na Itália como uma aliada no combate ao coronavírus.

A BRIC também pode ser usada no tratamento de outras doenças respiratórias. O produto aguarda a liberação da Anvisa.

A Indústria contra o coronavírus: vamos juntos superar essa crise

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