O Fundo das Nações Unidas para la Infância (UNICEF) e parceiros lançam nesta quinta-feira (16), em São Paulo, a Aliança Empregos Verdes, uma iniciativa multissetorial voltada à criação de oportunidades de trabalho decente, no contexto da transição para uma economia de baixo carbono. A Aliança está aberta à adesão do setor privado, governos, sociedade civil e juventudes.
A Aliança tem como objetivos principais ampliar a oferta de formação em habilidades verdes e o acesso a oportunidades de trabalho e empreendedorismo decentes na economia verde no Brasil. A iniciativa é liderada pelo UNICEF, em parceria com Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Fundação Arymax, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), além do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), e de movimentos sociais, como o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e o Fórum Paraense de Juventudes.
“O futuro do trabalho e o futuro do planeta estão conectados. Por meio da iniciativa Um Milhão de Oportunidades (1MiO), o UNICEF vem apoiando adolescentes e jovens no desenvolvimento de habilidades verdes e articulando parcerias com empresas e governos para ampliar oportunidades de inclusão produtiva. A Aliança Empregos Verdes nasce para conectar atores estratégicos e acelerar esse movimento, garantindo que a transição para uma economia mais sustentável também gere oportunidades para as atuais e as novas gerações”, afirma Mônica Dias Pinto, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.
A criação da Aliança Empregos Verdes responde às profundas transformações que vêm ocorrendo no mundo do trabalho diante da emergência climática e da transição para modelos produtivos mais sustentáveis. Novas ocupações vem surgindo, enquanto outras passam por mudanças significativas, exigindo qualificação, inclusão e coordenação entre diferentes setores da sociedade.
Neste contexto, o engajamento do setor privado é essencial. “O setor privado é central na transição para uma economia de baixo carbono e para a construção de um mercado de trabalho mais justo e sustentável. A Aliança Empregos Verdes reforça o compromisso do setor empresarial brasileiro para que a transição climática seja também uma transição justa, que amplie o acesso a trabalho decente e não deixe ninguém para trás. Convidamos as empresas signatárias e todas as organizações comprometidas com práticas sustentáveis a se somarem a essa iniciativa”, comenta Gabriela Rozman, Gerente de Educação e Inclusão Produtiva do Pacto Global da ONU-Rede Brasil.
Além de ampliar a participação do setor privado, é necessário qualificar as oportunidades verdes, defende Vivianne Naigeborin, Superintende da Fundação Arymax. “A transição para uma economia de baixo carbono representa uma grande oportunidade de desenvolvimento e geração de empregos no Brasil. No entanto, essa mudança precisa se concentrar não somente na quantidade de empregos verdes gerados, mas, principalmente, na sua qualidade e no seu potencial de inclusão social. É fundamental implementarmos programas e políticas que garantam que pessoas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade econômica, possam desenvolver as competências e habilidades necessárias para assegurar que essa transição seja portadora de oportunidades dignas de inclusão produtiva para todos”, afirma.
No Brasil, 2 milhões de adolescentes e jovens de 14 a 29 anos atuam em empregos verdes. Apesar de esforços crescentes para incluir habilidades verdes na educação profissional, essa oferta ainda é limitada e concentrada em regiões específicas, como os grandes centros urbanos.
Há, portanto, uma grande oportunidade para ampliar, qualificar e disseminar esse tipo de oportunidades no País. “A transição justa para uma economia de baixo carbono representa uma oportunidade histórica para ampliar a geração de empregos verdes e promover o desenvolvimento sustentável. Mas essa transformação somente será bem-sucedida se vier acompanhada de investimentos em aprendizagem ao longo da vida, desenvolvimento de competências e políticas públicas capazes de assegurar trabalho decente e inclusão para todas as pessoas. A Aliança Empregos Verdes representa um importante passo nessa direção ao reunir parceiros comprometidos em preparar trabalhadores e trabalhadoras para as ocupações do futuro e garantir que ninguém fique para trás”, afirma o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro.
“Apoiar a Aliança Empregos Verdes é estratégico para transformar qualificação em trabalho digno na economia de baixo carbono. Na Cooperação Brasil-Alemanha, integramos habilidades verdes à Educação Profissional e Tecnológica e aproximamos jovens – com foco em mulheres e grupos vulnerabilizados – das demandas dos setores sustentáveis. A Aliança conecta governo, empresas e sociedade civil, fortalece a inclusão produtiva e acelera uma transição justa que gera emprego, renda e inovação no país”, diz Jochen Quinten, Diretor Nacional da GIZ Brasil.
A oferta de empregos verdes não pode se limitar a pessoas brasileiras, mas deve também abarcar pessoas refugiadas e deslocadas, defende o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli. "As pessoas refugiadas e deslocadas a força estão entre as mais afetadas pelos impactos da crise climática, mas também têm muito a contribuir para as soluções. Envolve-las na transição para uma economia mais sustentável significa ampliar o acesso a empregos verdes, qualificação e oportunidades de geração de renda. O trabalho integrado entre organismos internacionais, sociedade civil organizada e o setor privado é decisivo nesse processo. Ao investir na inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas, as empresas fortalecem comunidades, impulsionam uma transição climática mais justa e demonstram que desenvolvimento sustentável e impacto social podem caminhar juntos", destaca.
O diretor do Departamento de Políticas de Trabalho para a Juventude, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), João Victor da Motta, destaca que a transição ecológica não é apenas uma necessidade presente, mas também uma oportunidade de reconfiguração econômica e social para todo o mundo. Para ele, o lançamento da Aliança pelos Empregos Verdes, consolida a premissa de que uma mudança dessa magnitude não se faz de forma isolada, mas exige o engajamento e a responsabilidade compartilhada entre o setor privado, o terceiro setor e as diversas esferas de governo. “Nosso compromisso nessa agenda busca garantir que as nossas juventudes desenvolvam as habilidades e competências necessárias para ingressar e protagonizar essa nova economia, ao mesmo tempo em que asseguramos uma transição justa, protegendo, amparando e requalificando os trabalhadores que já dedicam suas vidas ao mundo de trabalho”, ressalta.
O diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Leone Andrade, reforça que a preparação da força de trabalho é um dos pilares para uma transição ecológica inclusiva. “As transformações implusionadas pela economia verde estão ampliando a demanda por novas competências e perfis profissionais. Investir na qualificação é essencial para que trabalhadores e empresas estejam preparados para esse novo cenário, com mais oportunidades de emprego e desenvolvimento”, afirma Leone. O SENAI integra o comitê gestor da Aliança, na frente de trabalho “Formação, qualificação e requalificação para economia verde”.
Para ações ligadas a empregos e habilidades verdes, dentro da iniciativa Um Milhão de Oportunidades (1Mio), o UNICEF conta com a parceria estratégica de Iberdrola.
Evento via mobilizar o setor privado para aderir à Aliança
O evento de lançamento, que acontece no Amcham Business Center, em São Paulo, visa mobilizar o setor privado e demais instituições para a adesão formal às frentes de trabalho da Aliança e promover a colaboração intersetorial por meio de mesas temáticas voltadas aos principais desafios e oportunidades da economia verde.
A programação foi desenhada para incentivar a participação ativa dos diferentes atores presentes, promovendo espaços de diálogo e construção conjunta. Um dos diferenciais da iniciativa é o protagonismo intergeracional, com atividades conduzidas conjuntamente por lideranças jovens e adultas que integram o Comitê Gestor da Aliança.
Além disso, o economista Aguinaldo Maciente, da OIT, apresenta dados e tendências relacionados aos impactos da transição ecológica no mercado de trabalho brasileiro.
Sobre a Aliança Empregos Verdes
A Aliança Empregos Verdes é uma coalizão multissetorial que reúne governo, setor privado, organismos internacionais e sociedade civil para promover uma transição justa para uma economia de baixo carbono, ampliando oportunidades de trabalho decente e fortalecendo a inclusão produtiva. A iniciativa busca conectar sustentabilidade ambiental, justiça social e desenvolvimento econômico.
É liderada pelo UNICEF, em parceria com Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Fundação Arymax, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), além do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), e de movimentos sociais, como o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e o Fórum Paraense de Juventudes.



