A telemedicina veio para ficar?

Para 50% das indústrias brasileiras, sim. Gestores de empresas afirmam que a telemedicina garante segurança e facilita a vida do trabalhador

Imagem ilustra o atendimento da telemedicina
Segundo pesquisa do SESI, 58% dos 200 gestores de empresas de pequeno, médio e grande portes entrevistados disseram que os serviços de telemedicina devem se manter após o fim da pandemia

A pandemia de Covid-19 colocou o pé no acelerador em diversas transformações sociais e tecnológicas. Além da popularização de aulas virtuais, reuniões por videochamada e pedidos de comida via aplicativo, outra atividade rotineira está mudando: a consulta médica.

A telemedicina veio para ficar. Essa é a opinião de metade dos 200 gestores de empresas de pequeno, médio e grande portes entrevistados por uma pesquisa realizada pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e divulgada no fim de maio. Entre as grandes empresas, o percentual é ainda maior: 58%. Para esses gestores, a telemedicina é uma tendência que permanecerá após o fim da pandemia. 

No início do ano, a Bauducco, empresa com cerca de 7 mil funcionários em todo o Brasil, contratou os serviços de telessaúde do SESI. Se no início houve bastante estranhamento por parte dos pacientes, a adaptação à telemedicina foi mais rápida que o esperado.


“Tivemos que fazer um trabalho forte de comunicação e quem trabalha nas fábricas teve mais dificuldade em aceitar essa ideia. Mas, depois de um primeiro mês com pouquíssimos atendimentos, houve um salto significativo no segundo mês”, relata a coordenadora de RH da Bauducco, Ana Paula Arruda.


Entre janeiro e maio, mais de 1.000 colaboradores da empresa foram atendidos por meio da telemedicina. No caso de pessoas com suspeita de coronavírus, profissionais do SESI realizaram a coleta de sangue em domicílio.

“É um serviço que veio para ficar, até porque é uma questão de responsabilidade social. Um trabalhador com suspeita de Covid-19 que vai a um pronto-socorro pode, na verdade, se contaminar ali, se não estiver de fato com o vírus, e acabar contagiando outras pessoas dentro da fábrica”, reforça Ana Paula.

Ana Paula Arruda
Coordenadora de RH da Bauducco, Ana Paula acredita que a telemedicina seja uma questão de responsabilidade social

Mudança na legislação

Até abril de 2020, pouca gente recorria à telemedicina no Brasil. Devido à pandemia, o governo sancionou a Lei nº 13.989, autorizando a prática do serviço, definido como “exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”.

A autorização é condicional e temporária – só é permitida a realização de consultas e atendimentos a distância durante a crise sanitária. Foi definido que, passado esse período, a atividade deverá ser regulada pelo Congresso Nacional.

Pouco depois da sanção da lei, o SESI passou a oferecer, em 2020, o serviço de telemedicina para empresas. “Iniciamos com a estrutura que possuíamos e com médicos e enfermeiros do SESI. Mobilizamo-nos para garantir a segurança dos trabalhadores da indústria”, explica Katyana Aragão, gerente-executiva de Saúde e Segurança na Indústria do SESI Nacional.

De lá para cá, a demanda cresceu e, por isso, no segundo semestre de 2021, o SESI lançou uma nova plataforma de telessaúde, que engloba não apenas consultas com médicos e enfermeiros, mas também atendimento com nutricionistas e psicólogos, ampliando o acompanhamento ativo de pessoas com suspeita ou com confirmação de Covid-19.


"O SESI está desenhando um modelo de uso da telessaúde para apoiar empresas de todos os portes na gestão de saúde corporativa e no acesso a serviços de saúde de qualidade pelo trabalhador", diz o diretor-superintendente do SESI, Rafael Lucchesi.


A empresa de telefonia Claro adotou a telemedicina no ano passado com outras operadoras de saúde e afirma que tem colhido bons resultados. "Entendo que seja uma mudança de cultura grande por parte da nossa população, mas é uma ferramenta muito importante nesse momento", afirma Lilian Nunes Silva, gestora de Saúde e bem-estar da empresa.

Saúde suplementar

A pesquisa promovida pelo SESI também investigou os eventuais impactos que a pandemia provocou no sistema de saúde suplementar e nas próprias ações realizadas pelas empresas na promoção da saúde. 

Embora 54% das empresas ouvidas não tenham programas de promoção à saúde, esse tipo de iniciativa estará cada vez mais presente nas indústrias na visão de 81% dos gestores.

O percentual de empresas que não têm programa de promoção da saúde é puxado, principalmente, pelas de pequeno (59%) e médio (62%) portes. Entre as grandes indústrias, apenas 28% não possuem essas iniciativas.

Entre as empresas que oferecem ações de promoção da saúde, 81% realizam campanhas de vacinação, 78% fazem acompanhamento médico de hipertensos, 78% estimulam a atividade física de trabalhadores e 72% dão assistência aos que possuem diabetes.

Outra tendência é o maior cuidado com a saúde mental dos trabalhadores. Durante a pandemia, 65% das empresas intensificaram iniciativas para melhorar sua saúde mental e combater a depressão. Essas ações estão presentes em 93% das grandes indústrias.

A pesquisa traz, ainda, que entre as iniciativas mais adotadas pelas empresas para lidar com os desafios da pandemia no ambiente de trabalho estão antecipação de férias (64%), redução da jornada de trabalho (48%) e suspensão do contrato de trabalho (44%).

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