Elas na robótica. Elas na ciência

Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o SESI mostra como um currículo inovador incentiva a participação feminina nas disciplinas que preparam para as profissões do futuro
"Passei a enxergar a engenharia como uma ferramenta de desenvolvimento sustentável, social e tecnológico do planeta”, explica Beatriz

Quando entramos na escola, temos os primeiros contatos com conteúdos básicos, como o alfabeto e a tabuada. Ali, alguns já se identificam mais com um do que o outro e pensam “quando eu crescer vou trabalhar com essa área”. Entretanto, com o tempo as coisas mudam e descobrimos que nossa vocação pode ser diferente daquilo. A ex-aluna do Serviço Social da Indústria (SESI) Beatriz Mota de Sena, 18 anos, por exemplo, optou pela área de exatas após conhecer as competições de robótica da instituição e, hoje, comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.  

Ela fez parte das mais de 2.200 meninas, que representam 43% dos jovens que se inscreveram no Torneio SESI de Robótica FIRST LEGO League e descobriu o universo STEAM (sigla para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), metodologia de ensino presente em todas as escolas da rede, que abre portas para as profissões do futuro e exerce importante papel em estimular o acesso e a participação de meninas na ciência.

O interesse das meninas pelo conteúdo cresce cada vez mais

Entre os diversos momentos que passou com a equipe, ela destaca uma ação social em um orfanato próximo à escola. “Percebi que a robótica não é apenas montar alguns robôs. Com ela, eu posso ajudar as crianças e, principalmente, as meninas que, assim como eu, são de comunidade e não puderam ter um ensino de qualidade de base”, explica Beatriz.   

Beatriz (terceira da direta para esquerda) viajou para Abu Dhabi com a equipe SevenSpeed para competir em 2019

Incentivada pela professora de matemática Fernanda Gomes, Bia conheceu as equipes Tecnomaníacos (da modalidade FLL) e SevenSpeed (da modalidade F1), da Bahia, com a intenção de perder a timidez e melhorar as notas, sem imaginar que escolheria outra profissão para seguir a partir daquele momento.   

“Entrei no SESI aos 13 e tinha muita dificuldade com exatas por não ter tido uma base boa no fundamental. Com os treinamentos e as competições, passei a enxergar a engenharia como uma ferramenta de desenvolvimento sustentável, social e tecnológico do planeta”, conta ela, que começou a faculdade de Engenharia Mecânica agora, em 2020.   

E não para por aí! A baiana também decidiu fazer um curso técnico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em Mecânica de Precisão, para complementar o currículo.

Nos torneios de 2015, meninas já faziam parte e/ou até construíam as próprias equipes

O diretor de Operações do SESI, Paulo Mól, comemora o crescimento do interesse de meninas pela modalidade. “O fato de termos um grande número de meninas inscritas nos mostra que estamos no caminho certo: nossa abordagem para divulgar a robótica tem alcançado bem o público feminino, deixando esse público super à vontade para se engajar pela robótica no Brasil”, afirma.  

Robótica contribui para o crescimento profissional e pessoal

Mas não são só os jovens que mudam o rumo de suas vidas depois de conhecer a robótica do SESI. A professora de português e inglês de São Gonçalo do Sapucaí (MG), Rafaella Paiva Azzi, 35 anos, foi “picada pelo bichinho da robótica”, como ela mesma diz, após alguns anos lecionando na instituição.   

“Eu sempre gostei da parte que envolve pesquisa, descobrir coisas novas e trabalhar em equipe. Fui convidada para ir à temporada Nature’s Fury (edição de 2013/2014) e lá me apaixonei pelo torneio e pelas oportunidades que os alunos teriam em participar de um evento tão enriquecedor”, conta a técnica da equipe LEGO BROS.   

Depois de aceitar o convite para ter uma equipe, encontrou um técnico para dividir as tarefas e aprender a parte técnica junto com os alunos. Atualmente, ela é responsável pelo planejamento e acredita que desenvolveu um lado mais criativo. “Me aproximei mais da tecnologia para estar dentro do século 21 e da nova geração de alunos. Trabalho mais a interdisciplinaridade dentro da sala de aula e melhorei a comunicação”, explica.

Rafaella ainda destaca a importância da disciplina em seu crescimento pessoal. “Ser mulher em um cenário onde a maioria é homem traz ainda uma sensação de conquista e só reafirma como a mulher é peça fundamental e pode ser o que ela quiser”, afirma.  

A professora Rafaella Paiva aprende a parte técnica junto com os alunos

Maior participação de mulheres na ciência é tendência no Brasil e no mundo

No mundo, em geral, a participação de mulheres na ciência - a base do desenvolvimento da inovação - tem crescido de forma significativa. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) e o relatório Elsevier Gender in The Global Research Landscape (Gênero no cenário da pesquisa global, em tradução livre), de 2017, mulheres respondem por 40% dos pesquisadores em nove das 12 regiões geográficas analisadas: União Europeia (28 países considerados em bloco), Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Brasil, Dinamarca e Portugal.   

No Brasil, a relação de gênero, em número de pesquisadores, está mais próxima da igualdade: 49% dos autores de pesquisa e artigos científicos são mulheres. Só entre 2011 e 2015, a participação das mulheres cresceu 11% no país, índice semelhante ao da Dinamarca.

Sobre o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Liderado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pela Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), a data é celebrada cada ano em 11 de fevereiro. O dia foi aprovado pela Assembleia das Nações Unidas em 22 de dezembro de 2015 e é um lembrete de que as mulheres e as meninas desempenham um papel fundamental nas comunidades da ciência e tecnologia e que a sua participação deve ser fortalecida.

Mais informações no site Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (em inglês) e no site das instituições.

Relacionadas

Leia mais

Robotista: a profissão chave da Indústria 4.0
Volta às aulas 2020: estados começam a adotar o Novo Ensino Médio com formação profissional
A educação é o passaporte do jovem para o futuro do trabalho

Comentários