O Conselho Temático de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico (COPIN) debateu, na terça-feira (27), as prioridades da agenda da indústria para o próximo ciclo de governo. O diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Sérgio Telles, destacou os três pilares que sustentam as ações necessárias para promover o investimento e a competitividade do setor: consolidar a política industrial como política de Estado, combater o Custo Brasil e criar condições para a queda sustentada de juros.
“O objetivo central da nossa atuação é devolver à indústria a previsibilidade necessária para crescer em um cenário de custos menores e juros mais baixos”, destacou o diretor. Ele ressaltou que a aprovação do Projeto de Lei 4.133, que estabelece a política industrial, tecnológica, de inovação e de comércio exterior brasileira, é um passo fundamental nesse processo. “Precisamos estabelecer a política industrial em lei para assegurar estabilidade institucional e criar as bases de longo prazo para a inovação e a competitividade do nosso setor”, completou.
Telles reforçou aos conselheiros o conjunto de propostas apresentadas pela CNI no documento “Construindo o Brasil 2050”, apresentado a pré-candidatos à Presidência da República em junho. No eixo macroeconômico, além da redução estrutural dos juros, a instituição propõe o equilíbrio da dívida pública e a revisão das despesas obrigatórias e o aprofundamento do mercado de capitais e previdência complementar.
No eixo de desenvolvimento produtivo, além do avanço do PL 4.133, a CNI defende o incentivo às compras públicas e às missões da NIB (Programa Nova Indústria Brasil); a transição verde e digital; e a defesa comercial e integração global. E, na agenda microeconômica, medidas para redução do Custo Brasil e melhoria do ambiente de negócios.
Novo panorama do Congresso Nacional
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, aproveitou o encontro para falar aos conselheiros sobre a nova configuração do Congresso Nacional eleito para a próxima legislatura. Ele destacou que a indústria precisa se preparar para atuar em rede, dialogar mais com a base e atuar em defesa do setor independentemente da polarização política. “Precisamos entender que quando estamos protegendo a indústria, estamos protegendo o trabalho também. Hoje, a luta não é mais setorial, é de todos”, disse o diretor.
Radar da Indústria
A reunião do COPIN foi conduzida pelo vice-presidente do colegiado e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), João Dornellas.
Na oportunidade, o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, apresentou a sétima edição do Radar da Indústria, documento que apresenta um balanço dos instrumentos de política industrial e os desafios à competitividade. O material, também divulgado na terça-feira, informa que a política industrial brasileira recebeu um total de R$ 755,2 bilhões em crédito para o financiamento de 610 mil projetos entre 2023 e junho de 2026, revelando a ampliação de escala dos programas destinados ao setor, como o Plano Mais Produção (P+P).



