Estabelecer limites, dar feedbacks e comunicar decisões impopulares são desafios de quem lidera equipes. A segunda edição do Bate-papo com Elas, encontro on-line promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), aconteceu nesta quarta-feira (28), com o tema Coragem para liderar: as conversas que fortalecem equipes, relações e resultados.
A iniciativa integra a Academia de Líderes IEL e faz parte do programa LiderA. O debate destacou que liderar vai além de tomar decisões e alcançar metas: exige estabelecer limites, dar feedbacks, administrar conflitos e comunicar escolhas difíceis para fortalecer relações e conduzir equipes com clareza e confiança.
A convidada desta edição foi Thirza Reis, psicóloga, mestre em Desenvolvimento Humano pela Universidade de Brasília (UnB), mentora de líderes e autora. A abertura foi conduzida por Michelle Queiroz, gerente de Carreiras e Educação Executiva do IEL, e a conversa foi mediada por Mônica Monteiro, presidente do Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME), da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Mônica ressaltou que o medo de desagradar pode dificultar conversas necessárias nas relações pessoais e profissionais.
"Seja para discordar, dar um feedback, estabelecer limites ou comunicar decisões impopulares, muitas vezes o medo de desagradar ou gerar conflitos nos leva ao silêncio. Aprender a conduzir essas conversas exige coragem, comunicação e posicionamento, competências fundamentais para fortalecer relações e fazer escolhas mais conscientes ao longo da vida”, afirmou Mônica Monteiro.
Como se preparar para uma conversa difícil
Thirza Reis defendeu que, antes de iniciar uma conversa difícil, é preciso reconhecer as próprias necessidades, compreender os valores pessoais e definir o que se deseja comunicar. Para ela, esses diálogos devem ser encarados como conversas corajosas, que exigem clareza de intenção e preparo.
Segundo a mentora, conversar é uma competência relacional que pode ser desenvolvida. “Uma pergunta para a gente se fazer como líder é: qual é a nossa intenção? Conversar é uma competência relacional. Isso é ótimo, porque, se é uma competência, significa que a gente pode aprender. É preciso ter coragem e agir, considerando o que importa profundamente para nós”, afirmou a psicóloga.
A autoliderança foi outro ponto de debate. Compreender os próprios valores e reconhecer limites ajuda a definir como agir e se posicionar. “Essa consciência contribui para decisões mais coerentes e relações profissionais mais saudáveis”, apontou Thirza.
A mentora ressaltou que a empatia também pode ser aprendida e aprimorada. Mais do que presumir o que outra pessoa sente, ser empático significa escutar sua experiência e reconhecer que ela pode perceber e vivenciar uma situação de maneira diferente.
Liderança feminina, autocobrança e o desafio de estabelecer limites
A discussão avançou para as expectativas sociais relacionadas ao cuidado, à vida familiar e ao desempenho profissional, que podem aumentar a autocobrança das mulheres. Thirza observou que o medo de decepcionar, gerar conflitos ou frustrar expectativas dificulta o estabelecimento de limites e leva muitas mulheres a silenciarem suas próprias necessidades.
“Nós, mulheres, precisamos de um olhar mais carinhoso para esse processo, porque dizer não, se posicionar e sustentar conversas difíceis envolve romper com crenças profundas sobre o que aprendemos que é ser mulher. Desde cedo, somos ensinadas a colocar as necessidades dos outros à frente das nossas e a nos responsabilizar pelo bem-estar de todos. Por isso, muitas vezes, temos dificuldade de nos posicionar sem sentir culpa”, explicou a psicóloga.
No ambiente de trabalho, esse comportamento pode tornar ainda mais desafiadoras situações como comunicar decisões impopulares, corrigir condutas ou administrar conflitos. Para a especialista, reconhecer esses padrões é um passo importante para que as mulheres consigam se posicionar sem transformar cada decisão difícil em motivo de culpa.
Durante a conversa, Mônica questionou como as líderes podem reconhecer e respeitar os próprios limites, expressar suas convicções e se posicionar de forma autêntica diante dos desafios profissionais e pessoais. Thirza reforçou que identificar os diálogos necessários e definir a intenção de cada conversa ajuda a comunicar necessidades com clareza e a construir relações mais saudáveis.
Liderança pode ser desenvolvida
Ao perguntar o que significa ser líder nos dias de hoje, Mônica compartilhou sua admiração por mulheres que ocupam espaços de decisão.
“Fico encantada quando vejo mulheres liderando, seja em plenárias ou congressos. Ontem, assisti à Benedita da Silva e pensei: ‘Que mulher!’. Sua voz, sua presença, com mais de 80 anos, são inspiradoras. Isso me faz refletir sobre a liderança: será que o líder nasce líder ou desenvolve essa capacidade ao longo da vida?”, questionou a executiva.
Em resposta, Thirza destacou que a liderança não é necessariamente um talento inato, mas uma competência que pode ser desenvolvida ao longo da vida, com base no respeito, na colaboração e no cuidado com as pessoas.
Reconhecer limites para fazer escolhas mais conscientes
Ao compartilhar sua trajetória pessoal e profissional, Thirza relacionou essas reflexões ao seu livro Basta: liberte-se da exaustão e da culpa e faça sua vida caber. A obra surgiu de experiências que a levaram a refletir sobre sobrecarga, limites e a necessidade de construir uma rotina com mais espaço para o que realmente importa.
A autora defendeu que reconhecer o próprio desconforto pode ser um sinal de que algo precisa mudar. Em vez de ampliar a capacidade de assumir demandas, ela propõe escolhas alinhadas aos valores pessoais e ao sentido que cada pessoa deseja atribuir à vida.
Assista à segunda edição do Bate-papo com Elas na íntegra:
Desenvolvimento de lideranças femininas
O Bate-papo com Elas é uma iniciativa do IEL que integra as ações do LiderA, Programa de Liderança Feminina na Indústria. O programa conecta empresárias e executivas a oportunidades de capacitação, inovação e desenvolvimento de negócios, com foco no fortalecimento da competitividade e na ampliação do protagonismo feminino.
A cada edição, o encontro reúne mulheres para compartilhar experiências, discutir desafios do mundo dos negócios e refletir sobre questões que impactam organizações e pessoas. A proposta é estimular competências para uma liderança mais consciente, capaz de fortalecer equipes, construir relações de confiança e tomar decisões com clareza.






