Sistema Indústria apresenta inovação na Amazônia e debate financiamento na COP17

Com destaque para painel sobre inovação e saúde na floresta, agenda da indústria nos dias 27 e 28 de outubro reuniu debates sobre a Lei da Biodiversidade, agronegócio e créditos ambientais

Foto: Divulgação/CNI

A atuação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (COP17) teve uma programação intensa nos dias 27 e 28 de outubro. Marcando presença nas Zonas Verde e Azul da conferência em Yerevan, a delegação do setor produtivo debateu desde a aplicação prática da inovação socioambiental na Amazônia até a estruturação de mercados globais de créditos de biodiversidade e acesso ao patrimônio genético. 

Inovação amazônica em foco: o painel do Pará 

Na terça-feira (27), o grande destaque da programação na Zona Verde foi o painel sobre saúde embarcada e inovação bioeconômica na Amazônia, com a participação do Sesi Pará e da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). O encontro apresentou ao público internacional como a indústria paraense conecta inovação, tecnologia de ponta e sustentabilidade para responder aos desafios logísticos e sociais da região. 

Representando o SESI Pará, Jacilaine de Souza detalhou a atuação da Unidade de Saúde Embarcada Copaíba, iniciativa que combina telessaúde e diagnósticos preventivos para atender trabalhadores e comunidades ribeirinhas em locais de difícil acesso. 

“A Unidade de Saúde Embarcada Copaíba, por meio da telessaúde, de diagnósticos avançados e de tecnologia de ponta, possibilita o acesso à assistência preventiva para trabalhadores e comunidades ribeirinhas em localidades de difícil acesso. Nosso compromisso, enquanto SESI regional, está pautado na cultura prevencionista, no fortalecimento da produtividade, na competitividade perene da indústria e no impulsionamento do desenvolvimento sustentável na Amazônia”, destacou. Jacilaine.  

Na sequência, Deryck Martins, representando a Fiepa, abordou as barreiras para transformar soluções tecnológicas desenvolvidas na Amazônia em projetos de impacto social duradouro e de grande escala. 

“Um dos principais desafios é superar questões estruturais, como infraestrutura, logística e conectividade, e criar condições para que as soluções inovadoras ganhem escala. Para isso, é fundamental articular empresas, governos, instituições de pesquisa e comunidades, garantindo que a tecnologia seja acessível, adequada à realidade local e capaz de gerar benefícios permanentes para a segurança, a renda e a qualidade de vida, aliados à conservação da floresta”, explicou Martins. 

Repartição de benefícios  

No dia 27, representantes da CNI também participaram do painel "From Biodiversity to Beauty", realizado em parceria com a ABIHPEC, Natura, Beraca e Ambiente Global, que discutiu a experiência brasileira de Acesso e Repartição de Benefícios (ABS) sob a Lei nº 13.123/2015. A apresentação destacou a perspectiva da indústria sobre segurança jurídica, aprendizados regulatórios e as negociações em curso sobre Sequências Genéticas Digitais (DSI). 

Setor agropecuário  

Outro evento importante trouxe para o debate sobre compliance. Promovido pela CNI, CropLife Brasil, Renera e ApexBrasil, o evento abordou como setor produtivo rural tem realizado uma contribuição ativa no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. Com participação de Geórgia Franco, analista da CNI, o painel debateu instrumentos como o Plano ABC+, a Política RGen+Sustentável, a reciclagem de embalagens (Sistema Campo Limpo) e práticas de agricultura regenerativa. 

Créditos de biodiversidade e mercado financeiro  

Nesta quarta-feira (28), os debates concentraram-se no Business and Finance Hub durante a sessão "Can Biodiversity Credits Become Financial Assets? Evidence and Pathways from Brazil". Conduzido pela GSS e com participação de Carolyne Caetano, analista da CNI, e Caroline Grassl, da Beraca, o debate examinou como transformar métricas de conservação em ativos financeiros líquidos e confiáveis. 

O painel explorou os caminhos para ancorar mecanismos formais de créditos de biodiversidade no regime brasileiro de repartição não monetária da Lei nº 13.123/2015. A iniciativa discutiu como dar escala ao mercado voluntário com base em governança pública (como o Fundo Nacional para a Repartição de Benefícios - FNRB), metodologias de mensuração sólidas e garantias de integridade socioambiental para comunidades locais e tradicionais. 

A COP17 da Biodiversidade segue até esta sexta-feira (30), em Yerevan, na Armênia.  

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