Na expectativa da aplicação provisória do acordo Mercosul-União Europeia, prevista para 1º de maio, a Confederação Geral da Indústria Italiana (Confindustria) sedia nesta quinta-feira (23), em Roma, o 1º Encontro de Alto Nível sobre Relações Econômicas Itália–Mercosul.
A agenda reúne as principais lideranças industriais do Mercosul, incluindo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e da Itália, às vésperas de um momento estratégico para as relações econômicas entre os blocos.
Para o Brasil, a expectativa é que 82,7% das exportações para o bloco europeu ingressem sem imposto de importação a partir do próximo mês. O presidente da CNI, Ricardo Alban, participa do encontro.
Além dele, a reunião na Itália conta com a presença das demais lideranças do Conselho Industrial do Mercosul (CIM): o presidente da Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU), Leonardo García; o presidente da União Industrial Argentina (UIA), Martín Rappallini; e o vice-presidente da União Industrial Paraguaia (UIP), Carlos Insfran Micossi.
Também participam o presidente da Confindustria, Emanuele Orsini; a vice-presidente de Exportações e Atração de Investimentos do país, Barbara Cimmino; e a vice-diretora da BusinessEurope, Luisa Santos.
CNI defende diálogo para transformar texto do acordo em resultados
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o diálogo entre as lideranças industriais é fundamental para transformar o acordo entre os blocos em resultados efetivos. “A entrada em vigor do acordo Mercosul-UE abre uma janela histórica de oportunidades.
O diálogo direto entre as indústrias é fundamental para que possamos identificar prioridades, superar desafios e garantir que os benefícios previstos no tratado se traduzam em mais investimentos, comércio e competitividade para nossas economias”, avalia Alban.
A reunião em Roma pretende fortalecer o diálogo estratégico entre o Mercosul e a Itália, aumentar a cooperação institucional - incluindo parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) - e promover qualificação profissional, com foco em setores como têxtil, moda e couro.
A agenda também prevê discussões para identificar oportunidades de integração produtiva, avançar em temas como transição verde e transformação digital e criar mecanismos de colaboração entre empresas.
Acordo vai beneficiar mais de 700 milhões de pessoas
Ao entrar em vigor em maio, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia vai compreender um mercado de mais de 712 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) de cerca de US$ 22,4 trilhões.
Na prática, o tratado prevê a eliminação de tarifas sobre cerca de 95% dos bens exportados para a UE, além de avanços em áreas como desenvolvimento sustentável, facilitação de comércio e propriedade intelectual.
Tratado deve impactar comércio, produção e empregos
Os dados do comércio entre Brasil e União Europeia indicam o potencial do acordo para ampliar a relação econômica entre os blocos. De acordo com levantamento da CNI com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2024, a cada R$ 1 bilhão em exportações brasileiras para a UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.
Em 2025, o bloco europeu recebeu US$ 49,8 bilhões das exportações brasileiras - 14,3% do total exportado pelo país - e foi o segundo principal parceiro comercial do Brasil.
A indústria ocupa papel central nessa relação. Em 2025, 98,8% das importações brasileiras da UE foram produtos da indústria de transformação, essenciais para o acesso a insumos, tecnologias e bens de maior valor agregado. Já nas exportações brasileiras ao bloco, 47,4% corresponderam a bens industriais, uma participação que tende a crescer com a implementação do acordo.
Além disso, a União Europeia é o principal investidor estrangeiro no Brasil e respondeu por 31,6% do estoque de investimento produtivo externo em 2023, o equivalente a US$ 321,4 bilhões, enquanto o Brasil é o maior investidor latino-americano no bloco.
Comércio entre Brasil e Itália aumentou em 2025
O encontro também evidencia a importância da relação bilateral entre Brasil e Itália. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 12,4 bilhões, aumento de 14,4% em relação a 2024. A indústria de transformação tem papel central nessa parceria, respondendo por quase metade das exportações brasileiras e pela maioria das importações do país europeu.



