Pesquisa Firjan: número de mulheres na indústria fluminense cresceu 70% desde 2020

A pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense traz um diagnóstico essencial para identificar oportunidades de evolução no cenário estadual

Foto: Iano Andrade/CNI

Empresas mais diversas tendem a tomar decisões mais qualificadas e a responder melhor às transformações do mercado. Com foco nessa premissa, a Firjan investigou as desigualdades e os avanços do setor para criar a primeira Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense, um diagnóstico essencial para identificar oportunidades de evolução no cenário estadual. A coleta de dados para o estudo foi realizada entre 6 de maio e 7 de julho de 2025, com 130 empresas do Estado do Rio de Janeiro.

O estudo identificou que o número de mulheres na indústria fluminense cresceu 70% desde 2020, um avanço superior ao observado entre os homens (+34%), de acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar de a participação das mulheres na indústria do estado ter atingido seu maior nível histórico, ela ainda é a menor se comparada com outros setores econômicos. A indústria tem apenas 22,3% da força de trabalho do Rio de Janeiro, enquanto os homens correspondem a 77,7% da ocupação. É o segundo setor com maior desigualdade de gênero no estado.

De acordo com o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, a pesquisa não apresenta soluções prontas. Para a federação, a construção conjunta, o compartilhamento de aprendizados, as parcerias e o engajamento contínuo são peças-chave para caminhos possíveis com foco em maior equidade e inclusão no setor industrial. 

“Caminhos que fortalecem a diversidade nas empresas necessitam ser pavimentados e orientados por meio de profundo engajamento da alta liderança e forte cultura organizacional. A publicação traz cases de sucesso, demonstrando o que o setor já realiza em prol da diversidade nos negócios”, enfatiza Caetano.

Para Carla Pinheiro, diretora da Firjan e presidente Conselho Empresarial de Mulheres, salienta que “dados concretos nos possibilitam conhecer o cenário no qual estamos inseridos, auxiliam na construção de ações mais precisas e efetivas e apontam para oportunidades de avanços e de fortalecimento dos negócios”.

Ela lembra que, apesar dos desafios, que vão desde barreiras culturais e vieses organizacionais a necessidade de promoção de políticas de equidade, atuar em prol da diversidade gera impactos positivos na produtividade, na inovação, na competitividade e na sustentabilidade dos negócios.

Já o gerente de Sustentabilidade da Firjan, Jorge Peron Mendes, defende que a diversidade se caracteriza, inclusive como boas práticas de governaça nas empresas globais. “As melhores práticas de governança corporativa ao redor do mundo comprovam que a diversidade é um elemento formador da cultura das organizações empresariais e que contribui com os resultados operacionais. Para isso, as estratégias empresariais de diversidade partem de um diagnóstico estruturado”, complementa Peron.

Conclusões

O estudo focou em três princípios: panorama da inserção de trabalhadores e trabalhadoras na indústria; percepções e práticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) adotadas pelas empresas; e cases de boas práticas DEI das empresas com foco em gênero.

Em relação ao tópico liderança feminina por divisão ocupacional, em um recorte nacional, o estudo mostra que as mulheres são maioria nas lideranças de ocupações relacionadas a cuidado, educação e recursos humanos.

Acerca de distribuição dos cargos de liderança na indústria brasileira por raça e sexo, homens brancos predominam nos cargos de liderança da indústria brasileira, de acordo com dados da PNAD.

Entre 2023 e 2025, na Indústria nacional, os cargos de liderança foram ocupados majoritariamente por homens brancos (51,3%). Homens negros e mulheres brancas apresentaram participações próximas, de 20,4% e 19,8%, enquanto mulheres negras são sub-representadas, com apenas 7,4% dos cargos no país.

Em 10 anos, houve aumento pouco expressivo de pessoas negras na liderança da indústria brasileira, segundo pesquisa elaborada pela Firjan a partir da PNAD: homens negros (+0,6 ponto percentual) e mulheres negras (+1,6 ponto percentual).  

No tópico que trata da implementação de programas de Diversidade, Equidade e Inclusão, 70,4% das empresas multinacionais apresentam nível avançado ou muito avançado e 24,3% das empresas nacionais alcançam esse mesmo patamar.

Já empresas de micro e pequeno porte, especialmente as de capital nacional, revelam necessidade de avanço no tema, uma vez que 17,7% não iniciaram ações voltadas à diversidade e inclusão.

As práticas adotadas em programas de DEI mais citadas pelas empresas são a flexibilidade no trabalho (51%) e as políticas de diversidade no recrutamento de cargos não gerenciais (47%).  

O que está sendo feito?

Entre os cases citados no documento, estão:

  • o  programa Autonomia e Renda Petrobras, iniciativa que visa promover a autonomia econômica e a geração de renda para grupos minoritários, por meio da qualificação profissional;
  • a da Enel Distribuição Rio, que criou a Escola de Mulheres Eletricistas e formou 46 mulheres 2025, das quais 78% foram contratadas pela própria empresa; e
  • a da Firjan IEL em parceria com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), que desenvolveram o programa Gestão e Governança Corporativa Feminina, com o objetivo de fortalecer a atuação de lideranças femininas e apoiar a agenda de diversidade e inclusão da companhia.

Outros projetos realizados pela Firjan SENAI SESI se destacam, como: o curso gratuito de Instalador Hidráulico realizado pela empresa Iguá, na zona oeste da capital; ou o projeto Elas Transformam, uma parceria com a Iconic, para formar Operadoras de Processos Petroquímicos na Baixada Fluminense.

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