Muito além do check-up: como o cuidado invisível transforma a saúde da mulher

Passado o Dia Internacional da Mulher, a médica do SESI Monique Valerio alerta para cuidados como: sono adequado e alimentação equilibrada, medidas importantes para prevenir problemas e manter o bem-estar

Foto: Shutterstock

A rotina intensa e o acúmulo de responsabilidades impactam a saúde feminina. Sintomas como cansaço permanente, perda de energia para atividades simples e o aparecimento de dores indicam a necessidade de uma avaliação médica, pois podem estar associados a condições clínicas específicas e, por isso, não podem ser ignorados.

Exames como Papanicolau e mamografia são fundamentais na atenção à saúde da mulher, mas a médica do Serviço Social da Indústria (SESI), Monique Valerio, afirma que o cuidado integral inclui a atenção aos sinais cotidianos do corpo, além do rastreio de doenças específicas. “A conversa sobre saúde da mulher concentra-se em exames preventivos, mas o cuidado é mais amplo. Cansaço constante, dores frequentes, insônia e sobrecarga persistente são sinais muitas vezes naturalizados, mas que indicam condições de saúde que merecem atenção. O importante é aprender a escutar o próprio corpo”, afirma a médica.

Para a médica, ampliar o olhar sobre a saúde feminina é fundamental. Muitas mulheres acabam priorizando o cuidado com a família e o trabalho, deixando-se em segundo plano. O acompanhamento regular com médico de família, um clínico geral ou ginecologista, e a atenção aos hábitos de vida - como sono adequado, alimentação equilibrada e cuidado com o estresse - são medidas importantes para prevenir problemas e manter o bem-estar. 

“O clínico geral ou médico de família costuma ser um bom ponto de partida, pois pode fazer uma avaliação mais ampla da saúde e orientar os próximos passos. Dependendo da situação, outros profissionais também podem contribuir, como endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos”, orienta Monique Valerio.

Quando o corpo pede atenção 

Foi ao perceber sintomas recorrentes que a auxiliar de serviços gerais Leda Crisley Silva,30 anos, decidiu procurar ajuda médica. “Há cerca de três anos, comecei a perceber que algo não estava normal. Sentia muito cansaço e dores que se intensificavam durante a menstruação, por causa do ovário policístico que tenho. Depois que tive meu segundo filho, passei a me preocupar mais com a minha saúde. Pensei que precisava me cuidar para poder cuidar deles também. Foi quando decidi procurar ajuda e iniciar o tratamento”, relata. 

Leda lembra que as mudanças de humor também foram um sinal de alerta. “Meu marido dizia que eu não estava normal, que meu humor tinha mudado muito. Essa percepção dele foi importante para eu buscar ajuda”, conta Silva.  

Mulheres e os hormônios

A falta de energia frequente também pode estar associada a alterações hormonais ou nutricionais. Problemas na tireoide, mudanças relacionadas ao ciclo reprodutivo e deficiências nutricionais.

A anemia por falta de ferro está entre as causas relativamente comuns de cansaço persistente. “Sentir dor ou cansaço ocasionalmente faz parte da vida, mas dores muito intensas ou frequentes não devem ser normalizadas. Muitas mulheres convivem por anos com falta de disposição, enxaquecas ou cólicas incapacitantes acreditando que é normal, quando na verdade esses sintomas podem ter diferentes causas e merecem avaliação médica”, reafirma a médica. 

Distúrbios hormonais, como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), manifestam-se por irregularidade menstrual, ganho de peso, acne ou infertilidade. O diagnóstico precoce previne complicações e amplia a qualidade de vida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a SOP afeta entre 8% e 13% das mulheres em idade reprodutiva globalmente, embora muitos casos sigam sem diagnóstico. “Alterações no ciclo menstrual, especialmente ciclos espaçados ou irregulares, sinalizam a síndrome. Esses indícios tornam-se mais evidentes quando acompanhados de acne persistente, hirsutismo (aumento de pelos) ou variações de humor”, indica Monique.

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