Prêmio inédito para meninas da robótica celebra Dia Internacional da Mulher

Elas são quase 50% dos competidores do Festival SESI de Educação e inspiram outras meninas a ocupar espaço na robótica e nas áreas de STEAM

Para incentivar as meninas na robótica, ex-competidoras e juízas criaram o Girl Inspire, prêmio extraoficial que reconhece jovens que promovem inclusão feminina no STEAM e representam os valores da FIRST.
Foto: Gilberto Sousa / CNI

Juízas, engenheiras, programadoras ou pilotas: elas ocupam todos os espaços nos Torneios de Robótica, organizados pelo Serviço Social da Indústria (SESI). Neste domingo (8), o Dia Internacional da Mulher tem um significado especial para muitas participantes do Festival SESI de Educação, realizado em parceria com o Conselho Nacional do SESI. Nesta edição, as meninas representam quase 50% dos estudantes que disputam vagas para a etapa mundial da competição, realizada em Houston, nos Estados Unidos. 

Para incentivar cada vez mais a participação delas, ex-competidoras e juízas voluntárias criaram o Girl Inspire, um prêmio extraoficial que reconhece uma jovem que represente, de forma exemplar, os valores da FIRST, o impacto positivo na promoção da inclusão de meninas no STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e o propósito da FIRST® LEGO® Girls (FLG), comunidade fundada em 2020. 

A primeira edição do prêmio, que será entregue na final do festival, contou com 45 indicações de garotas de equipes da FIRST® LEGO® League Challenge (FLLC) de todo o país. Dessas, 10 foram classificadas como finalistas. Na segunda etapa da avaliação, as meninas passaram por entrevistas presenciais. 

A comunidade feminina, fundada há seis anos, já beneficiou mais de 15 mil garotas, tanto no Brasil quanto no exterior, por meio de formações e oficinas que promovem o engajamento feminino na modalidade. A paulista Victória Vilela, 22 anos, é uma das cofundadoras da FLG. Para ela, a premiação ganhou um significado ainda mais especialr. 

“Reconhecer o potencial de uma competidora no Dia Internacional da Mulher nos permite inspirar outras meninas a se envolver e acreditar no próprio talento. Tenho certeza de que a vencedora será uma grande referência”, destacou. 

Vitória entrou na robótica aos 11 anos e, após representar o Brasil em cinco temporadas internacionais, hoje atua como juíza e árbitra.
Foto: Gilberto Sousa / CNI

Vitória entrou para o universo da robótica muito jovem, com apenas 11 anos. Ela conta que, na época, não havia tantas juízas mulheres como hoje e não era tão comum ver meninas desempenhando funções de programação ou envolvidas na construção do robô. 

Após dedicar metade da vida à robótica e participar de cinco temporadas representando o Brasil em campeonatos internacionais, ela se tornou referência dentro e fora das arenas. Atualmente, é juíza-chefe de projeto de inovação e árbitra. 

“Hoje, curso engenharia mecatrônica motivada pela minha história na robótica. Ingressar nesse universo transformou a minha vida e acredito que, por meio da FLG, posso contribuir para transformar a vida de outras garotas também”, disse Vitória.  

Baiana de 16 anos vai à China para imersão em programa de STEM 

A estudante Alessandra Cardim, 16 anos, de Salvador (BA), está entre os 10 estudantes brasileiros selecionados para participar do AFS Global STEM Academies 2026, programa que oferece bolsas integrais para jovens de 15 a 17,5 anos. 

Aluna do SESI Bahia, Alessandra foi selecionada para um programa intercultural da AFS após disputar vaga com mais de 7 mil inscritos do Brasil.
Foto: Gilberto Sousa / CNI

O programa, focado em sustentabilidade e nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática), combina 12 semanas de aprendizado virtual em uma universidade norte-americana, com quatro semanas de imersão presencial na China, Egito ou Índia. Alessandra foi selecionada para ir à China, com todas as despesas pagas pelo AFS Global. Ao final do programa, ela receberá o Certificado Avançado em Competência Global para Impacto Social, concedido pela AFS e pela Universidade da Pensilvânia. 

A AFS é uma organização internacional, educacional, voluntária e sem fins lucrativos, que oferece oportunidades de aprendizagem intercultural. Alessandra descobriu a oportunidade ao pesquisar nas redes sociais. Aluna do 3º ano da escola SESI Reitor Miguel Calmon, Alessandra foi selecionada entre mais de 7 mil inscritos do Brasil. O processo teve candidatos de mais de 15 países. Apenas 142 jovens em todo o mundo foram escolhidos. Ainda eufórica com o resultado, Alessandra acredita que conseguiu a vaga graças a uma soma de fatores que passam pelo processo de aprendizado e experiências no SESI. 

Ela ingressou na rede educacional do SESI da Bahia como bolsista, em 2024. Sempre com o olhar direcionado para o futuro, uma das suas primeiras iniciativas foi se inscrever no Clube de Relações Internacionais como atividade extracurricular. 

O Clube promove, no turno oposto das aulas, simulações da ONU em que os estudantes assumem o papel de diplomata para debater questões globais reais. O objetivo é desenvolver habilidades de negociação, oratória e pensamento crítico. 

Além disso, Alessandra também se inscreveu na Iniciação Científica e na Liga de Robótica da Escola SESI, que abriu espaço para que ela fizesse parte da atual formação da escuderia Seven, equipe que já foi três vezes campeã nacional e representou o Brasil no torneio mundial da STEM Racing™, modalidade de robótica estudantil adotada pelo SESI. 

Ela desenvolveu na Iniciação Científica um projeto que avalia a presença de metais pesados nos mariscos e peixes da baía de Todos os Santos. O projeto surgiu da percepção da realidade da comunidade em que vive, onde há muitos pescadores, e do interesse pela sustentabilidade. 

 “Acredito que tudo isso contribuiu para que eu fosse uma das 30 selecionadas para a segunda etapa, que era uma entrevista em inglês”, conta Alessandra. 

Número de alunas nas equipes de robótica aumentou em 88% no Rio de Janeiro 

De 2022 a 2025, o número de alunos e alunas das escolas do SESI no Rio de Janeiro em aulas de robótica cresceu de 1.032 para 1.736 (+68%), com um aumento especial das meninas: de 424 para 798 (+88%). Elas já correspondem a 46% dos integrantes de equipes de robótica.  

Elloá Conceição e Souza, 16 anos, da escola FIRJAN SESI São Gonçalo, é uma delas. Ela faz parte da equipe, Tech Fênix, composta por 90% de mulheres. “É um grande orgulho para mim, como mulher e negra, representar o público feminino, e talvez inspirar outras meninas a seguirem esse caminho ainda tão conhecido pela participação masculina”, conta Elloá, que decidiu seguir na área de programação depois da robótica ajudá-la a se manter focada nos estudos. 

“Perdi minha mãe pouco antes da pandemia, minhas notas começaram a cair e fiquei pela primeira vez em recuperação. Conheci a robótica num curso preparatório para escolas como o SESI, onde uma ex-membro da equipe esteve para apresentar o projeto, e isso me estimulou muito. Tanto que hoje quero seguir na área”, completou. 

Elloá Conceição e Souza, 16, da FIRJAN SESI São Gonçalo, integra a equipe Tech Fênix, formada majoritariamente por meninas.
Foto: Marcos Issa / Argosfoto

No Ceará, meninas integram equipe de robótica antes formada só por meninos 

As estudantes da equipe Ironhide, Sofia, Maria Luíza e Maria Eduarda, que competem na FIRST Tech Challenge (FTC), contam que a entrada na robótica exigiu mudanças na rotina e dedicação além da sala de aula. Para participar dos treinamentos, elas precisam se deslocar de outra cidade, reorganizar horários e conciliar estudos para conseguir se prepararem para as competições.  

O interesse surgiu durante aulas que faziam parte da carga horária escolar e foi reforçado quando conheceram a primeira geração da equipe, até então formada só por meninos. Depois de acompanharem as atividades e projetos de apresentação da competição, decidiram integrar o grupo e passaram a ser as primeiras meninas da equipe Ironhide, com funções técnicas e participação na construção do time. 

Da esquerda para a direita: Sofia, Maria Luíza e Maria Eduarda, estudantes da equipe Ironhide, que competem na FTC e conciliam rotina de estudos e deslocamentos para treinar robótica.
Foto: George Lucas / FIEC

Ao longo dos treinos e competições, elas desenvolveram habilidades técnicas, disciplina e capacidade de lidar com desafios e pressão. A participação também contribuiu para que passassem a considerar, de forma concreta, carreiras nas áreas de STEAM. 

“Aprendemos a projetar, programar, liderar e a lidar com erros como parte do processo. A experiência nos mostrou que também pertencemos a esse espaço e nos ajudou a enxergar caminhos possíveis na área”, contaram Sofia Laila Nobre Rufino, 16 anos; Maria Luiza Silva Santos, 17 anos; e Maria Eduarda Lopes Batista, 17 anos. 

Avante, meninas! Não há limites para nós. 

Pelas jornalistas Giovanna Chmurzynski e Marcella Trindade

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