O que uma empresa ganha ao contratar um pesquisador? Mais inovação, desenvolvimento de soluções e competitividade. É essa conexão entre o conhecimento produzido nas universidades e as demandas da indústria que o Inova Talentos, programa do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), busca fortalecer.
Para apresentar essas oportunidades a empresários e instituições de pesquisa, o Road Show Inova Talentos iniciou sua edição de 2026 pelo Distrito Federal. O evento, correalizado pelo IEL-DF, ocorreu em 25 de junho, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, reunindo representantes da indústria, da academia e de instituições de pesquisa e inovação.
Ao abrir o encontro, a superintendente nacional do IEL, Sarah Saldanha, destacou que inovar deixou de ser uma escolha para se tornar uma estratégia essencial para a competitividade da indústria. "Para que a indústria de fato prospere, se consolide e reforce sua relevância para a competitividade do setor produtivo, a inovação não é mais uma escolha. É mandatória para processos de desenvolvimento e para o enfrentamento de questões relacionadas à descarbonização, à digitalização dos negócios e à internacionalização."
Criado em 2013, o Inova Talentos permite que técnicos, universitários, mestres e doutores atuem em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) dentro da indústria. Por meio de bolsas de pesquisa, empresas encontram profissionais qualificados para desenvolver soluções inovadoras, enquanto pesquisadores vivenciam desafios reais do setor produtivo, unindo aprendizado e prática.
Para o coordenador-geral de Promoção à Inovação e ao Transbordamento do Conhecimento em Ciência, Tecnologia e Inovação do CNPq, Marcio Ramos de Oliveira, ampliar a presença de pesquisadores nas empresas é fundamental para fortalecer a inovação no país. "Quando a gente olha dados sobre empregabilidade, observa que hoje em dia cerca de 70% dos doutores do Brasil estão concentrados nas universidades. Na indústria de transformação, por exemplo, não chega a 5% — é um número pequeno. Quando a gente olha para o resto do mundo, o quadro é exatamente o oposto", compara.
Casos de sucesso
Além de apresentar como o programa funciona, o Road Show mostrou, na prática, como a parceria entre empresas e pesquisadores gera resultados concretos.
O público acompanhou o painel Inovação e PD&I na Prática: Desafios e Oportunidades para Empresas do DF, com José Leandro Cardoso, engenheiro de Manutenção do Grupo Sabin; Daniel Monteiro Rosa, diretor-presidente da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec); e José Sérgio de Jesus, presidente da União Pioneira da Integração Social (Faculdade Upis). Os convidados compartilharam experiências sobre os desafios da inovação nas empresas e a importância de fortalecer a conexão entre o setor produtivo, universidades e instituições de pesquisa. A mediação foi conduzida pela analista em Ciência e Tecnologia do CNPq, Aline Chianca Dantas.
O evento também reuniu empresas e profissionais que já participaram do Inova Talentos e colheram resultados com o programa. Na Natura, por exemplo, a iniciativa já resultou na efetivação de 74 bolsistas. Segundo o gerente de Inovação da empresa, Thadeu Junqueira, o programa aproxima pesquisadores da indústria e permite que empresas e profissionais desenvolvam projetos em conjunto antes mesmo de uma contratação definitiva.
"O Inova Talentos tem o propósito de fazer a ponte e trazer pesquisadores que tenham interesse em migrar para o ambiente industrial. A gente se experimenta mutuamente ao fazer um projeto em conjunto, testando esse relacionamento enquanto gera resultado com a execução de um projeto com mérito avaliado pelo CNPq", afirmou.
Outro exemplo é o do engenheiro eletricista Túlio Silva. Formado em Engenharia Elétrica em 2014, ele conheceu o programa ao se candidatar a uma bolsa para adaptar uma tecnologia de redes elétricas inteligentes ao mercado brasileiro na empresa brasiliense Spin Engenharia. Seis meses depois, foi efetivado e, atualmente, ocupa o cargo de gerente de Tecnologia e Inovação.
"Na época, a proposta era adaptar a tecnologia de um software colombiano de redes elétricas inteligentes ao mercado nacional. Eu sabia que o programa tinha limitação de um ano. Em seis meses, fui efetivado e, a partir daí, fui crescendo. A gente vê empresas buscando candidatos com diversas formações e experiências, mas isso é difícil para uma pessoa recém-formada", relata.
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